Se não existe em definitivo a justiça dos homens
Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar,
Pois que venham então de todos os lados
Multidões de artistas sem nome e sem palco
E que invadam as sedes mesquinhas dos bancos,
E vejam seus lucros com profundo desdém.
Que vão pelas ruas numa utópica gana
De acabar co'a maldade, egoísmo e ganância.
Ocuparão os artistas auditórios e ruas,
Tocarão instrumentos de forma sagrada,
Cantarão nem fervor, num se-dar sem medidas.
Baterão seus tambores, seu bumbos, metais,
Mostrarão as pinturas de amadas despidas,
Paisagens bonitas parecendo infinitas.
Viverão Cristo e César, Mr. Hyde e Otelo,
E as pessoas, então, num espanto assombroso,
Conseguirão ver que a Arte é coisa maior.