Na manhã fria, o sol clareou e aqueceu as ruas, a casa e o meu corpo, mas não minha alma fatigada e estendida num porão úmido, escuro e lúgubre.
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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domingo, 14 de julho de 2024
domingo, 30 de junho de 2024
QUE SUMA O PASTOR!
Que suma daqui o pastor que finge
Querer pregar apócrifos ensinamentos
De um deus apócrifo igualmente
E inventado pelos judeus da Antiguidade.
BESTAS FEUDAIS
Se Tupã, morto e enterrado há mais de três decênios,
Caiu no mais completo, absoluto esquecimento,
Os deuses das matas foram todos covardemente incinerados
Por senhores feudais gananciosos, sem pudor,
Que roubam , incendeiam selvas, campos e cerrados
E os animais, sem nenhuma, a menor das compaixões.
São invernos tórridos como verões em fúria,
Inundações trazendo o caos e mortes sobre mortes,
Como as secas a trazer a dor, desolação.
Para enriquecerem de maneira torpe e descabida,
Essas bestas condenam cidades, natureza, criaturas
Aos infernos e ao sofrer mais cruel, descomunal.
domingo, 23 de junho de 2024
PARTE!
Nunca vi falar de amor teus olhos.
Não digas, não, ternuras que não venham do fundo do teu peito.
Não olhes, não, pela janela,
Se a vida, sambando pelas ruas,
Não te venha de algum modo arrebatar.
Não chores, não, por favor, se não for por sentimento.
Não fiques, não: parte, vai embora pra bem longe,
Bem distante dos meus olhos, mais ainda do meu peito,
Como se jamais nascera ou jamais eu te avistara.
Parte tão somente , e minh'alma n'algum ponto
Dessa estrada dos meus dias
Irá, tenho certeza, se acender mais uma vez.
É NOITE
É noite... é noite... É noite, é profunda madrugada.
É noite...
O violeiro que tocava arredou-se pra bem longe,
A mulher bonita retirou-se da janela,
O sol dourado escondeu-se no infinito,
As ruas todas se fizeram cemitérios
E a cidade emudeceu como uma estátua,
E o mundo inteiro se fez silente e escuro.
È noite... é noite...
È noite sem faróis, luar , estrelas,
Imersa em seu inverno e no seu breu.
MEU PASTOR II
(Este poema crítico e sarcástico não é para os pastores verdadeiros e honestos, mas para aqueles patifes de extrema-direita que já se consolidaram como salafrários rufiões da fé)
Meu pastor quem me salvou,
Meu pastor quem me apontou
O caminho da virtude,
Um atalho pra Jesus
E a receita de ir pro Céu.
Meu pastor me batizou,
Meu pastor me mergulhou
Na piscina lá da igreja
E depois numa aventura
Fascistoide como o quê.
Meu pastor me batizou,
Meu pastor me mergulhou
Numa injusta saia-justa
Porque dei calote grande,
Para a igreja empanturrar.
A FADA VIROU BRUXA
Nossa, a fada virou bruxa!
Nossa, a fada virou bruxa!
Fora outrora minha musa,
Me deixou batom na blusa,
Mas agora a fada é bruxa,
Nossa, agora a fada é bruxa!
Ai, a fada era tão linda
Na figura e dentro d'alma!
A alma bela que ela tinha,
Campos verdes floreados,
Hoje é pedra, barro e pó.
Ai, agora a fada é foda!
Ai, eu brocho pr'essa bruxa!
--Poetastro desbocado!--
Porque agora a fada é bruxa
Com verrugas no nariz.
Infeliz metamorfose:
Ai, agora a fada é bruxa
Com vassoura voadora,
Com maldade e caldeirão.
RECANTO
E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...
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Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
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E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...
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Quero te fazer um poema co’a delicadeza de quem toca harpa, Co’a mansidão de quem dedilha violão. Quero versejar para ti assim como quem t...