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domingo, 14 de julho de 2024

O PORÃO

 Na manhã fria, o sol clareou e aqueceu as ruas, a casa e o meu corpo, mas não minha alma  fatigada e estendida num porão úmido, escuro e lúgubre.

domingo, 30 de junho de 2024

QUE SUMA O PASTOR!

 Que suma daqui o pastor que finge 

Querer pregar apócrifos ensinamentos

De um deus apócrifo igualmente

E inventado pelos judeus da Antiguidade.

BESTAS FEUDAIS

 Se Tupã, morto e enterrado há mais de três decênios,

Caiu no mais completo, absoluto esquecimento,

Os deuses das matas foram todos covardemente incinerados

Por senhores feudais gananciosos, sem pudor,

Que roubam , incendeiam selvas, campos e cerrados

E os animais, sem nenhuma,  a menor das compaixões.



São invernos tórridos como verões em fúria,

Inundações trazendo o caos e mortes sobre mortes,

Como as secas a trazer a dor, desolação.

Para enriquecerem de maneira torpe e descabida,

Essas bestas condenam cidades, natureza, criaturas

Aos infernos e ao sofrer mais cruel, descomunal.

domingo, 23 de junho de 2024

PARTE!

 Nunca vi falar de amor teus olhos.

Não digas, não, ternuras que não venham do fundo do teu peito.

Não olhes, não, pela janela,

Se a vida, sambando pelas ruas,

Não te venha de algum modo  arrebatar.


Não chores, não, por favor, se não for por sentimento.

Não fiques, não: parte, vai embora pra bem longe,

Bem distante dos meus olhos, mais ainda do meu peito,

Como se jamais nascera ou jamais eu te avistara.

Parte tão somente , e minh'alma n'algum ponto

Dessa estrada dos meus dias

Irá, tenho certeza, se acender mais uma vez.


É NOITE

É noite... é noite... É noite, é profunda madrugada.

É noite...

O violeiro que  tocava arredou-se pra bem longe,

A mulher bonita retirou-se da janela,

O sol dourado escondeu-se no infinito,

As ruas todas se fizeram cemitérios

E a cidade emudeceu como uma estátua,

E o mundo inteiro se fez silente e escuro.

È noite... é noite...

È noite sem faróis, luar , estrelas,

Imersa em seu inverno e no seu breu.



 

MEU PASTOR II

 (Este poema crítico e sarcástico não é para os pastores verdadeiros e honestos, mas para aqueles patifes de extrema-direita que já se consolidaram como salafrários rufiões da fé)


Meu pastor quem me salvou,

Meu pastor quem me apontou

O caminho da virtude,

Um atalho pra Jesus

E a receita de ir pro Céu.


Meu pastor me batizou,

Meu pastor me mergulhou

Na piscina lá da igreja

E depois numa aventura

Fascistoide como o quê.


Meu pastor me batizou,

Meu pastor me mergulhou

Numa injusta saia-justa

Porque dei calote grande,

Para a igreja empanturrar.


A FADA VIROU BRUXA

 Nossa, a fada virou bruxa!

Nossa, a fada virou bruxa!

Fora outrora minha musa,

Me deixou batom na blusa,

Mas agora a fada é bruxa,

Nossa, agora a fada é bruxa!



Ai, a fada era tão linda

Na figura e dentro d'alma!

A alma bela que ela tinha,

Campos verdes floreados,

Hoje é pedra, barro e pó.



Ai, agora a fada é foda!

Ai, eu brocho pr'essa bruxa!

--Poetastro desbocado!--

Porque agora a fada é bruxa

Com verrugas no nariz.

Infeliz metamorfose:

Ai, agora a fada é bruxa

Com vassoura voadora, 

Com maldade e caldeirão.



RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...