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sexta-feira, 6 de maio de 2022

SE A POESIA VIER

Se um poema vier no vento 

E se traduzir na noite clara e estrelada

E nas luzes de artifício das praças e das ruas,

Que cantigas luminosas encherão teu peito ávido,

Que esperanças te virão à alma sempre atenta

A cada uma das nuances dos dias e da estrada em que caminhas?


Se a canção vier na noite,

Na penumbra, no silêncio

E entrar pela janela como o sonho mais bonito de se ter?


Se a lira alegre passear pelas calçadas,

Pelos bares, pelos becos e fachadas

E adentrar a tua sala e o teu quarto tão quieto,

Percorrer a casa inteira como a brisa em voo leve,

Que emoções retumbarão como atabaque e tamborins

Dentro do teu tão irrequieto coração?


PECADO CELESTIAL

O vinho, a música,

Corpos desnudos,

Noite, o luar.

Amai, ó Deus, os filhos vossos

Que se dão numa volúpia sem igual!


Os seios, nádegas,

O falo, a vulva,

Esse impudor.

Louvai, ó Deus, os vossos seres

Que se entregam num furor descomunal!


Os cheiros lúbricos

Por todo o quarto,

Juras febris.

Ó Deus, afaga os pecadores

A devorar-se num ardor transcendental!


São dois amantes

Tão fogueados,

Tão infiéis.

Notai, ó Deus, a poesia incandescente

Desse amor tão magnífico e carnal!


As línguas ávidas,

Cabelos longos

No travesseiro.

Louvai, ó Deus, toda luxúria

E abençoai esse pecado tão celestial!


terça-feira, 3 de maio de 2022

POEMA A CÁSSIA ELLER

 O que dizer de ti e de tua arte [tão plena e grandiosa, 

Da tua catarse sobre os palcos [que pisavas?

Cantavas com a gana insana de [animal enfurecido

De leão ferido, acuado, mas a [lutar, determinado,

E soltavas na voz as aflições, as [dores e as revoltas

Em urros melodiosos que [embriagavam as multidões.


Nem só de gritos musicais se fez [teu canto:

Tantas vezes foste doce, menina, [branda, apaixonada

A destilar uma suavidade só [encontrada nas heroínas [romanescas: 

Vertias o amor puro e palpitante, [tão imenso em tua alma.


Tão bela num estereótipo que [buscava o masculino, 

Mas que deixava transparecer a [poesia só flagrante nas mulheres.

Que inspiração divina te fez tão [cheia d'alma e tão diversa

Como se Deus te houvera feito de [tudo quanto existe no universo.


Ficam na gente saudades do teu [canto sublime e irreverente

E das loucuras com que marcaste [cada palco que pisaste.

Deus, se existira, te diria numa [ternura paternal e acolhedora:

"Vem, fica comigo, menina doce, [irreverente e tão intensa:

Tua presença faz o Céu mais [bonito, colorido e mais feliz.


segunda-feira, 11 de abril de 2022

O DIA DO TÉDIO

 Deixe quietas as clarinetas, [violinos e oboés!

Nem olhe breve o pandeiro, a cuíca e o tamborim!

Largue a guitarra, o teclado e a [bateria!

Hoje não tem samba, não tem [rock nem orquestra,

Mas somente o tédio tomando [conta da cidade

E pintando as ruas do cinzento [da insipidez dos transeuntes.

SEGUIR

 Que venham os clamores da [minha alma irrequieta

E se diluam nas notas mortas do [coração entristecido

E o quase inaudível canto da [esperança tão raquítica;

Que o sol de mim se mostre [pálido e quase ausente

E as cores minhas sejam [simplesmente desbotadas,

Que fale em brados minha [descrença petrificada...

Mas irei seguir o meu caminho [acinzentado

Sem a melancolia que outrora [enchia a alma de lassidão.



sábado, 2 de abril de 2022

SOFIA

Sempre irei amar Sofia,

que pensei que estava em Sara,

que jurei que achara em Mara,

que ausentou-se de Nancy.


Tinha o rosto de veludo

um semblante quase triste,

tinhas as mãos macias, pálidas,

o olhar cheio de querer.


Passeava nos regatos

e se dava sobre a relva,

levitava como fada,

no lirismo de nós dois.


Quando a tinha nos meus braços,

era Tânia que se dava,

era Selma que gozava,

era Nara que gemia.


Mas Sofia, se existisse,

me diria docemente:

"Vem, meu velho, deita e dorme,

vê se para de sonhar.


RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...