A saudade me corrói por dentro como um ácido
E me dói como lança furando a carne lentamente:
Vi morrer Snoopy, meu cachorro, que era um anjo
Com toda a pureza e sublimidade de um anjo verdadeiro.
E minha dor é inda mais cruel porque não creio
Que ele esteja n'algum mundo angelical ou diferente.
2013
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
VIVÊNCIAS
Com mais de cinquenta de idade,
Vivi poemas tão belos,
Trilhei caminhos confusos,
Vivi tempestades intensas,
Senti emoções tão malditas.
Em minhas andanças na vida,
Senti tantos gostos dos dias:
Provei das dores mais fundas,
Lambi de alegrias festivas,
Morri, renasci tantas vezes.
Nos mais de cinquenta no mundo,
Fitei longamente as pessoas:
Me fiz tão pobre de crenças.
Enchi-me de amor pelos bichos,
Me aflige o destino das matas.
Com tantos anos vividos,
Roído da ausência dos mortos,
Procuro por tantas respostas,
Ainda me vejo ignaro
Qual era nos tempos de infância.
2013
Vivi poemas tão belos,
Trilhei caminhos confusos,
Vivi tempestades intensas,
Senti emoções tão malditas.
Em minhas andanças na vida,
Senti tantos gostos dos dias:
Provei das dores mais fundas,
Lambi de alegrias festivas,
Morri, renasci tantas vezes.
Nos mais de cinquenta no mundo,
Fitei longamente as pessoas:
Me fiz tão pobre de crenças.
Enchi-me de amor pelos bichos,
Me aflige o destino das matas.
Com tantos anos vividos,
Roído da ausência dos mortos,
Procuro por tantas respostas,
Ainda me vejo ignaro
Qual era nos tempos de infância.
2013
EM QUE ESPELHO?
Ninguém conhece, minh'alma, tuas faces, teus detalhes,
Ninguém sabe, minha alma, como és precisamente.
Nem a mim é dado conhecer-te inteiramente.
Sendo asssim, dize então por fim em qual espelho
Posso ver a mim com perfeita nitidez.
2012
Ninguém sabe, minha alma, como és precisamente.
Nem a mim é dado conhecer-te inteiramente.
Sendo asssim, dize então por fim em qual espelho
Posso ver a mim com perfeita nitidez.
2012
QUIETA, ALMA!
Sossega, alma que incendeia tanto,
Que deseja,anseia e que tanto palpita,
Como fora um trovador enlouquecido,
Como um guerreiro totalmente enfurecido.
Quieta, alma que não tem limites!
Que se quer soltar pelo universo
E que almeja arder em tanto, tanto leito,
Se aprazer da embriaguez de Dionísio,
Copular com deusas, ninfas e valquírias,
Singrar os sete mares deste mundo,
Dançar um samba em frenesi mirabolante,
Viver a vida, a morte e mil prazeres
E se deixar embevecer das noites de luar.
Deita, alma, e te aquieta no teu leito,
Repousa e te contenta do que é doce
E é suave, não do vinho,
Que inebria e que te assanha em demasia
E faz que tu te firas tão profundo
E que percas tua paz tão preciosa.
2012
Que deseja,anseia e que tanto palpita,
Como fora um trovador enlouquecido,
Como um guerreiro totalmente enfurecido.
Quieta, alma que não tem limites!
Que se quer soltar pelo universo
E que almeja arder em tanto, tanto leito,
Se aprazer da embriaguez de Dionísio,
Copular com deusas, ninfas e valquírias,
Singrar os sete mares deste mundo,
Dançar um samba em frenesi mirabolante,
Viver a vida, a morte e mil prazeres
E se deixar embevecer das noites de luar.
Deita, alma, e te aquieta no teu leito,
Repousa e te contenta do que é doce
E é suave, não do vinho,
Que inebria e que te assanha em demasia
E faz que tu te firas tão profundo
E que percas tua paz tão preciosa.
2012
O CASAL
Aquele homem
Com olhos noturnos e opacos
E aqueles olhos
Tão cheios de aurora da moça
Que tinham a ver entre si?
Aquele rosto
Coberto de sombras do homem
E aquelas faces
Rosadas de vida da bela
Por que estavam diabos unidos?
A noite muda
E negra em garoa de inverno
E a primavera
Ornada de flores e sol
Que tinham, meu Deus, em comum?
A vida e a morte abraçadas,
A água e o fogo casados
Como podia? - me diga, meu Deus!
2013
AMOR MENDIGO
Ainda amo Janice,
Embora a danada me seja
Motivo de tanto chorar.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha traído
Com todo o bairro onde moro.
Ainda amo Janice,
Embora ela me destroce
O coração por inteiro.
Ainda amo Janice,
embora eu tenha amargado
Seis meses de cela por ela.
Ainda amo Janice,
Embora se ria sempre
Que alguém lhe fala meu nome.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha apontado
A porta da rua entre risos.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha secado
Os bolsos pra todo o sempre.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha o desprezo
Que só pelos vermes se tem.
Ainda amo Janice,
Embora esvazie por ela
Dois litros de cana por dia.
Ainda amo Janice
Com seu rosto inchado de álcool
E suas pernas arcadas.
Ainda amo Janice
E sonho co'a morte pra tê-la
Na outra vida após esta.
2013
Embora a danada me seja
Motivo de tanto chorar.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha traído
Com todo o bairro onde moro.
Ainda amo Janice,
Embora ela me destroce
O coração por inteiro.
Ainda amo Janice,
embora eu tenha amargado
Seis meses de cela por ela.
Ainda amo Janice,
Embora se ria sempre
Que alguém lhe fala meu nome.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha apontado
A porta da rua entre risos.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha secado
Os bolsos pra todo o sempre.
Ainda amo Janice,
Embora me tenha o desprezo
Que só pelos vermes se tem.
Ainda amo Janice,
Embora esvazie por ela
Dois litros de cana por dia.
Ainda amo Janice
Com seu rosto inchado de álcool
E suas pernas arcadas.
Ainda amo Janice
E sonho co'a morte pra tê-la
Na outra vida após esta.
2013
BELA
Debalde
Tento às vezes desenhar-te em poemas
De seda
Que me nascem do peito tão cálido,
Que brilham
Nos meus olhos alumbrados e ternos,
Tão plena
É minh'alma de emoções que palpitam,
Tão bela
Te vejo e bem és na verdade
Desnuda,
Estendida sobre a cama de ardores,
A sede
Estampada no rosto bonito
Qual versos
Mais lindos já vistos no mundo,
Gazela
Selvagem em busca do amor.
2013
Tento às vezes desenhar-te em poemas
De seda
Que me nascem do peito tão cálido,
Que brilham
Nos meus olhos alumbrados e ternos,
Tão plena
É minh'alma de emoções que palpitam,
Tão bela
Te vejo e bem és na verdade
Desnuda,
Estendida sobre a cama de ardores,
A sede
Estampada no rosto bonito
Qual versos
Mais lindos já vistos no mundo,
Gazela
Selvagem em busca do amor.
2013
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