"Minha santa, traz de volta aquele moço,
Mas traz ele suplicante, tão pedinte,
Tão mendigo, que eu me apraza
Em limpar nele meus pés."
"Meu amigo, dá um jeito no meu chefe,
Faz que ele me olhe e não me veja,
Perca o cargo, o posto, o emprego,
Mas que eu tenha paz de vez por todas."
"Diz, meu santo, que presentes
Você quer pr'eu ter sucesso,
Pra fazer muito dinheiro,
Pra ter pompa e posição."
"Diz, mãezinha, como faço
Pra roubar João de Rita,
Pra que Zé nunca me deixe,
Pra trazer Durval pra mim."
"Diz, meu pai, qual o remédio
Pra que eu tenha uma parceira
Que me ame e aceite chifres,
Que me lave e calce os pés."
"Diz, menino, que mandinga
Pôr no mato pra que todos
Que me vejam me idolatrem
E abram portas para mim."
"O que eu pago pra que Tânia
A mim fique sempre atada
E que o peste do marido
Já nos saia do caminho?"
"Tira, pai, deste meu corpo
O "trabalho" tão danado
Que pessoa tão malvada
Fez pro fim do meu sossego."
"Não lhe peço, vó, pra ter fortuna,
Quero paz e ter saúde,
Mas não sei que flores, frutas
Eu arrio no jardim."
2011
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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domingo, 13 de novembro de 2011
SENTIMENTO ESTRANHO
Sentimento estranho
o sentimento seu,
que se alimenta da distância,
do abandono, indiferença
e do desprezo meu.
Sentimento mais bizarro,
que goza sob as dores da tortura
e que sorri nos dissabores,
que encontra na aflição imensa
a sua fonte de energia,
que se nutre do que mata,
se sustenta de veneno..
Sentimento mais insano,
que, correspondido, empalidece,
protra-se, definha
e desfalece como mortalmente:
mas que, repudiado, acende,
cresce, aviva-se e floresce
em manhãs de primavera.
Sentimento estranho
o sentimento seu.
2011
o sentimento seu,
que se alimenta da distância,
do abandono, indiferença
e do desprezo meu.
Sentimento mais bizarro,
que goza sob as dores da tortura
e que sorri nos dissabores,
que encontra na aflição imensa
a sua fonte de energia,
que se nutre do que mata,
se sustenta de veneno..
Sentimento mais insano,
que, correspondido, empalidece,
protra-se, definha
e desfalece como mortalmente:
mas que, repudiado, acende,
cresce, aviva-se e floresce
em manhãs de primavera.
Sentimento estranho
o sentimento seu.
2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
A INJUSTIÇA E A PAZ
Eu vejo a desesperança desenhada no olhar
Dos que se plantam nas filas da condução.
Eu leio o desalento nos rostos
Dos que mofam nas filas de desempregados,
Tendo sob um braço um jornal.
Eu sei da alegria acintosa dos raros homens
Que têm o mundo nas mãos.
Eu sei da inquidade cínica dos torpes
Que fazem do destino de multidões brinquedo
Para sua bestial satisfação.
Mas parece que só eu sei, ninguém mais:
O mundo me parece por demais ignaro.
Por isto, só me cabe temer por mim,
Pelos meus e tocar minha vida,
Esquecido dos percalços do mundo,
Eu, andorinha incapaz de fazer um verão,
Conformado por ser assim desde que o mundo é mundo,
Eu, já sem credo ou bandeira política,
Eu, em busca apenas de seguir em paz esta vida de tantos perigos.
II
Não, eu não faria uma guerra ou revolução:
A mim não seduz a idéia de uma profusão de corpos inertes, exangues e desfigurados,
Num espetáculo medonho,
Muito menos me agrada imaginar mães chorando filhos mortos.
Não guerrearia, apenas diria não.
Todavia, como o mundo inteiro diz sim,
Só me resta repetir o sim proferido
E seguir a vida na brandura da paz.
2011
Dos que se plantam nas filas da condução.
Eu leio o desalento nos rostos
Dos que mofam nas filas de desempregados,
Tendo sob um braço um jornal.
Eu sei da alegria acintosa dos raros homens
Que têm o mundo nas mãos.
Eu sei da inquidade cínica dos torpes
Que fazem do destino de multidões brinquedo
Para sua bestial satisfação.
Mas parece que só eu sei, ninguém mais:
O mundo me parece por demais ignaro.
Por isto, só me cabe temer por mim,
Pelos meus e tocar minha vida,
Esquecido dos percalços do mundo,
Eu, andorinha incapaz de fazer um verão,
Conformado por ser assim desde que o mundo é mundo,
Eu, já sem credo ou bandeira política,
Eu, em busca apenas de seguir em paz esta vida de tantos perigos.
II
Não, eu não faria uma guerra ou revolução:
A mim não seduz a idéia de uma profusão de corpos inertes, exangues e desfigurados,
Num espetáculo medonho,
Muito menos me agrada imaginar mães chorando filhos mortos.
Não guerrearia, apenas diria não.
Todavia, como o mundo inteiro diz sim,
Só me resta repetir o sim proferido
E seguir a vida na brandura da paz.
2011
OS OLHOS NA ESCURIDÃO
Abri meus olhos na escuridão,
Mas poucos outros olhos porém se abriram,
E entre estes alguns eram trão embotados,
Que não ousei arriscar palavra de desagrado.
As trevas nunca se foram, mas tão-somente
Mudaram a própria natureza e feição.;
Trevoso sítio de gentes equivocadas
A sentirem uma inexistente felicidade.
Não, não quero a guerra, o sangue , a morte,
Não quero os donos do mundo com os seus chicotes
Em nossas costas, a nos tanger.
Assim, não sei do que nos valeria
Todos nós abrirmos os nossos solhos
E iluminarmos a escuridão.
2011
Mas poucos outros olhos porém se abriram,
E entre estes alguns eram trão embotados,
Que não ousei arriscar palavra de desagrado.
As trevas nunca se foram, mas tão-somente
Mudaram a própria natureza e feição.;
Trevoso sítio de gentes equivocadas
A sentirem uma inexistente felicidade.
Não, não quero a guerra, o sangue , a morte,
Não quero os donos do mundo com os seus chicotes
Em nossas costas, a nos tanger.
Assim, não sei do que nos valeria
Todos nós abrirmos os nossos solhos
E iluminarmos a escuridão.
2011
PROFUSÃO DE SENTIMENTOS
Choro quase nunca e quase nada,
Mas tenho sentimentos abundantes como vendavais e tempestades:
Amores na sofreguidão mais inteira, imensurável,
Na ternura protetora dos pais mais extremosos,
Tristezas, desalentos de trazer amor à morte,
Ódios carregados dos desejos mais malditos,
As mais vivas, retumbantes alegrias.
Choro quase nada e quase nunca,
mas meu peito é a profusão dos mais acesos sentimentos.
2011
Mas tenho sentimentos abundantes como vendavais e tempestades:
Amores na sofreguidão mais inteira, imensurável,
Na ternura protetora dos pais mais extremosos,
Tristezas, desalentos de trazer amor à morte,
Ódios carregados dos desejos mais malditos,
As mais vivas, retumbantes alegrias.
Choro quase nada e quase nunca,
mas meu peito é a profusão dos mais acesos sentimentos.
2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
NOSTALGIA II
Eu tenho saudade de Carla,
Que tinha os olhos serenos
E cheios de doce poema.
Eu tenho saudade da praça,
Da juventude zanzando,
Certa de um futuro sublime.
Eu tenho saudade das noites
E dos verões do passado
Me enchendo de ingênua alegria.
Eu tenho saudade das tardes,
Das tantas história contadas
Apenas pro tempo passar.
Eu tenho apenas saudades,
Não acho melhor o passado
E abraço com gana o presente.
2011
Que tinha os olhos serenos
E cheios de doce poema.
Eu tenho saudade da praça,
Da juventude zanzando,
Certa de um futuro sublime.
Eu tenho saudade das noites
E dos verões do passado
Me enchendo de ingênua alegria.
Eu tenho saudade das tardes,
Das tantas história contadas
Apenas pro tempo passar.
Eu tenho apenas saudades,
Não acho melhor o passado
E abraço com gana o presente.
2011
sábado, 10 de setembro de 2011
ADEUS
Adeus.
Ouvirei sua voz nos ventos,
Sentirei seu calor ausente
Nas noites de inconsolável tristeza.
Adeus.
Sentirei seu perfume leve,
Reverei o seu rosto belo
Onde você jamais estará.
Adeus.
Reviverei os momentos doces
Gravados na minha mente
E impossíveis de retomar.
Adeus.
Vou seguir tão somente a vida
Qual graveto ao sabor das águas,
Como um vulto perambulante,
Sem saber se pra sempre ou não.
Adeus.
2011
Ouvirei sua voz nos ventos,
Sentirei seu calor ausente
Nas noites de inconsolável tristeza.
Adeus.
Sentirei seu perfume leve,
Reverei o seu rosto belo
Onde você jamais estará.
Adeus.
Reviverei os momentos doces
Gravados na minha mente
E impossíveis de retomar.
Adeus.
Vou seguir tão somente a vida
Qual graveto ao sabor das águas,
Como um vulto perambulante,
Sem saber se pra sempre ou não.
Adeus.
2011
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