Naquele cafundó tão quente,
De tanta escassez e seca,
Após assistir ao bizarro
Desfile de tanta miséria,
De tanta tristeza, infortúnio,
O padre daquela paróquia
Indagou num murmúrio inaudito:
"Senhor, perdoai-me a ousadia,
Mas às vezes eu me pergunto:
Amareis de verdade os filhos
Sem posses que vós criastes
Ou pouco vos importais
Com quanto estes sofram no mundo?"
2012
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
Pesquisar este blog
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
SORRIA
Sorria, minha bela, que a alegria a irá fazer criança,
Ande pelas ruas de cabelos soltos,
Pra que o vento a faça parecer voar
Ou levitar, tão livre e leve se verá.
Murmure entre seus lábios uma música
Que lhe acenda e que lhe aqueça o coração.
Esqueca se algum vento de tristeza lhe tocou
Em noites tão escuras, que mais pareciam morte,
E saia pela vida a cantar, viver e amar.
2012
Ande pelas ruas de cabelos soltos,
Pra que o vento a faça parecer voar
Ou levitar, tão livre e leve se verá.
Murmure entre seus lábios uma música
Que lhe acenda e que lhe aqueça o coração.
Esqueca se algum vento de tristeza lhe tocou
Em noites tão escuras, que mais pareciam morte,
E saia pela vida a cantar, viver e amar.
2012
AMO OS ANIMAIS
Amo os animais, todos os animais
Como se fossem seres de antigo convívio
E dormissem pelo meu quarto
E me dessem lambidas de afagos,
E voltassem pro ar o ventre,
Sequiosos de meu carinho.
Amo cada animal quase como a um filho
E os olho com tanto afeto, mas tanto afeto,
Que Deus, se houver, lerá o amor dos meus olhos
E verá quão injusto é todo esse sofrimento
Que aos inocentes bichinhos é quase sempre reservado.
2012
SEM FOLIA
Hoje começa o Carnaval,
Mas a minha agonia não finda.
Hoje a folia é sonora,
Mas a minha alma é silente.
Hoje é dia de banda e de festa,
Mas só quietude há em mim.
2012
Mas a minha agonia não finda.
Hoje a folia é sonora,
Mas a minha alma é silente.
Hoje é dia de banda e de festa,
Mas só quietude há em mim.
2012
SE ELA VOLTASSE
Se ela surgisse de repente,
Despida,
Silente,
Ardente,
E se fossem os olhos dela
Suplicantes de carinho,
De perdão e de voltar?
Se ela surgisse assim do nada
E se desse, animalesca,
Quão bonito tu verias
Esse mundo ante teus olhos?
Se ela viesse simplesmente
E dissesse tudo fora
Um poema inacabado
Carecendo um recomeço
Sem resquícios do passado
E de entrega nova e cega?
Se ela apenas te voltasse,
Que esperanças nutririas,
Quantos medos sentirias,
Quererias solidão?
Se ela em cima do teu peito
Repousasse as coxas lisas,
Sentirias nela a fonte
Do elemento poderoso
De manter você vivente?
Se ela, sonsa, te tocasse,
Que alegrias te viriam,
Que tristezas causaria
Te saberes indefeso,
Tão cativo da mulher?
Se a tivesses novamente,
Quanto riso e quanto pranto
Encheriam teus momentos?
Quanto então te maldirias
Por perderes a vergonha,
Por saberes que sem ela
Não há sol nem alegria,
Nem desejo ou poesia,
Só vontade de morrer?
2012
Despida,
Silente,
Ardente,
E se fossem os olhos dela
Suplicantes de carinho,
De perdão e de voltar?
Se ela surgisse assim do nada
E se desse, animalesca,
Quão bonito tu verias
Esse mundo ante teus olhos?
Se ela viesse simplesmente
E dissesse tudo fora
Um poema inacabado
Carecendo um recomeço
Sem resquícios do passado
E de entrega nova e cega?
Se ela apenas te voltasse,
Que esperanças nutririas,
Quantos medos sentirias,
Quererias solidão?
Se ela em cima do teu peito
Repousasse as coxas lisas,
Sentirias nela a fonte
Do elemento poderoso
De manter você vivente?
Se ela, sonsa, te tocasse,
Que alegrias te viriam,
Que tristezas causaria
Te saberes indefeso,
Tão cativo da mulher?
Se a tivesses novamente,
Quanto riso e quanto pranto
Encheriam teus momentos?
Quanto então te maldirias
Por perderes a vergonha,
Por saberes que sem ela
Não há sol nem alegria,
Nem desejo ou poesia,
Só vontade de morrer?
2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
MINHA INEXISTÊNCIA
Quando pus o pé no palco
E entrei em cena, exuberante,
Percebi que cena não havia,
Não havia palco, exuberância,
Mesmo eu próprio, notei, não existia.
Não nascera, não era e nunca fora,
Não passara jamais de uma ilusão.
2012
A MORTE DA POESIA
Quero os jardins. Onde os jardins?
Quero as varandas e as casas desbotadas,
Os quintais de terra, o orvalho, os pés de futas,
As pracinhas e os casais enamorados.
O que foi feito da poesia?
Ficou senil, caduca, ultrapassada,
ficou morta no passado a poesia.
Agora só resta esse cenário tedioso
E essa gente tediosa pelas ruas.
2012
Quero as varandas e as casas desbotadas,
Os quintais de terra, o orvalho, os pés de futas,
As pracinhas e os casais enamorados.
O que foi feito da poesia?
Ficou senil, caduca, ultrapassada,
ficou morta no passado a poesia.
Agora só resta esse cenário tedioso
E essa gente tediosa pelas ruas.
2012
Assinar:
Postagens (Atom)
RECANTO
E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...
-
E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...
-
Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
-
Encontro a Madona deitada no chão. Agacho-me e começo a lhe acarinhar a barriga peluda. A cadela põe as quatro patinhas pro ar e se delici...