Pesquisar este blog

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A TARDE

Tinha sol, vento fresco, um bocado
De gente passando nas vias.
Tinha a praça, os bancos, arbustos,
A tarde de acesa alegria.

Tinha os carros, os jovens falantes,
As crianças em viva euforia,
O semblante de paz de uma moça
Que levemente sorria.

Tinha o olhar brilhante do jovem
Que em divagações se perdia.
Tinha a luz fulgente do sol,
Que em meu ser reluzia.

Tinha nuvens tão brancas no céu,
O azul o mar parecia.
Eu bem via o relógio da praça,
Mas o tempo não existia.

Era a tade inquieta e bonita,
Que a todo vivente envolvia:
Era vida, era cores, tão clara,
Era um fogo infinito de vida
E ao meu peito por completo acendia.

2010

domingo, 5 de setembro de 2010

PARTIDA

Partiu sozinho e tão tristonho,
E uma melodia de pura melancolia
O acompanhava, teimando em ficar na memória.

Partiu, macambúzio, sem alento.
Tinha um longo caminho a percorrer,
Mas ainda maior era o tamanho da sua agonia.

Partiu. Nenhuma ilusão havia.
Não havia horizonte, expectativa,
E a estrada a seguir era árida e sombria.

Partiu. Não tinha mais sonho nem ânsia.
Não tinha esperança, desejo nem vida.
Andava apenas. Nada mais tinha. Apenas seguia.

2010

VIZIM DE ZÉ CARDOSO

Vem cá, vizim, desce uma pinga, que eu te conto:
Ninguém no mundo é mais feliz que Zé Cardoso.
É que, cedim, toda manhã, beija a menina
De cabelim assim curtim, sorriso franco,
Bonita assim que nem os campo bem verdim.

Aquele beijo mais parece que alimenta Zé Cardoso,
Que prá labuta sai feliz de inté sartá.
Entra a menina a sorrir por casa adentro,
E eu fico oiando as coxa grossa, bem clarim,
E sonho vendo o vestidim a balançar.

O dia inteiro aquela potra lava, passa,
Varre, cozinha e canta assim qual passarim.
É tão bonita com zoim assim pretim,
Tão infantis e serenim, cheim de paz.

De tarde chega Zé Cardoso todo prosa,
E ela se agarra, alegre, moça, ao seu pescoço.
Depois, vizim, é um converseiro sem tamanho.
Um tal de "amor", "benzim" pra lá, "benzim" pra cá,
E a casa, assim, meu bom vizim, parece em festa.

Eu imagino, meu amigo, que à noitinha
O meu vizim é mais feliz que um fazendeiro,
Porque a deusinha, se entregando entre sussurros,
É bem capaz de qualquer cristo endoidecer.
E eu te confesso, sou tão só, que sinto inveja
E uma tristeza grande assim de contorcer.

2010

domingo, 8 de agosto de 2010

LIRISMO

Vem, canção bonita, alimentar minh'alma.
Vem, mulher-encanto, nutrir meus desejos.
Vem, lua crescente, pratear meu corpo.
Vem, noite serena, traze-me um poema
Fresco como a brisa, brando como tu.

O ICONOCLASTA

Não exaltarei salafrários engomados e com títulos pomposos
Que detêm nas mãos sujas poder e autoridade imerecida.
Não farei reverências a senhores e doutores,
Sobretudo pela parca moral das pessoas
Para o exercício do mando, poder, senhoria.

Não farei louvações a calhordas de terno
Que decidem destino de gentes e povos sofridos,
Que fazem das vestes capa de suas sarnas malditas,
De sua podridão intrínseca, vindas da mente abjeta.

Não homenageio fraques, fardas, coroas e togas,
Porque conheço profundamente a pequenez dos homens.
Não farei vivas a abastados ridículos
No alto de suas fortunas como de pedestais.

Não farei canto a gente emproada, arrogante
Que se vê qual deidade de carne e de osso.
Não farei verso a enfeitados de ouro e de brilho,
A criaturas cheias de "cumpra-se" e "faça-se".
Não saudarei quepes, brasões e divisas.

Também não cultuarei mitos e grandiosos de plástico.
Ao contrário: desmantelo os mitos, dissolvo os heróis
Com o meu senso de realidade iniludível.
Os mitos arrotam, engasgam, são bem como nós;
Heróis, se algum há, quero ver e tocar.

Eu vejo a cara dos homens tal como é a cara dos homens.
Não me iludo ou fascino, imune a todos embustes.
Ninguém a meus olhos fará belo o que é feio,
Fará grande o que é mero, é reles, é vil.

2010

domingo, 1 de agosto de 2010

BELEZA MATUTINA (QUASE UMA CANTIGA DE RODA)

Beleza matutina:
Em cima do telhado
Cantou o bem-te-vi.
Aqui vejo da varanda
Uma serra tão verdinha,
Tão bonita de se olhar.

Se eu visse a ti dançando,
Sonhando pela estrada,
Eu pegava uma viola
E saía a acompanhar.

Manhã clara, tão bonita,
com jardins de muitas flores.
Os teus olhos de esmeralda,
Duas contas de encantar.

Manhã ensolarada,
Os arbustos a bailar.
O teu rosto é porcelana,
O meu peito é o teu lugar.

2010

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ALMA EM LUZ

Eu tenho alma,
E um samba tão bonito, vindo lá da rua
Vem chamar minha'alma a ir sambar.

Eu tenho samba,
E um desejo de viver me acende numa lira
Que se enche de louvor à noite alegre.

Eu tenho lira,
E ela queima como a rua, a noite, o samba,
Vicejada das pessoas e das luzes de artifício.

Eu tenho luzes
Que me brilham n'alma viva, tão vibrante,
Que parece que jamais (a alma) se apagará.

2010

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...