Eu poderia amar,
mas amar tão infinita, tão candentemente,
que o mundo se tornasse uma lira de cálida doçura.
Eu poderia odiar,
mas odiar tão intensa, ardentemente,
que eu me aguerrisse e que matasse com a gana de animal enfurecido.
Eu poderia sorrir,
mas sorrir tão franca, alegremente
como o mais feliz dos homens deste mundo.
Eu poderia chorar,
mas chorar com tamanho sofrimento,
como se a ferida do meu peito fosse o tempo todo revolvida.
Mas o momento é para sentimentos comedidos,
sempre hora de pensar no pão, na agenda e na política.
Sempre tempo de astúcia para firmar posição ou subir algum degrau.
Triste vida onde as paixões devem ser contidas,
as emoções, dosadas e os desejos, reprimidos
em prol de um mundo árido de comoções e sensações,
onde as almas dos homens têm de ser desertas,
nuas de vida e de cores, cinzentas como o concreto dos viadutos que desumanizam as cidades.
2008
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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sábado, 6 de setembro de 2008
POEMA BANDIDO II
Abaixo as instituições!
Abaixo o sentimento de pátria e viva a nação brotada do amor, união e
[solidariedade entre as criaturas!
Que a família nasça dos laços de afeto a unir as pessoas,
Não mais das convenções e da falsa moral social.
Abaixo a autoridade, fonte purulenta e inesgotável de cinismo e
[torpeza a alimentar a corrupção,
Germe abjeto que infecta o Estado e faz deste Estado um verdadeiro
[ tumor estatal!
Viva Deus sem a hipocrisia sórdida e a falsa bondade dos religiosos!
Que Deus não seja mais instituição, mas crença.
Que a pátria não seja mais pátria, mas nação.
Que nunca mais as convenções e sim a ternura mantenha as pessoas
[sob tetos comuns.
2008
Abaixo o sentimento de pátria e viva a nação brotada do amor, união e
[solidariedade entre as criaturas!
Que a família nasça dos laços de afeto a unir as pessoas,
Não mais das convenções e da falsa moral social.
Abaixo a autoridade, fonte purulenta e inesgotável de cinismo e
[torpeza a alimentar a corrupção,
Germe abjeto que infecta o Estado e faz deste Estado um verdadeiro
[ tumor estatal!
Viva Deus sem a hipocrisia sórdida e a falsa bondade dos religiosos!
Que Deus não seja mais instituição, mas crença.
Que a pátria não seja mais pátria, mas nação.
Que nunca mais as convenções e sim a ternura mantenha as pessoas
[sob tetos comuns.
2008
COMO O CARNAVAL
Ah(!), se cantasses tão divina, ardentemente
Como os rouxinóis prenhes de vida...
Se calasses numa mudez tão total e tão profunda,
Que mais parecesses teu retrato...
Ah(!), se chorasses triste, desoladamente
Qual quem perde o tempo, a casa, o chão...
Se sorrisses tão cálida e tão alegremente
Qual criança ante a plena liberdade...
Ah(!), se meu fosse o teu canto, teu silêncio,
O teu pranto, o teu riso e os teus olhos de ternura,
O mundo se faria a eterna, mais eterna alvorada,
A mais bela, doce explosão de música, de cores e de júbilo:
O mundo então seria alegre como o Carnaval.
2003
Como os rouxinóis prenhes de vida...
Se calasses numa mudez tão total e tão profunda,
Que mais parecesses teu retrato...
Ah(!), se chorasses triste, desoladamente
Qual quem perde o tempo, a casa, o chão...
Se sorrisses tão cálida e tão alegremente
Qual criança ante a plena liberdade...
Ah(!), se meu fosse o teu canto, teu silêncio,
O teu pranto, o teu riso e os teus olhos de ternura,
O mundo se faria a eterna, mais eterna alvorada,
A mais bela, doce explosão de música, de cores e de júbilo:
O mundo então seria alegre como o Carnaval.
2003
EMPORCALHADO OLIMPO
Eu poderia ser renegado e pouco depois, porém, tornar-me rei
e, altivo, olhar frio, indiferente,
caminhar por entre o povo, venerado por cantigas louvadoras
e aclamado pelo fervor das multiões.
Eu poderia ver curvar-se em reverência cada homem
e abrir-se em oferta sensual cada mulher...
Eu poderia ser cultuado como um deus de carne e osso.
Bastaria apenas que os deuses humanos desta terra
me estendessem a mão suja de lama
e me dessem um lugar em seu emporcalhado olimpo.
2003
e, altivo, olhar frio, indiferente,
caminhar por entre o povo, venerado por cantigas louvadoras
e aclamado pelo fervor das multiões.
Eu poderia ver curvar-se em reverência cada homem
e abrir-se em oferta sensual cada mulher...
Eu poderia ser cultuado como um deus de carne e osso.
Bastaria apenas que os deuses humanos desta terra
me estendessem a mão suja de lama
e me dessem um lugar em seu emporcalhado olimpo.
2003
A UM IMPERIALISTA ARROGANTE
Eu bem sei que o teu poder é imensurável
E que só não suplantaria a tua iniqüidade,
Tua desmedida maldade, tua infinita ganância.
Eu bem sei que os exércitos e armas que tens a teu dispor
Te fazem, sem dúvida, o mais temido e periculoso dos homens.
É, enfim, inegável que o teu poder de destruição é incalculável,
Mas tu não podes designar o rumo dos ventos.
Podes gerar e vencer guerras e mais guerras,
Devastar nações, territórios e gentes,
Provocar morte, flagelos, endemias,
Mas não podes conter a fúria dos vulcões,
Mas não podes transformar o desprezo que te tenho,
Que só se sente pelas mais abjetas entre as criaturas.
Podes, com teu arsenal nefasto, suprimir a vida na Terra,
Mas, ao tocares em ti próprio, vês que o material de que és feito não é aço nem urânio.
Podes espalhar desgraças pelo mundo,
Mas não podes fazer chover.
Podes ter controle sobre homens e países,
Mas jamais comandarás os furacões, os vendavais e os maremotos.
Jamais serás algo além de um homem,
Um mero homem, ínfima partícula do planeta.
Um homem, tão frágil, vulnerável, destrutível,
E, um dia, um atentado, um acidente ou uma doença
O conduzirá à morte, indiferente à tua vaidade, soberba, orgulho
E essa tola convicção de ser um deus.
De nada adiantará todo esse poder, todo esse prestígio:
A Natureza não respeitará a tua insuportável empáfia,
Nem a tua fortuna, nem a tua arrogância:
Ela te arrastará para a morte, como faz com todos os seres
E tua carne apodrecerá como a de qualquer rato de esgoto.
Tu um dia morrerás e apodrecerás. Tu, efêmero como qualquer forma de vida,
Tu, criatura impotente diante das leis e desígnios da Natureza,
Tu, que agonizarás como qualquer outro moribundo, nos teus derradeiros momentos.
Tu, tão vil e tão mesquinho, tu, tão respusivo e tão pobre de alma,
Tu, que, não fosse o poder que ostentas, estarias quieto em tua terra e cônscio da tua real
[ insignificância.
2007
E que só não suplantaria a tua iniqüidade,
Tua desmedida maldade, tua infinita ganância.
Eu bem sei que os exércitos e armas que tens a teu dispor
Te fazem, sem dúvida, o mais temido e periculoso dos homens.
É, enfim, inegável que o teu poder de destruição é incalculável,
Mas tu não podes designar o rumo dos ventos.
Podes gerar e vencer guerras e mais guerras,
Devastar nações, territórios e gentes,
Provocar morte, flagelos, endemias,
Mas não podes conter a fúria dos vulcões,
Mas não podes transformar o desprezo que te tenho,
Que só se sente pelas mais abjetas entre as criaturas.
Podes, com teu arsenal nefasto, suprimir a vida na Terra,
Mas, ao tocares em ti próprio, vês que o material de que és feito não é aço nem urânio.
Podes espalhar desgraças pelo mundo,
Mas não podes fazer chover.
Podes ter controle sobre homens e países,
Mas jamais comandarás os furacões, os vendavais e os maremotos.
Jamais serás algo além de um homem,
Um mero homem, ínfima partícula do planeta.
Um homem, tão frágil, vulnerável, destrutível,
E, um dia, um atentado, um acidente ou uma doença
O conduzirá à morte, indiferente à tua vaidade, soberba, orgulho
E essa tola convicção de ser um deus.
De nada adiantará todo esse poder, todo esse prestígio:
A Natureza não respeitará a tua insuportável empáfia,
Nem a tua fortuna, nem a tua arrogância:
Ela te arrastará para a morte, como faz com todos os seres
E tua carne apodrecerá como a de qualquer rato de esgoto.
Tu um dia morrerás e apodrecerás. Tu, efêmero como qualquer forma de vida,
Tu, criatura impotente diante das leis e desígnios da Natureza,
Tu, que agonizarás como qualquer outro moribundo, nos teus derradeiros momentos.
Tu, tão vil e tão mesquinho, tu, tão respusivo e tão pobre de alma,
Tu, que, não fosse o poder que ostentas, estarias quieto em tua terra e cônscio da tua real
[ insignificância.
2007
ROSA
Linda Rosa, esta cantiga
inocente e tão sedosa,
infantil e cor-de-rosa,
me brotou do coração
na tardinha preguiçosa
de palavras maviosas,
entre as rosas do jardim.
Tão serena a minha Rosa,
tão menina, tão viçosa,
tão bonita como fada
na manhã quente e rosada,
flutuando no rosal.
2008
inocente e tão sedosa,
infantil e cor-de-rosa,
me brotou do coração
na tardinha preguiçosa
de palavras maviosas,
entre as rosas do jardim.
Tão serena a minha Rosa,
tão menina, tão viçosa,
tão bonita como fada
na manhã quente e rosada,
flutuando no rosal.
2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
CANÇÃO TRISTE
Como eu poderia, menina, escrever-te poesias,
Se eu não sei falar dessa alegria
Solta, alegre, esvoaçante, tão menina,
Reluzente no teu ser?
Como, se eu só sei cantar tristeza
Com tristeza, por tristeza,
Nada mais?
Menina, a minha canção é qual silêncio,
É gemido, pranto, noite funda,
Fronte baixa, olhos mortos, pura dor.
Minha canção é qual crepúsculo de inverno,
Negro céu, bairro sem gente, mar sem vida,
Casa abandonada de desolado quintal.
Minha canção é um queixume tão desnudo de esperança,
Lágrima incessante deslizando pelo rosto,
Barco ancorado no deserto cais.
Minha canção é folhas secas arrastadas pelo vento,
Tarde sombria, olhar cansado, solidão.
Minha canção é escuridão, é desalento,
É fadiga, desencanto, lassidão, abatimento,
Melancolia, desconsolo, é vontade de morrer.
2003
Se eu não sei falar dessa alegria
Solta, alegre, esvoaçante, tão menina,
Reluzente no teu ser?
Como, se eu só sei cantar tristeza
Com tristeza, por tristeza,
Nada mais?
Menina, a minha canção é qual silêncio,
É gemido, pranto, noite funda,
Fronte baixa, olhos mortos, pura dor.
Minha canção é qual crepúsculo de inverno,
Negro céu, bairro sem gente, mar sem vida,
Casa abandonada de desolado quintal.
Minha canção é um queixume tão desnudo de esperança,
Lágrima incessante deslizando pelo rosto,
Barco ancorado no deserto cais.
Minha canção é folhas secas arrastadas pelo vento,
Tarde sombria, olhar cansado, solidão.
Minha canção é escuridão, é desalento,
É fadiga, desencanto, lassidão, abatimento,
Melancolia, desconsolo, é vontade de morrer.
2003
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