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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

EM PROL DOS QUE NÃO FALAM

Todos os animais são simples e puros como sorriso de criança, poesia singela e cantiga de roda.  São belos como afagos de casais enamorados ao luar. Por tudo isto, ame-os.  Se não conseguir, respeite-os.


sábado, 31 de agosto de 2013

LUCIANA

Deitaram-se na cama e Luciana  ofereceu-lhe os lábios ávidos.  Vestido curto, leve, solto, quase transparente,  preto com estampa de pontos brancos.  Guilherme ergueu o corpo da mulher e a sentou no colo, como fora ela um achado raro e precioso, um diamante, uma esmeralda, o bem maior do mundo inteiro.
Sabia que a moça era de se dar com facilidade, que tinha vários amantes e que jamais lhe entregaria a alma tão liberta e aventureira.  Sabia também que a não queria para si, pra todo o sempre ou alguns anos. Mas naquele momento a amava como o mais extremoso enamorado, como o mais possessivo dos machos existentes.  Porque a desejava... como a desejava! Ah, como a desejava!  Queria tanto desfrutar aquele corpo esguio e pálido, as pernas magras e roliças que há  tanto cobiçava, sentia tanto prazer em tê-la na cama, que o ardor parecia amor, entrega, sentimento fundo, suplicante e desvanecido.
No dia seguinte talvez Luciana fosse de outro, mas isso não importava ao homem, que era tão ávido e sôfrego,  que achava que o tempo não passaria, que aquele momento se eternizaria; que não tinha ciúmes, mas só desejo: um desejo de longo tempo, um desejo que não tinha medidas, um fogo que lhe abrasava o corpo inteirinho.
Levantou-lhe o vestido, deitou-a na cama, arrebatou-lhe a calcinha de renda e por pouco não lhe rasgou o escuro vestido.  Beijou-lhe a boca longamente inúmeras vezes,  sugou-lhe os seios, a língua, os lábios, a vulva e as nádegas, cheirou a mulher por inteiro: cada  milímetro do corpo e cada cavidade, e toda cavidade do corpo de fêmea, candente, adentrou.
Amanhã quem sabe outro a ela faria tudo o que ele agora fazia, mas pouco a Guilherme importava: hoje a mulher era dele; dele somente, e era na essência a mais pura magia: ninfa, deusa, valquíria, sereia, feminino demônio ou outra entidade, mas algo que em definitivo ao homem enlouquecia.
O  casal gemia, arfava, gozava, fremia, e tê-la consigo num ballet tão frenético,  entre frases tão quentes, obscenas palavras, lascivas carícias, era para Guilherme a conquista maior, a chegada ao paraíso, e este sequer se lembrava de algo que houvesse além do desejo, delírio, deleite, prazer inefável, esquecido do mundo, da vida, do ontem, do dia vindouro, que havia amanhã.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

POEMA DE AMOR E MALDIÇÃO

Amar a Terra qual recém-nascido em seu apego à mãe que dá-lhe o peito, num afã e unicidade só encontrada nos amores mais extremos.   Dar aos animais, reconhecidos como irmãos por São Francisco, o amor por eles merecido.  Olhar as matas co'a ternura das mães enternecidas.  Entender que, como nossos filhos pequeninos, os filhotes têm o mais do que sagrado direito aos cuidados das mães tão extremosas. Respeitar as águas como a divindades poderosas, em genuínas atitudes de respeito e reverência... Deixar vivas as serpentes, que só lutam pela vida, nada mais.
Dar ternura e dar cuidados aos cachorros sem abrigo, aos bichanos graciosos, não causar a dor aos pombos.
Ah(!), espíritos das matas e das águas,  protetores dos bichinhos...!   Dai aos que molestam criaturas inocentes os infernos lancinantes.   Lançai sobre os demônios sofrimentos infinitos e a ausência do perdão. Jogai sobre esses torpes vossa fúria mais ardente e vos despi de compaixão... para que todos compreendam o tamanho do pecado de ofender o irmão ingênuo e puro, que nem  sabe suplicar. 

2013 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

MÚSICAS DE MARCELO BIZAR EM ALGUNS DE MEUS POEMAS


https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/meu-santo-ant-nio

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/lirismo

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/mineirinha

https://soundcloud.com/bar-o-da-mata/vem-viver


Aqui você ouve '"MEU SANTO ANTÔNIO" ''LIRISMO", "MINEIRINHA" e "VEM VIVER", músicas nascidas de minha parceria com MARCELO BIZAR, compositor, cantor, instrumentista, escritor, meu colega de trabalho e amigo pessoal, que compõe com maestria e canta exibindo grande talento e primorosa interpretação. Peço que cliquem nos links (sem risco, não há vírus) e ouçam as canções, que ficaram magníficas.

Barão da Mata


Sobre MARCELO BIZAR


http://www.youtube.com/watch?v=0TF837hMbR0


http://www.youtube.com/results?search_query=Marcelo+Bizar&oq=Marcelo+Bizar&gs_l=youtube.12...0.0.0.36450.0.0.0.0.0.0.0.0..0.0...0.0...1ac..11.youtube.

domingo, 4 de agosto de 2013

O HOMEM E A CADELINHA DOENTE

O homem vinha dirigindo seu carro na rua Humaitá.  Uma cadela pequenina e doente, trôpega, estava  na pista, distraída.  Um tanto incauto, buzinou, para que o animal saísse da pista, e o resultado foi satisafatório: a cachorrinha, sarnenta e maltrapilha, subiu a calçada, e o motorista seguiu seu rumo.  Já bem adiante, algo bateu-lhe na mente, e ele refletiu por momentos, mudou o itinerário, tomu o caminho de retorno. Conseguiu reencontrar a cadelinha. Parou o carro, desceu, chamou-a, esta veio, e o homem a tomou no colo, doente, sarnenta, sofrida, depauperada.   Levou-a a um veterinário: a bichinha teve a sarna confirmada e tinha avançada e grave pneumonia,  e o seu novo amigo a levou consigo, decidido a lhe salvar a vida e proporcionar-lhe uma existência digna e sem os cruéis percalços das ruas.
E o mundo devia, desde o momento do resgate, ter parado para observar-lhe cada gesto e com ele obter senso de bondade e quem sabe aprender e copiá-lo.  O mundo devia ter parado para vê-lo naqueles momentos recolher o anjo, despojar-se de todo pecado e em anjo também  converter-se.   
A história é real.. Que a cachorrinha se salve, e os dois novos amigos sejam felizespara sempre.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

DUETO DOS DESAMADOS

ELA:

Meu rapaz é tão menino,
E eu passei da flor da idade;
Me rendi aos seus encantos,
Ele, ao saldo no meu banco.

Sou às vezes tão materna,
Ele, tão, mas tão meu filho,
Que me pede um dinheirão.
Eu lhe faço juras líricas, 
Ele fala em casamento,
Em seguro, garantias,
Com seus pés firmes no chão.

Eu lhe conto histórias lindas,
Ele conta os meus ativos.
Eu planejo mil viagens,
Ele, mil investimentos.

Eu me pego tão criança
Em sonhar coisas românticas,
Eu o encontro tão adulto, 
A falar em patrimônio.

Eu me nutro dos seus beijos,
Sou faminta do seu corpo,
Ele come a minha renda,
Tão voraz como um leão.

Eu me afundo em minhas dívidas,
A querê-lo eternamente,
Ele fica em suas dúvidas
De devermos prosseguir.

ELE:

Minha moça é tão bonita,
Tem a pele de veludo,
Somos unos, mas tão unos,
Que ela porta meus cartões.

Sou seu pai, mas tão seu pai,
Que ela vai até meus bolsos,
Retirando minhas notas,
Sai, me diz que volta logo
E só vem de manhã cedo,
Esgotada, embriagada,
Com aromas masculinos.

Eu lhe falo em vida eterna,
Ela lembra que é preciso
Que eu invista num jazigo
E lhe compre um bem imóvel.

Eu divago, meio tolo
Me sentindo principesco,
E ela diz que é necessário
Garantir o seu futuro.

Eu a faço inda mais bela,
Com vestidos, com ornatos
Que hoje fazem que me cheguem
Muitas cartas de cobrança.

Eu lhe conto meu desejo
De jamais nos separarmos,
Ela conta que no mundo
Nada pode ser eterno.

2013







quarta-feira, 12 de junho de 2013

O BÊBADO ADORMECIDO

Quem é esse traste que dorme,
Que fede a fumo e cachaça,
Ressona no quarto sombrio,
Fechado e desarrumado?

É o mesmo poeta que há pouco
Cantava o sorriso da moça,
Dizia que a noite é um negrume
Tão bom de se poetar.

Quem é esse velho imprestável
Que rosna o que não se entende,
Enquanto rola na cama,
Num sono agitado de ébrio?

É aquele poeta que disse
Que a tarde é momento divino
De a vida dançar de alegria
E o peito buscar emoções.

Agora é o langanho que dorme,
Que atrai desprezo e chacota
O homem que traz sempre sonhos,
Que sente profundo no peito
As dores e o belo do mundo.

2013

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...