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sábado, 28 de março de 2020

PÁSSARO FERIDO

Sou pássaro solto das asas feridas,
viajante sem norte, que vaga, que caminha a esmo
na noite deserta, sem sons e sem prata.
Às vezes poema ao ouvido da amada,
o sangue fervente nas veias pulsantes,
pequeno festejo em areias praianas,
mas grito abafado cortando as entranhas,
o fosco das tardes nubladas, quietas,
a estátua postada no banco da praça,
à espera do nada, do nada, não mais.




Diga que aguarda sequiosa a chegada minha à sua casa,
E eu lhe farei os poemas mais emocionados e bonitos que consiga porventura:
Escreverei os versos que denotem o mais infinito e absoluto enlevamento.
Traduzirei com perfeição os sentimentos que em meu peito batem como um turbilhão
E me farei o seu poeta, devotado e tão zeloso como o trovador  a dar o próprio sangue pala [amada:
Serei o exaltado cantador, o arauto a anunciar aos quatro cantos a paixão que me arrebata.
Serei leve e delicado, sutil qual sons de flauta ou plácido regato cristalino
Nos afagos e palavras que reservo para a hora extasiante de encontrá-la.

2013

VERSOS À TUA NUDEZ

Tua nudez é coisa linda
como a fauna e como a flora,
como campos coloridos,
como orgasmo, amor, paixão.

Tua nudez enfeitiçante
inquieta meus instintos,
me incandesce, me fogueia...
Ah, que nádegas perfeitas!
São poema de volúpia,
tão viçosas, juvenis!

Ah, desejo de tocar-te,
te lamber o corpo inteiro,
te adentrar as cavidades
com meu falo teso e quente!

Fazer ode às tuas formas,
ao teu rosto, à tua pele,
aos teus lábios e olhos vivos,
num poema de luxúria,
fogo em forma de canção.

ÓDIO DO AMOR

Toda noite eu tento escrever estrofes belas.
E me enveneno do sentimento mau por ti
Numa tentativa tão vã de de sufocar minha paixão.
Toda noite eu durmo na esperança de não despertar.

Toda manhã me desejo recluir e ficar do mundo bem distante
E fazer do meu quarto um mundo meu, impenetrável .
Toda tarde eu quero nada além que o tempo voe
E tu me sumas da memória qual neblina fugidia.

Ah, bem sei que  no futuro não serás mais que a memória
Vaga e simples de uma coisa chã, pequena, inexpressiva
Que me fará sentir tão tolo pela dor que hoje me mata.

2013

A MORENA QUE PASSA

Quando a morena caminha na rua de terra,
cabelos pretinhos aos ombros marrons,
dá uma vontade tão grande d'agente cantar.

Quando o decote da bela desponta ao crepúsculo
de ceú vermelhinho, cigarra a cantar,
dá uma vontade danada d'a gente pecar.

Quando ela baixa a cabeça, olhando pro chão,
parece tão triste, tão frágil, suave
d'a gente a querer proteger e guardar.

Quando essa moça se afasta, se perde no longe,
deixa no peito da gente uma certa saudade,
como viesse e dissesse: "só volto amanhã."

quinta-feira, 26 de março de 2020

A SEDUTORA


Essa bela é sedutora,
tem os olhos de langor,
mas por quantos seus olhares
se derretem de desejo?

Essa bela tem a voz
delicada de uma musa,
mas por quantos cantarola
mil cantigas de paixão?

Essa bela tem os passos
leves, brandos de gazela,
mas com quantos ela dança
os seus ritmos febris?

Seu semblante é tão angélico,
me consome em comoção, 
mas por quantos ela reza
suplicantes orações?

Essa moça  faz poemas
de um lirismo sem igual,
mas pra quantos ela escreve
seus mais lindos madrigais?

NÃO POR ELA

Que te encharques de aguardente
e desmaies nas bodegas, 
mas não seja então por ela,
a quem músicos mambembes
negam mesmo duas notas.

Que pranteies cachoeiras
e te afogues em teus prantos,
mas não seja então por ela,
que sequer merece gota
de suor ou de coriza.

Que te atires de uma torre,
te espatifes na calçada,
mas não seja então por ela,
por quem nem os indigentes 
se dariam mordiscadas.

Que te sintas desgraçado,
que te arrastes pela vida,
mas não seja então por ela,
tão sem viço e tão pequena,
parecendo inexistente.

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...