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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A AMANTE

 Por que eu não iria embora,

Se cá nós trocamos injúrias,

Com ela é a mais pura luxúria,

E aqui nosso tédio é demais?


Não peça a mim que não vá,

Se a moça se encanta co'a Lua

E quer se banhar das estrelas

E, cálida, vem me beijar.


Por que eu ficaria sem ela,

Que aperta as mãos minhas nas suas,

Cantando uma linda cantiga,

E pisa nas águas do mar?


Tem tanta esperança nos olhos,

No rosto, um sorriso que é luz,

Na cama, delírios frenéticos,

No sono, uma paz sem igual.


Por que deixaria essa moça,

Se volto aos dezoito de idade,

Se sonho qual fosse um menino,

Se agora só entendo de amar?

domingo, 22 de outubro de 2023

NOSTALGIA III

 A juventude acesa, as mil emoções, mil anseios,

Os dias luminosos, o rock e os amores efêmeros 

A funda tristeza dos amores perdidos

E a mais indescritível alegria de viver.


Não tenho jamais a insana, descabida quimera

De desejar minha volta aos vinte de idade,

Mas quero a alacridade das cheias manhãs

E das tardes se abrindo na festa da vida,

Assim como flor desabrochada ao sol claro.

Não quero, não, as assombrações de minh'alma

Em seus gemidos apavorantes, agoureiros e tétricos.

Só busco fazer que a folia dos dias

Adentre inteirinho meu coração desbotado.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O MEDO

 O medo envolveu-me de súbito,

E não me consegui libertar.

Falei: "Arreda-te já 

E volta pro fundo das trevas,

Pro inferno de onde vieste!"

Ao que ele me respondeu: 

"Não venho de canto algum

Nem mesmo surgi do nada:

Não lembras que te sou um pedaço

E moro dentro de ti?"

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

A ARTE

 A Arte é linda como um campo a se adornar de flores várias.

A arte é linda como nudez e como amar em delírio inominável.

A Arte é comovente assim como paixão que traz luz e canto à alma

Ou como simples beijo enternecido de mãe no seu do bebê.



A Arte é santa e doce como cães pueris a nos pedir afagos.

A Arte é elevada e grandiosa como os gestos mais prosaicos,

Quando as almas se purificam e se emprenham de pleno amor.



A Arte é linda como cascatas, como florestas, qual aves muitas em revoadas.

A Arte é sagrada quase qual mares, luares, serras, cerrados, onças, jacus, bujios, antas,  [harpias, os animais.

É majestosa, miraculosa, encantadora e até parece a própria inefável Mãe-Natureza.



O ponto comum e de encontro entre a Arte, o Amor e a Natureza é o Magnífico.



DORMIR

 Já notei seus olhos brandos,

Suplicantes, me chamando:

Vou deitar em nossa cama,

Vou dormir em sua paz.

sábado, 12 de agosto de 2023

A MULHER DESNUDA

 A nudez da mulher é tão linda!

Relevos sublimes ante olhos sedentos,

Rosa se abrindo em pétalas róseas,

Em pétalas rubras ou pétalas púrpuras.

As grotas tão mornas de pura magia,

Caminhos ardentes ao Sétimo Céu.


A mulher desnuda, poesia divina,

Estendida no leito, é linda qual rio

Em campos celestes ornados de cores

Ao canto sublime das vozes de arcanjos.


A mulher despida, cantiga lasciva

Tão cheia de vida, de luz e pulsar.

A mulher que se despe é uma diva que pousa

Na cama suave e a converte num céu.


sábado, 29 de julho de 2023

O IMPÉRIO DO DIABO

 Não sonharei jamais um mundo melhor

Nem nutrirei no velho peito a menor ilusão,

Se as criaturas nada importam se equiparadas ao capital, 

Se o poder, a guerra e o triunfo nas batalhas

Revelam a alma dos homens de forma bem cristalina...


Se os animais sublimes que vemos nos campos

São sempre mortos com crueldade satânica:

Não há beleza alguma nos campos.

Se cada pessoa é solitária ao extremo,

E as cidades, inchadas de gente, são simplesmente desertas.

Se os amores são calculados e tão pragmáticos,

E dos casamentos, então... melhor nem falar.


Se mãos humanas bestiais, tão imundas,

Dão vida a ainda mais cataclismos:

Vendavais, calores, secas, inundações.

Se a ignorância é mensageira e bastião dos malignos

Que semeiam pobreza, miséria, a fome e o caos...

Se a natureza agoniza, encolhida, estuprada

Pela ganância dos vis magnatas.


Cada humano abriga na alma um demônio

--São demônios dos mais variados tamanhos--,

E eu, às vezes, me desolo bem fundo,

Enquanto luto por conter meu diabo

E me furto a mensurar-lhe as dimensões.

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...