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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PARTIR II

  Só quero ir embora

Daqui da cidade:

Do lugar eu não tenho

O menor fragmento

E nela não vejo

Nadinha de mim.


Saí pelas ruas,

Bebi pelos bares,

Andei pelas vias:

Não vi poesia,

Não vi os campos belos

De Minas Gerais.


Até a mineirinha, 

Que agora mal vejo,

Não mais brilha ou dança

Nem tenho na cama,

Assim como eu,

Bem vi, envelheceu.


Só quero partir

Sem por um segundo

Olhar para trás

E de outra cidade

Sentir-me um pedaço,

Sentindo-a  em mim.


VELHICE

  O que me espera à frente,

Uns anos adiante,

Senão tentar debalde

Fugir das minhas trevas

Por labirintos negros,

Entre as assombrações?



Não nascerão auroras

Nem mesmo as esperanças,

Não ouvirei orquestras,

Será tudo sombrio,

Não haverá mais sambas,

Tampouco carnavais.



Temer o inevitável,

Ter salvação na morte,

Que é qual morar no nada,

Qual existir no nunca,

Que é tão absoluta,

Que é o fim de tudo, o fim(!).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

TURBILHÃO

 Soam raios, trovões  casa adentro.

Tão sonoros, passeiam nos cômados

E repercutem nas paredes e tetos.

Soam raios, trovões   casa adentro,

Que não vêm  da atmosfera ou do céu,

Mas do fundo do meu peito repleto de chagas

E retumbante de milhões de emoções.


Há vendavais, soam trovões, soam raios

E são gritos do desejo de vida,

São brados do desejo de morte,

Um acúmulo imenso de amores,

Profusão de intensas paixões,

Um querer  chorar convulsivo

E partir para muito distante,

Depois, para ainda mais longe

E pisar regiões inúmeras,

E dançar pelas ruas lotadas

E pelos bordéis das cidades.


Soam raios, trovões  casa adentro:

É o peito implodindo de anseios,

Profusão de sentimentos imensos,

Turbilhão de minh'alma a berrar.


domingo, 2 de novembro de 2025

O SENTIMENTO SUBLIME

 O sentimento sublime

que trago em meu peito candente

é como se tudo florasse,

se a aurora fosse constante

e a noite, tão linda de estrelas,

enchesse de luz os becos

e neles derramasse canções.


É como se a primavera

ornasse as ruas e praças,

viesse desses teus olhos

tão cheios de vida e querença,

tão plenos de anseio e de sol.

VIAGEM ENCANTADA

 Hoje mesmo, há poucos momentos,

estive nos anos setenta,

vi cantar Vinícius e Tom

e ouvi belos sambas-canção.

Ai, era tanta alegria

naquela tarde dourada,

e as águas azuis e assanhadas

batiam na praia, espumavam

aqui, tão distante do mar.


Em poucos segundos, a noite

chegou, maviosa e poética,

e andei entre os corpos celestes,

enquanto cantou Lady Gaga

com suas emoções palpitantes.


Elis brilhava e cantava

com sua voz milagrosa,

que esfuziava, sofria,

depois serenava, tão doce

como nunca, jamais ouvi.

Elis, a rainha maior.


Viajei em toda a magia

da voz, dos arranjos do Mílton,

passeei em fazendas, paisagens,

em cidades majestosas e antigas,

me sentindo tomado de amor.


Vi Deus e as orquestras dos anjos,

viajei em terras  de encantos

e me enchi de alegria e fascínio:

ah, como nos enfeitiça

ouvir tão bonitas canções!

domingo, 14 de setembro de 2025

POESIA DO MOMENTO DE VOLÚPIA

 Não senti, não, no meu peito

O tocar angelical

Que enfeitiça o enamorado,

Mas te irei sorver a língua

Na agonia dos sedentos,

Provarei da tua pele

Como quem lambe ambrosia,

Sentirei, extasiado,

O calor dessas entranhas,

Fruirei teu corpo quente

Como quem degusta manga,

Sorve a polpa, a água da pera

E assim fica a se aprazer.


Sentirei dentro de ti

O aconchego delirante,

A agonia extasiante,

O regalo que enlouquece

E se expande corpo inteiro

E que irá lotar a casa,

Vazará pelas janelas,

Pelo espaço sideral.


Serei teu inteiramente,

Serei teu sofregamente,

Serei teu como criança

Aninhada no teu ventre.

Mas me deixa a porta aberta

Pr'eu depois ir pelas ruas

E seguir o meu caminho

Sem nos darmos nossas mãos.




domingo, 24 de agosto de 2025

AS CADELINHAS E EU

 É manhã e dois anjos em forma de cadela sobem em minha cama e se deitam. Sinto uma paz e uma felicidade infinita e quase indescritível, e ficamos os três, irmãos por filhos da Terra, amor e sintonia de almas, refestelados em nosso céu.

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...