Um pardal bebia água numa poça
E voou em fuga assim que me avistou:
Optou pela sede por me ver como ameaça.
Na natureza criaturas matam outras criaturas
Por fome ou território, por querer sobreviver...
Os homens, assassinos por instinto,
Precisam se proteger dos homens todo o tempo.
Todo ser precisa estar em alerta permanente,
Quer contra outros seres, acidentes ou turbulências naturais.
Há seres que sofrem física ou moralmente
Durante a maior parte da própria existência.
Seria então a morte a única paz possível?
Seria a vida então o próprio inferno?
Seria a existência, assim, ao invés de dádiva, o castigo mais cruel?
II
Uma suposta vida imaterial também teria percalços e martírios:
Então a paz, a tão almejada paz,
Seria o não-existir exatamente?
2011
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
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