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sábado, 26 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SE VIER A ESCURIDÃO

Se os meus dias forem puras sombras e agonias,
Se a tristeza me doer como ferida latejante...
Se os caminhos se estreitarem, não puder eu percorrê-los,
Se as barreiras se fizerem impossíveis de transpor...
Se o inferno em minha mente não deixar lugar à paz...

Inda assim não me porei de joelhos ante altares,
Não porei no rosto tenso um postiço ar de alegria
Nem aos céus irei rogar as ajudas que se pedem.
Não verei nas cartas, búzios o caminho a se adotar
Nem cairei em louvações a um pai sisudo e mudo...

Mas terei nos próprios braços toda a força que procure,
Buscarei na minha mente os milagres que persiga
Com meus pés pisando  o chão, sem querer uma ilusão.

SE HOUVER INSÔNIA

Se eu acordar bem antes d'hora desejada
E achar que a vida inteira foi em vão...
Se ainda às quatro me invadir uma agonia
Que aperte o peito como o fosse esmigalhar...
Se o alvorecer mais parecer noite profunda,
Mas profunda de eu sentir um medo singular...
Se o arrependimento me bater como tabefes
E o desejo que me venha seja a morte, a morte unicamente...
Buscarei sofregamente uma mentira motivante,
Um devaneio inda perdido em minha infância?.
Quem sabe eu me darei a alguma luta sem sentido
Ou me atire como um louco se batendo contra Roma?
Empunharei as bandeiras mais chinfrins, irrelevantes?
Jogarei meus sonhos numa fêmea descabida?
Aguardarei com ânsia meu suspiro derradeiro,
Num querer tão sem medidas, que o meu medo se suprima
E  me alegre este momento como amor correspondido?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

EM PROL DOS QUE NÃO FALAM

Todos os animais são simples e puros como sorriso de criança, poesia singela e cantiga de roda.  São belos como afagos de casais enamorados ao luar. Por tudo isto, ame-os.  Se não conseguir, respeite-os.


sábado, 31 de agosto de 2013

LUCIANA

Deitaram-se na cama e Luciana  ofereceu-lhe os lábios ávidos.  Vestido curto, leve, solto, quase transparente,  preto com estampa de pontos brancos.  Guilherme ergueu o corpo da mulher e a sentou no colo, como fora ela um achado raro e precioso, um diamante, uma esmeralda, o bem maior do mundo inteiro.
Sabia que a moça era de se dar com facilidade, que tinha vários amantes e que jamais lhe entregaria a alma tão liberta e aventureira.  Sabia também que a não queria para si, pra todo o sempre ou alguns anos. Mas naquele momento a amava como o mais extremoso enamorado, como o mais possessivo dos machos existentes.  Porque a desejava... como a desejava! Ah, como a desejava!  Queria tanto desfrutar aquele corpo esguio e pálido, as pernas magras e roliças que há  tanto cobiçava, sentia tanto prazer em tê-la na cama, que o ardor parecia amor, entrega, sentimento fundo, suplicante e desvanecido.
No dia seguinte talvez Luciana fosse de outro, mas isso não importava ao homem, que era tão ávido e sôfrego,  que achava que o tempo não passaria, que aquele momento se eternizaria; que não tinha ciúmes, mas só desejo: um desejo de longo tempo, um desejo que não tinha medidas, um fogo que lhe abrasava o corpo inteirinho.
Levantou-lhe o vestido, deitou-a na cama, arrebatou-lhe a calcinha de renda e por pouco não lhe rasgou o escuro vestido.  Beijou-lhe a boca longamente inúmeras vezes,  sugou-lhe os seios, a língua, os lábios, a vulva e as nádegas, cheirou a mulher por inteiro: cada  milímetro do corpo e cada cavidade, e toda cavidade do corpo de fêmea, candente, adentrou.
Amanhã quem sabe outro a ela faria tudo o que ele agora fazia, mas pouco a Guilherme importava: hoje a mulher era dele; dele somente, e era na essência a mais pura magia: ninfa, deusa, valquíria, sereia, feminino demônio ou outra entidade, mas algo que em definitivo ao homem enlouquecia.
O  casal gemia, arfava, gozava, fremia, e tê-la consigo num ballet tão frenético,  entre frases tão quentes, obscenas palavras, lascivas carícias, era para Guilherme a conquista maior, a chegada ao paraíso, e este sequer se lembrava de algo que houvesse além do desejo, delírio, deleite, prazer inefável, esquecido do mundo, da vida, do ontem, do dia vindouro, que havia amanhã.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

POEMA DE AMOR E MALDIÇÃO

Amar a Terra qual recém-nascido em seu apego à mãe que dá-lhe o peito, num afã e unicidade só encontrada nos amores mais extremos.   Dar aos animais, reconhecidos como irmãos por São Francisco, o amor por eles merecido.  Olhar as matas co'a ternura das mães enternecidas.  Entender que, como nossos filhos pequeninos, os filhotes têm o mais do que sagrado direito aos cuidados das mães tão extremosas. Respeitar as águas como a divindades poderosas, em genuínas atitudes de respeito e reverência... Deixar vivas as serpentes, que só lutam pela vida, nada mais.
Dar ternura e dar cuidados aos cachorros sem abrigo, aos bichanos graciosos, não causar a dor aos pombos.
Ah(!), espíritos das matas e das águas,  protetores dos bichinhos...!   Dai aos que molestam criaturas inocentes os infernos lancinantes.   Lançai sobre os demônios sofrimentos infinitos e a ausência do perdão. Jogai sobre esses torpes vossa fúria mais ardente e vos despi de compaixão... para que todos compreendam o tamanho do pecado de ofender o irmão ingênuo e puro, que nem  sabe suplicar. 

2013 

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...