Serenata,
o canto
suave
em lamento,
em súplica.
Violão,
acordes
cortantes,
a música,
a voz...
O canto
pedinte,
os sons,
a noite,
a música,
as cordas...
as cordas...!
Acordas
e vês
que tudo foi sonho,
apenas um sonho,
não mais do que um sonho,
mulher tão sozinha...
Debalde
tu tentas
dormir novamente,
viver noutro sonho
a tal serenata
que nunca existiu,
a tal esperança
que sob a janela
jamais te cantou.
2009
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
Pesquisar este blog
quinta-feira, 9 de abril de 2009
CANTA
Canta vibrantemente como guerreiro enfurecido.
Solta a voz com toda a força da alma intensa, ensandecida,
Espalhando milhões de emoções ardentes pelo ar.
Canta, minha cantora... canta com a gana de quem ama,
De quem goza, quem odeia, de quem sofre enormemente.
Canta lindamente como um coral de passarinhos
Num iluminado, colorido, ensolarado amanhecer.
Canta, minha cantora, e me leva em tua voz
A todos os sentimentos que brotarem do teu peito fogueado,
Numa viagem encantada e banhada em delírio
[ e poesia.
2009
Solta a voz com toda a força da alma intensa, ensandecida,
Espalhando milhões de emoções ardentes pelo ar.
Canta, minha cantora... canta com a gana de quem ama,
De quem goza, quem odeia, de quem sofre enormemente.
Canta lindamente como um coral de passarinhos
Num iluminado, colorido, ensolarado amanhecer.
Canta, minha cantora, e me leva em tua voz
A todos os sentimentos que brotarem do teu peito fogueado,
Numa viagem encantada e banhada em delírio
[ e poesia.
2009
terça-feira, 24 de março de 2009
E SE EU FOSSE...?
E se eu fosse o anjo lírico
Que, entre cantos delicados,
Te abraçasse avidamente,
Pra voarmos em quimeras...?
E se eu fosse o anjo louco
Que invadisse teu sobrado,
Te despisse nas escadas
E te amasse no jardim...?
E se eu fosse o aventureiro
Que roubasse-te de súbito,
Pra sairmos mundo afora
E sem dia de voltar...?
Tu então te entregarias?
Tu então te envolverias,
Sendo minha e tão só minha,
Minha assim como meus olhos?
2001
Que, entre cantos delicados,
Te abraçasse avidamente,
Pra voarmos em quimeras...?
E se eu fosse o anjo louco
Que invadisse teu sobrado,
Te despisse nas escadas
E te amasse no jardim...?
E se eu fosse o aventureiro
Que roubasse-te de súbito,
Pra sairmos mundo afora
E sem dia de voltar...?
Tu então te entregarias?
Tu então te envolverias,
Sendo minha e tão só minha,
Minha assim como meus olhos?
2001
A PAIXÃO
A paixão é o imensurável, insuperável, inequiparável êxtase;
É nas narinas o aroma do perfume que envolve, que arrebata, que inebria:
É na língua o gosto do mais sublime néctar,
No sexo o paladar do corpo da morena a fremir num fervor inqualificável.
A paixão é, por si só, o tudo: a chegada, a conquista,
O nada-além-almejar, o nada-além-desejar.
A paixão é delícia, é delírio, é orgasmo, apogeu.
É a beatitude maior, é o mais pecaminoso e mais delicado nirvana.
2006
É nas narinas o aroma do perfume que envolve, que arrebata, que inebria:
É na língua o gosto do mais sublime néctar,
No sexo o paladar do corpo da morena a fremir num fervor inqualificável.
A paixão é, por si só, o tudo: a chegada, a conquista,
O nada-além-almejar, o nada-além-desejar.
A paixão é delícia, é delírio, é orgasmo, apogeu.
É a beatitude maior, é o mais pecaminoso e mais delicado nirvana.
2006
NÃO QUEIRA AINDA A MORTE
Não, não queira ainda a morte:
Ainda existe entardecer,
E a cidade ainda é bonita de se ver.
Não, não queira ainda a morte:
De manhã algum pássaro ainda canta
E ainda nos resta alguma natureza.
Não, não queira ainda a morte;
Vez por outra algum olhar concupiscente
Ainda pousa nos seus olhos longamente.
Não, não queira ainda a morte:
Ainda há distâncias para viajar
E talvez algum caminho a seguir.
Não, não queira ainda a morte:
O além-horizonte pode ser lugar algo diverso,
Amanhã pode ser dia algo diverso,
Quem sabe?
- Embora eu muito duvide.
Não, não queira ainda a morte.
Ainda existe entardecer,
E a cidade ainda é bonita de se ver.
Não, não queira ainda a morte:
De manhã algum pássaro ainda canta
E ainda nos resta alguma natureza.
Não, não queira ainda a morte;
Vez por outra algum olhar concupiscente
Ainda pousa nos seus olhos longamente.
Não, não queira ainda a morte:
Ainda há distâncias para viajar
E talvez algum caminho a seguir.
Não, não queira ainda a morte:
O além-horizonte pode ser lugar algo diverso,
Amanhã pode ser dia algo diverso,
Quem sabe?
- Embora eu muito duvide.
Não, não queira ainda a morte.
SOLIDÃO
Não, solidão, não te consumas:
Já estou aqui de volta:
Tu és minha, sempre foste,
E eu sou teu eternamente.
Sou tão teu, tão teu completamente,
És tão minha, tão minha inteiramente,
Que a aflição, temor, desassossego
Das paixões a mim sempre trouxeram
Uma saudade de ti tão sem tamanho.
Sim, solidão, sei que és muda e sei que és gélida,
Mas sei também que em ti há paz,
Que há sossego, sem receio, apreensão
Que tampouco existe algum espaço
Para o medo da cruel desilusão.
Sim, solidão, estou eu aqui de volta
Como tu, calado e sozinho nesta casa.
Já maduro, sem enganos, sem quimeras.
Tão sisudo e tão silente como tu,
Mas feliz de certo modo pela paz que tu me trazes.
Eu, sombrio, mas vivendo sossegado,
Eu, tão triste, mas a salvo de ilusões
E sem risco de um tamanho desencanto
Vir ferir-me mortalmente cruel e mortalmente.
Eu, feliz de certo modo por estar
Retornado ao nosso eterno casamento.
II
Toda vez em que uma amada distante parecia,
Te sentia tão por perto e muito minha.
Toda vez em que uma jura insincera me soava,
A tua voz, tão verdadeira, eu sempre ouvia.
Quando um caso de amor tristemente se acabava,
Eras tu, braços abertos, que acolhias
Minha dor nesse teu peito tão gelado.
Aqui estou, solidão, enfim de volta,
Para nunca, solidão, te abandonar.
2005
revisto e modificado em 2012
Já estou aqui de volta:
Tu és minha, sempre foste,
E eu sou teu eternamente.
Sou tão teu, tão teu completamente,
És tão minha, tão minha inteiramente,
Que a aflição, temor, desassossego
Das paixões a mim sempre trouxeram
Uma saudade de ti tão sem tamanho.
Sim, solidão, sei que és muda e sei que és gélida,
Mas sei também que em ti há paz,
Que há sossego, sem receio, apreensão
Que tampouco existe algum espaço
Para o medo da cruel desilusão.
Sim, solidão, estou eu aqui de volta
Como tu, calado e sozinho nesta casa.
Já maduro, sem enganos, sem quimeras.
Tão sisudo e tão silente como tu,
Mas feliz de certo modo pela paz que tu me trazes.
Eu, sombrio, mas vivendo sossegado,
Eu, tão triste, mas a salvo de ilusões
E sem risco de um tamanho desencanto
Vir ferir-me mortalmente cruel e mortalmente.
Eu, feliz de certo modo por estar
Retornado ao nosso eterno casamento.
II
Toda vez em que uma amada distante parecia,
Te sentia tão por perto e muito minha.
Toda vez em que uma jura insincera me soava,
A tua voz, tão verdadeira, eu sempre ouvia.
Quando um caso de amor tristemente se acabava,
Eras tu, braços abertos, que acolhias
Minha dor nesse teu peito tão gelado.
Aqui estou, solidão, enfim de volta,
Para nunca, solidão, te abandonar.
2005
revisto e modificado em 2012
ABRIR AS JANELAS
Eu quero abrir minha janela em música,
eu quero abrir minha janela para lançar música no ar
e transbordar a casa da claridade da manhã.
Eu quero me lançar sobre a vida e o luzir do dia,
com a alegria de ave a deixar o cativeiro,
com a paz de anjo a planar no firmamento,
com o deleite de quem goza no corpo da mulher amada.
2003
eu quero abrir minha janela para lançar música no ar
e transbordar a casa da claridade da manhã.
Eu quero me lançar sobre a vida e o luzir do dia,
com a alegria de ave a deixar o cativeiro,
com a paz de anjo a planar no firmamento,
com o deleite de quem goza no corpo da mulher amada.
2003
Assinar:
Postagens (Atom)
RECANTO
E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...
-
Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
-
Quero te fazer um poema co’a delicadeza de quem toca harpa, Co’a mansidão de quem dedilha violão. Quero versejar para ti assim como quem t...
-
E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...