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domingo, 14 de setembro de 2025

POESIA DO MOMENTO DE VOLÚPIA

 Não senti, não, no meu peito

O tocar angelical

Que enfeitiça o enamorado,

Mas te irei sorver a língua

Na agonia dos sedentos,

Provarei da tua pele

Como quem lambe ambrosia,

Sentirei, extasiado,

O calor dessas entranhas,

Fruirei teu corpo quente

Como quem degusta manga,

Sorve a polpa, a água da pera

E assim fica a se aprazer.


Sentirei dentro de ti

O aconchego delirante,

A agonia extasiante,

O regalo que enlouquece

E se expande corpo inteiro

E que irá lotar a casa,

Vazará pelas janelas,

Pelo espaço sideral.


Serei teu inteiramente,

Serei teu sofregamente,

Serei teu como criança

Aninhada no teu ventre.

Mas me deixa a porta aberta

Pr'eu depois ir pelas ruas

E seguir o meu caminho

Sem nos darmos nossas mãos.




domingo, 24 de agosto de 2025

AS CADELINHAS E EU

 É manhã e dois anjos em forma de cadela sobem em minha cama e se deitam. Sinto uma paz e uma felicidade infinita e quase indescritível, e ficamos os três, irmãos por filhos da Terra, amor e sintonia de almas, refestelados em nosso céu.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

A FADA DA FAVELA


Lembro qual fora agora:

luz amarela e fraca,

a deusa aberta em flor,

a rosa ardendo em chama

Num gueto do Brasil.


Seus olhos suplicantes,

tão cheios de pecado,

sussurros de luxúria,

as juras mais bonitas

na casa desbotada.


Ainda na memória

eu tenho os estampidos,

um samba mal cantado,

a nossa noite bela

e o medo após o amor.


Sumiu no mundo a linda,

a fada da favela.

Que coisas hoje vive?

Suplico que inda viva. 

Meu verso ela calou.




sábado, 29 de março de 2025

A TRISTEZA E A ALEGRIA

 A tristeza é prisão, é calabouço, é clausura, é escuridão no estreito túnel, é como amarras, é lassidão.

A alegria é claridade, é liberdade, é voar,  braços abertos para o mundo, e o regalo de sentir no rosto e peito a brisa fresca,  colorida e musical. 

UNICIDADE COM A NATUREZA

  Amo a Natureza e com ela me sinto uno como se nas plantas tocasse as pontas dos dedos e nas plantas sentisse os elementos corporais que tenho em mim, assim como se apalpasse a mim mesmo. Amo os animais como se fora deles uma simples extensão.  Eu, animais, vegetais, um corpo único, uma só alma numa harmonia e comunhão absoluta.

Não sou, porém, uno com os homens que  destroem, que incendeiam e que matam plantas, bichos, porque esses satanases abomináveis se comprazem de um modo incompreensível em matar, queimar e destruir.  Sou feito da mesma matéria daqueles que respeitam a vida.  Dos bestiais destruidores me recuso teimosamente a ser irmão.

LAMBARI, UMA TELA DE CINEMA

 Se um dia eu voltar a Lambari, sentirei fundamente a ausência daqueles que em minha juventude comigo para lá viajavam  do Rio de Janeiro e, como alguns que ali moravam, já não vivem mais.  Sua lembrança irá me ferir sob a forma de tristeza e nostalgia, e essa tristeza será como um fantasma ubíquo a me surgir nos cantos todos do solar e nos umbrais que irei atravessar.  A casa aos meus olhos será lúgubre e sombria, com a umidade, o mofo e o escuro das masmorras e dos casarões abandonados.

Encontrarei toda a cidade transfigurada totalmente, sem a poesia que outrora me acolhia, e, entre as pessoas, não haverá ninguém que eu haja conhecido. Perceberei, então, que os laços que me uniram à cidade se terão evaporado como o éter a se desintegrar no ar.  Porque não será a Lambari que conheci e que tinha alguma inocência e um charmoso romantismo.  

Contemplarei as ruas sem encontrar entre nós nenhuma identidade, e caminharei a esmo não como estando por ali, mas qual alguém que anda a olhar uma tela de cinema, sem no cenário poder entrar jamais

quinta-feira, 27 de março de 2025

A CIDADE

 Vou-me embora pr'um lugar belo e distante

Que me inspire redondilhas, madrigais,

Onde as matas, veneradas como deusas,

Sejam templos majestosos, divinais.


Vou-me embora pr'um lugar onde os bichinhos,

Muito amados como os anjos que bem são,

Não vagueiem pelas ruas e sarjetas,

Vivam qual num merecido paraíso.


Vou-me embora pr'um lugar sem mendicância,

Onde a fome nem sequer tente chegar;

Onde amantes sejam livres das ganâncias

E não queiram mais que afeto e que se dar.


Onde brinquem, felizes as crianças, 

Onde, soltos, me cantem rouxinóis;

De onde fique tão longínqua a hipocrisia,

Que não saiba lá chegar de modo algum.


Se o lugar não existir aqui na terra,

Vou a Marte ou Vênus para achá-lo.

Se, inda assim, não encontrar essa cidade,

Vou erguê-la em minha mente pra morar.


RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...