Quero escrever como canta Elis:
Co'a alma quente toda aflorada
E a voz candente a se irradiar.
Como quem abre inteirinha a casa
E faz entrar a luz da manhã.
Qual deslumbrado da doce vista
Da serra verde em exuberância.
Como quem molha seus pés no rio,
Abrindo os braços pra natureza.
Vou versejar como me despisse
E me entregasse a um sedento amor,
Como quem olha, se embevecendo,
Gatos brincando pelos jardins.
Poetar qual fechasse os olhos
E levitasse na dança mágica.
Como deixasse que a viva lágrima
Molhasse as letras dos versos tristes.
Versejar como arrebatado
Por emoções mais angelicais.
Qual longamente beijasse a amada
E, de mãos dadas, com ela andasse
Em rumo a um canto tão magnífico,
Que só um sonho pode inventar.
Poetar num enlevamento
De quem vê quando brota a vida,
Quem se consome ao adeus da amada
Ou quem se enreda, surpreendido,
Num novo tempo de outra paixão.
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