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quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O MEDO

 O medo envolveu-me de súbito,

E não me consegui libertar.

Falei: "Arreda-te já 

E volta pro fundo das trevas,

Pro inferno de onde vieste!"

Ao que ele me respondeu: 

"Não venho de canto algum

Nem mesmo surgi do nada:

Não lembras que te sou um pedaço

E moro dentro de ti?"

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

A ARTE

 A Arte é linda como um campo a se adornar de flores várias.

A arte é linda como nudez e como amar em delírio inominável.

A Arte é comovente assim como paixão que traz luz e canto à alma

Ou como simples beijo enternecido de mãe no seu do bebê.



A Arte é santa e doce como cães pueris a nos pedir afagos.

A Arte é elevada e grandiosa como os gestos mais prosaicos,

Quando as almas se purificam e se emprenham de pleno amor.



A Arte é linda como cascatas, como florestas, qual aves muitas em revoadas.

A Arte é sagrada quase qual mares, luares, serras, cerrados, onças, jacus, bujios, antas,  [harpias, os animais.

É majestosa, miraculosa, encantadora e até parece a própria inefável Mãe-Natureza.



O ponto comum e de encontro entre a Arte, o Amor e a Natureza é o Magnífico.



DORMIR

 Já notei seus olhos brandos,

Suplicantes, me chamando:

Vou deitar em nossa cama,

Vou dormir em sua paz.

sábado, 12 de agosto de 2023

A MULHER DESNUDA

 A nudez da mulher é tão linda!

Relevos sublimes ante olhos sedentos,

Rosa se abrindo em pétalas róseas,

Em pétalas rubras ou pétalas púrpuras.

As grotas tão mornas de pura magia,

Caminhos ardentes ao Sétimo Céu.


A mulher desnuda, poesia divina,

Estendida no leito, é linda qual rio

Em campos celestes ornados de cores

Ao canto sublime das vozes de arcanjos.


A mulher despida, cantiga lasciva

Tão cheia de vida, de luz e pulsar.

A mulher que se despe é uma diva que pousa

Na cama suave e a converte num céu.


sábado, 29 de julho de 2023

O IMPÉRIO DO DIABO

 Não sonharei jamais um mundo melhor

Nem nutrirei no velho peito a menor ilusão,

Se as criaturas nada importam se equiparadas ao capital, 

Se o poder, a guerra e o triunfo nas batalhas

Revelam a alma dos homens de forma bem cristalina...


Se os animais sublimes que vemos nos campos

São sempre mortos com crueldade satânica:

Não há beleza alguma nos campos.

Se cada pessoa é solitária ao extremo,

E as cidades, inchadas de gente, são simplesmente desertas.

Se os amores são calculados e tão pragmáticos,

E dos casamentos, então... melhor nem falar.


Se mãos humanas bestiais, tão imundas,

Dão vida a ainda mais cataclismos:

Vendavais, calores, secas, inundações.

Se a ignorância é mensageira e bastião dos malignos

Que semeiam pobreza, miséria, a fome e o caos...

Se a natureza agoniza, encolhida, estuprada

Pela ganância dos vis magnatas.


Cada humano abriga na alma um demônio

--São demônios dos mais variados tamanhos--,

E eu, às vezes, me desolo bem fundo,

Enquanto luto por conter meu diabo

E me furto a mensurar-lhe as dimensões.

sábado, 27 de maio de 2023

MELANCOLIA III


 Se a tristeza me tocou, tão inclemente,

Como dedasse uma ferida viva em sangue

Bem no meio do mais fundo do meu coração...

Se mergulhei no passado mais distante

E lamentei o que foi e aconteceu

Além de tudo o que não houve ou ocorreu...

Se tanto andei dentro de casa como autômato

E me sentei, deitei, silente como um quadro estático

E tão parado como olhar que fita o longe tão somente...

Se me fiz mudo, quedo, quedo com estátua

Em beco escuro, deserto e enegrecido pelo tempo

E não quis sair pelas tão tristes ruas da cidade...

É que nada, nada pode ter razão alguma,

É que a alma em mim se encheu de sombras

E de um canto triste, melancólico, inaudível, 

E pisei no nada, e adentrei o nada, e o nada é dentro deste apartamento

Que dá vista a tudo o que não há, não é, que não existe,

Não se vê, não se encontra nem vislumbra, não se encontra simplesmente.

sábado, 25 de março de 2023

INSPIRAÇÃO

 Hoje acordei com a alma à flor da pele:

Quero sair versejando pelas ruas,

Cantarolando mil  poemas delicados

Qual porcelana,  como pétalas e pássaros

Ou como olhar enamorado de mulher.


Vou contemplar embevecido pelas ruas

Cada cachorro extasiado em pulos vários

E cada gato em seus gestos graciosos.

Irei mirar com olhos comovidos de poeta 

Cada casa singela e seu jardim.


Vou dar-me a ouvir sons de viola e de piano,

Dizer os versos mais bonitos que conheço,

Como se orasse numa fé religiosa,

E me abraçar tão docemente à minha paz.





A REVOLUÇÃO DOS ARTISTAS

  Se não existe em definitivo a justiça dos homens Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar, Pois que venham então de todos os lados Mu...