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domingo, 16 de fevereiro de 2014

LIVRE PARA SOFRER

Ficarei tão só, que os dias serão como derradeiros,
que a casa, de tão triste, mais parecerá assombrada,
que  as horas pesarão nos ombros como fossem grandes fardos,
que os momentos serão tediosos como segundas-feiras
e o desejo de viver será débil como um triste moribundo,
e o meu coração se aquietará tal como um mausoléu.
Serei triste como as fazendas em noite sem luar.
Levo contudo a certeza que não sou posse de ninguém,
de que sou livre pra viver e pra me aventurar,
de que estou bem solto para sofrer, me machucar.

2014

domingo, 1 de dezembro de 2013

REBENTO AO PEITO

Se você me olhar qual moça enamorada,
com ar de quem suplica e ainda sonha,
serei suave assim como silente noite
somente maculada por acordes leves
que venham do longe pra nos comover.

Serei seu poema de amor infinito,
serei seu abrigo, aconchego e calor,
serei sua lira, dançarino e cantor,
brinquedo, ciranda, seu frevo e folia,
menino, seu pai, seu irmão, seu ardor.

Eterno até quando permita este mundo,
mas seu como os dedos e as palmas das mãos,
entregue aos seus olhos, seu corpo e su'alma,
serei seu pedaço, seremos um só,
serei qual rebento ao peito da mãe.

ESCURIDÃO

Minha tristeza roubou a claridade,
e o dia então não pôde se acender.
É tão escura a noite deserta e fria...
Mas é tão triste o samba e a rua, as horas...
Ouço os cães uivando, lamentosos:
em tudo há pranto, silêncio e lástima.
Eu morro assim, de um modo sereno e triste:
não agonizo, não me contorço, tampouco grito.
Morro mansamente qual lentamente me dissolvesse:
minha'alma não tem lugar para infernos, céus:
apenas se dilui devagar na tristeza escura
e se perde no nada a que bem a tristeza nos sabe levar.


POEMA DA MINHA AGONIA

Ai, meu canto vem de uma agonia
que rasga a carne como lâmina afiada.
Ai, a dor é lancinante da ferida
das brenhas d'alma e transparece nos meus olhos,
no retrato, nos espelhos, nos meus versos.
Mas como sangro! É uma sangria que não finda.
Mas como é negra essa tarde ensolarada!
Esse horizonte não é mais que um precipício.
Desejo a morte, que não quero e me apavora.
Não creio em sorte, Deus, reviravolta.
Ah, o canto triste vem da chaga do meu peito,
e os membros, lassos, nem sequer mais se debatem,
e eu baixo os olhos e pranteio certos dias:
minha tristeza, sei, bem sei, vai me matar.

sábado, 26 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SE VIER A ESCURIDÃO

Se os meus dias forem puras sombras e agonias,
Se a tristeza me doer como ferida latejante...
Se os caminhos se estreitarem, não puder eu percorrê-los,
Se as barreiras se fizerem impossíveis de transpor...
Se o inferno em minha mente não deixar lugar à paz...

Inda assim não me porei de joelhos ante altares,
Não porei no rosto tenso um postiço ar de alegria
Nem aos céus irei rogar as ajudas que se pedem.
Não verei nas cartas, búzios o caminho a se adotar
Nem cairei em louvações a um pai sisudo e mudo...

Mas terei nos próprios braços toda a força que procure,
Buscarei na minha mente os milagres que persiga
Com meus pés pisando  o chão, sem querer uma ilusão.

SE HOUVER INSÔNIA

Se eu acordar bem antes d'hora desejada
E achar que a vida inteira foi em vão...
Se ainda às quatro me invadir uma agonia
Que aperte o peito como o fosse esmigalhar...
Se o alvorecer mais parecer noite profunda,
Mas profunda de eu sentir um medo singular...
Se o arrependimento me bater como tabefes
E o desejo que me venha seja a morte, a morte unicamente...
Buscarei sofregamente uma mentira motivante,
Um devaneio inda perdido em minha infância?.
Quem sabe eu me darei a alguma luta sem sentido
Ou me atire como um louco se batendo contra Roma?
Empunharei as bandeiras mais chinfrins, irrelevantes?
Jogarei meus sonhos numa fêmea descabida?
Aguardarei com ânsia meu suspiro derradeiro,
Num querer tão sem medidas, que o meu medo se suprima
E  me alegre este momento como amor correspondido?

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...