Se você quiser,
tenho um texto cru de descrença e tédio
embebido da monotonia e mesmice dos dias
e das vivências que não dão espaço à ilusão.
Se você quiser,
tenho versos sem lira e sem dança,
mas pejados de enfado e cansaço,
do fastio de andar pelos dias.
Se você quiser,
trago um verbo tão farto de tudo,
da certeza que nada no mundo
possa haver de novo ou diverso.
Se você quiser,
tenho algo que traduz um desejo
de ficar a olhar para o nada
e deixar apenas o tempo passar.
Se então não quiser,
busque um vento de falsa esperança
e embarque na colorida utopia,
ignorando meu discurso cinzento.
2010
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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sábado, 22 de maio de 2010
segunda-feira, 17 de maio de 2010
UNO COM O COSMO
Quando a noite se aprofunda e os seus sons vêm levemente
como poesias murmuradas à minh'alma asserenada,
eu me sinto tão volátil, tão etéreo, sem pecado,
tão envolto e tão parte de um poema transcendente e tão bonito
que chegasse de lugares tão sublimes de distância imensurável...
Eu me sinto assim qual se um cordão de encanto e sem tamanho
me ligasse aos longes pontos do infinito inexplicável
e, mais que anjo, mais que o favorito entre os serafins,
fosse, sim, parte de um Deus composto inteiro de pureza e de lirismo.
Eu, nesta harmonia, no Nirvana, a colher e destilar as mais tocantes emoções.
2010
Revisto e modificado em 2012
Reintitulado em 2013
como poesias murmuradas à minh'alma asserenada,
eu me sinto tão volátil, tão etéreo, sem pecado,
tão envolto e tão parte de um poema transcendente e tão bonito
que chegasse de lugares tão sublimes de distância imensurável...
Eu me sinto assim qual se um cordão de encanto e sem tamanho
me ligasse aos longes pontos do infinito inexplicável
e, mais que anjo, mais que o favorito entre os serafins,
fosse, sim, parte de um Deus composto inteiro de pureza e de lirismo.
Eu, nesta harmonia, no Nirvana, a colher e destilar as mais tocantes emoções.
2010
Revisto e modificado em 2012
Reintitulado em 2013
domingo, 9 de maio de 2010
MATURIDADE
Já senti o júbilo dos triunfantes, dos sortudos.
Já amei com a intensidade dos sóis de verão.
Já odiei com a força dos ventos mais devastadores.
Já me desolei no desânimo dos exércitos vencidos.
Já morri tantas vezes e já ressuscitei tantas outras,
Algumas como fênix a renascer subitamente das cinzas,
Outras, lentamente como a formação da vida num planeta.
Já vi o fundo da alma humana e tudo o que nela habita.
Já senti o desencanto como punhalada em minha carne,
Mas, hoje, os meus olhos vêem tudo como é.
Não é possível viver sem amar, e amar é risco de dor,
Mas hoje quero a paz das brisas e campos mais serenos,
Só lamber da vida o sumo doce e paladares mais suaves,
Da maturidade fazer dias de sossego, amor e de delícias.
2010
Já amei com a intensidade dos sóis de verão.
Já odiei com a força dos ventos mais devastadores.
Já me desolei no desânimo dos exércitos vencidos.
Já morri tantas vezes e já ressuscitei tantas outras,
Algumas como fênix a renascer subitamente das cinzas,
Outras, lentamente como a formação da vida num planeta.
Já vi o fundo da alma humana e tudo o que nela habita.
Já senti o desencanto como punhalada em minha carne,
Mas, hoje, os meus olhos vêem tudo como é.
Não é possível viver sem amar, e amar é risco de dor,
Mas hoje quero a paz das brisas e campos mais serenos,
Só lamber da vida o sumo doce e paladares mais suaves,
Da maturidade fazer dias de sossego, amor e de delícias.
2010
VIDA DE AMANTES
Quero manhãs frescas de sol manso
E o orvalho enfeitando o seu jardim,
Quero na brisa o cheiro das sementes
E dos arbustos que ataviam seu quintal.
Quero uma rua de terra pra pisar
E passarinhos gorjeando em meu caminho,
Um violeiro a tocar n'alguma esquina
Canções bonitas de o meu peito trepidar.
Quero a esperança brotada nos seus olhos,
Contagiando minha alma, meu olhar.
Queira a mim como se eu fosse a poesia
Da lua a adentrar pela janela.
Quero sua pele de seda em minhas noites
E a penumbra a iluminar nosso delírio,
Palavras doces traduzindo os sentimentos
Mais intensos e mais fundos de nós dois.
2010
E o orvalho enfeitando o seu jardim,
Quero na brisa o cheiro das sementes
E dos arbustos que ataviam seu quintal.
Quero uma rua de terra pra pisar
E passarinhos gorjeando em meu caminho,
Um violeiro a tocar n'alguma esquina
Canções bonitas de o meu peito trepidar.
Quero a esperança brotada nos seus olhos,
Contagiando minha alma, meu olhar.
Queira a mim como se eu fosse a poesia
Da lua a adentrar pela janela.
Quero sua pele de seda em minhas noites
E a penumbra a iluminar nosso delírio,
Palavras doces traduzindo os sentimentos
Mais intensos e mais fundos de nós dois.
2010
sábado, 8 de maio de 2010
DESOLAÇÃO DIVINA
E a idolatria dos homens por Alexandre e Napoleão e seus impérios malditos
erguidos sobre chacinas, carnificinas, estupros e iniquidades inimagináveis?
E a idolatria dos humanos pelos poderosos sem sentimentos
e despidos de moral, compaixão e o menor dos princípios de bondade?
E os louvores aos vencedores e aos competentes, sem pensar no infortúnio e dor dos mais fracos?
E o gozo de enfiar um anzol num peixe por mero capricho e vaidade?
E o desrespeito torturante e mortal às outras espécies, numa indiferença perversa,
Numa convicção de ser o planeta um mero usufruto?
E o desrespeito mesmo à integridade moral e física da própria espécie,
com atos de negligência, com atos de crueldade, atos de vandalismo?
Se Deus existe, deve estar desolado, balançando a cabeça
e se perguntando por que ao homem criou.
2010
erguidos sobre chacinas, carnificinas, estupros e iniquidades inimagináveis?
E a idolatria dos humanos pelos poderosos sem sentimentos
e despidos de moral, compaixão e o menor dos princípios de bondade?
E os louvores aos vencedores e aos competentes, sem pensar no infortúnio e dor dos mais fracos?
E o gozo de enfiar um anzol num peixe por mero capricho e vaidade?
E o desrespeito torturante e mortal às outras espécies, numa indiferença perversa,
Numa convicção de ser o planeta um mero usufruto?
E o desrespeito mesmo à integridade moral e física da própria espécie,
com atos de negligência, com atos de crueldade, atos de vandalismo?
Se Deus existe, deve estar desolado, balançando a cabeça
e se perguntando por que ao homem criou.
2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
DANIELLE
Quando a noite silencia e se aquieta
E do fundo da noite a poesia
Vem tocar os sentimentos dos poetas,
Danielle sonha sonhos tão bonitos:
São quimeras de menina enamorada.
Fecha os olhos, tão ardente de desejos,
Fantasias fogueadas de mulher.
Quando sonha amor, entrega, enlevamento,
Esperanças embelezam seu momento,
Orbitando as ilusões dos vinte anos
E os anseios dessa fêmea tão sedenta.
Quando enfim adormece essa menina,
Mais parece o seu quarto um céu pequeno,
Porque a paz, aconchegante, vela o sono
Dessa moça que inda sabe e quer sonhar.
2010
E do fundo da noite a poesia
Vem tocar os sentimentos dos poetas,
Danielle sonha sonhos tão bonitos:
São quimeras de menina enamorada.
Fecha os olhos, tão ardente de desejos,
Fantasias fogueadas de mulher.
Quando sonha amor, entrega, enlevamento,
Esperanças embelezam seu momento,
Orbitando as ilusões dos vinte anos
E os anseios dessa fêmea tão sedenta.
Quando enfim adormece essa menina,
Mais parece o seu quarto um céu pequeno,
Porque a paz, aconchegante, vela o sono
Dessa moça que inda sabe e quer sonhar.
2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
ALMA INERTE
A voz que cantava se calou.
A pena que versejava ressecou.
O sol que brilhava se apagou.
Acho que morri mais uma vez,
Ou então minh'alma num coma se afundou.
Minh'alma, que não ri, que não pranteia,
Desacordada, esborrachada no chão duro de granito.
Minh'alma, tão silente, tão exangue e tão inerte...
Acho que minha luz se apagou.
Acho que minha alma se matou.
2010
Revisto e modificado em 2017
A pena que versejava ressecou.
O sol que brilhava se apagou.
Acho que morri mais uma vez,
Ou então minh'alma num coma se afundou.
Minh'alma, que não ri, que não pranteia,
Desacordada, esborrachada no chão duro de granito.
Minh'alma, tão silente, tão exangue e tão inerte...
Acho que minha luz se apagou.
Acho que minha alma se matou.
2010
Revisto e modificado em 2017
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