Miro o espelho e avisto os acenos
da velhice que vem me chegando.
Vejo em ti que a juventude saltita
e parece contagiar o universo
da alegria do teu rosto travesso.
Eu te vejo menina e tão viva
e te amo com ternura infinita.
Mas faço que saias, te evadas
de um modo que é qual sorrateiro,
como eu fora morrer entre as águas
e te desse a jangada que salva,
pra poderes brincar pelos dias.
Ah, pousar nos joelhos meu rosto
e chorar convulsivo, abundante,
num afã de morrer brevemente...
Mas me calo, resigno, ciente que evito
um naufrágio adiante maior.
Amanhã serei sombra tão vaga, tão leve
de um sentir que tiveste tão pleno.
Mas jamais serei teu estorvo,
o teu tédio, a canseira, teu fardo.
Te amo, mas fico, silente, quieto:
te deixo, tão bela, tão minha, partir.
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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quarta-feira, 13 de julho de 2016
segunda-feira, 23 de maio de 2016
VEM, VIDA!
Vem, ah(!), vida em plenitude, me renasce,
Vem brotar do olhar mais doce da morena
Ou de um tempo claro e novo que amanheça.
Vem, me brilha como lua ou sóis, estrelas,
Vem dançar e saltitar aqui no peito.
Ai, não deixes que a tristeza me aquebrante
E arrefece toda dor que em mim lateja.
Vem pulsante qual meu peito, como as veias,
Vem vibrante como as tardes mais festivas,
Vem, me traze o canto, as cores da alegria
E me faze assim feliz qual renascesse.
Vem brotar do olhar mais doce da morena
Ou de um tempo claro e novo que amanheça.
Vem, me brilha como lua ou sóis, estrelas,
Vem dançar e saltitar aqui no peito.
Ai, não deixes que a tristeza me aquebrante
E arrefece toda dor que em mim lateja.
Vem pulsante qual meu peito, como as veias,
Vem vibrante como as tardes mais festivas,
Vem, me traze o canto, as cores da alegria
E me faze assim feliz qual renascesse.
sábado, 9 de abril de 2016
A MULHER MADURA
A mulher madura
que se decota,
que mostra o ventre,
que exibe as coxas,
que põe biquíni,
que se desnuda...
Ah, mas como ela é bela
nas suas formas já não mais tão perfeitas!
A mulher madura...
Ah, mas como acende
os meus instintos de macho
e os meus enlevos mais juvenis!
que se decota,
que mostra o ventre,
que exibe as coxas,
que põe biquíni,
que se desnuda...
Ah, mas como ela é bela
nas suas formas já não mais tão perfeitas!
A mulher madura...
Ah, mas como acende
os meus instintos de macho
e os meus enlevos mais juvenis!
domingo, 7 de fevereiro de 2016
O METAFÍSICO E A POESIA
Quando um homem se comove por um poema que lê ou música que escuta...
quando ainda o toca um filme, um conto, romance, peça, uma novela
ou ainda uma lembrança emocionante que assalte-lhe a memória...
quando a comoção lhe bole fundo, e ele se desnuda dos seus ódios e torpezas,
das maldades, das vilezas e pequenezas tão peculiares...
quando a emoção o faz humilde, inofensivo, terno, um ser purificado...
quando o arrebata um sentimento que o desvanece docemente...
é a poesia que opera o milagre que atribui-se aos santos e aos deuses improváveis
e lhe traz do fundo d'alma o anjo puro e emocionado que ele tem dentro de si.
E é a poesia o ponto onde se encontra esse anjo belo
co'as correntes mentais benignas do cosmo;
ou faz então que se juntem mentes encantadas igualmente.
Assim, enfim, caso haja o metafísico, a união benévola das ondas que há nas mentes
fará que vejamos que não há linha qualquer que o separe do que é físico,
e a poesia assim será um dos tantos reveladores elementos
que fará que enfim nós enxerguemos
que a Lua e os homens, a Terra e os bichos, que o Universo
somos um só.
quando ainda o toca um filme, um conto, romance, peça, uma novela
ou ainda uma lembrança emocionante que assalte-lhe a memória...
quando a comoção lhe bole fundo, e ele se desnuda dos seus ódios e torpezas,
das maldades, das vilezas e pequenezas tão peculiares...
quando a emoção o faz humilde, inofensivo, terno, um ser purificado...
quando o arrebata um sentimento que o desvanece docemente...
é a poesia que opera o milagre que atribui-se aos santos e aos deuses improváveis
e lhe traz do fundo d'alma o anjo puro e emocionado que ele tem dentro de si.
E é a poesia o ponto onde se encontra esse anjo belo
co'as correntes mentais benignas do cosmo;
ou faz então que se juntem mentes encantadas igualmente.
Assim, enfim, caso haja o metafísico, a união benévola das ondas que há nas mentes
fará que vejamos que não há linha qualquer que o separe do que é físico,
e a poesia assim será um dos tantos reveladores elementos
que fará que enfim nós enxerguemos
que a Lua e os homens, a Terra e os bichos, que o Universo
somos um só.
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
ALGOZES DA VIDA DO MUNDO
Quando o sol veio como fogueira
e secou plantações e florestas,
trazendo a morte e a fome,
não era a fúria de Deus,
era o dedo sujo dos homens,
que não sabem senão destruir.
Quando agrestes e matas arderam
em labaredas tão giganterscas,
não era a maldade do Demo,
mas de homens piores que ele,
que adoram queimadas e mortes,
cultuam somente o lucro,
num deleite tão bestial.
Quando vendavais imensos zumbiram,
tombaram o que havia em seu curso,
trouxeram tempestades dantescas,
imergindo, soterrando e matando
crianças, idosos e bichos,
foi tudo fruto do estupro
de humanos à natureza.
Dizei-me, Deus, respondei
que inferno puniria a contento
pecadores tão sujos e infames,
pessoas tão más e tão sórdidas?
Se, Deus, sois justo, falai
por que os deixastes nascer
pra desgraça tão grande do mundo?
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
O ANTI-HERÓI III
Não sou bom-moço nem sou parnasiano,
Não sou de rezas, rituais e cerimônias,
Não canto hinos nem exalto flâmulas, bandeiras.
Fico distante de senhores, poderosos e Excelências,
Mais longe ainda de homenagens, rapapés e de discursos.
Digo palavras de corar os puritanos,
Louvo o pecado como os monges louvam os anjos.
Não danço a música dos modos comportados.
Recito uns versos embebidos na luxúria,
Digo meu não quando todos dizem sim,
Solto impropérios quando querem louvações.
Em nada creio onde impera uma fé cega,
Jogo ironias onde querem comoção.
Minha'alma é livre, planando em minhas asas,
Nada me prende senão a moça que me encanta,
Senão os desejos e emoções que me arrebatam,
Senão os amores que me fazem doce plenamente
E que me elevam em tão imensurável bem-querer.
Não sou de rezas, rituais e cerimônias,
Não canto hinos nem exalto flâmulas, bandeiras.
Fico distante de senhores, poderosos e Excelências,
Mais longe ainda de homenagens, rapapés e de discursos.
Digo palavras de corar os puritanos,
Louvo o pecado como os monges louvam os anjos.
Não danço a música dos modos comportados.
Recito uns versos embebidos na luxúria,
Digo meu não quando todos dizem sim,
Solto impropérios quando querem louvações.
Em nada creio onde impera uma fé cega,
Jogo ironias onde querem comoção.
Minha'alma é livre, planando em minhas asas,
Nada me prende senão a moça que me encanta,
Senão os desejos e emoções que me arrebatam,
Senão os amores que me fazem doce plenamente
E que me elevam em tão imensurável bem-querer.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
NOITE
Hoje ficarei só,
Sozinho e quieto com meus pensamentos;
Ficarei aqui com meu silêncio
Ou talvez co'alguma poesia
Que me venha à ideia, insistente,
E me faça poetar qual possuído.
Hoje dormirei só,
Dormirei sozinho co'algum canto
Que me brinque na memória serenada
E me seja o acalanto mais suave,
Ou talvez me venha uma agonia
Que me faça contorcer por noite adentro,
Que me faça doer a imagem dela
Requebrando na memória qual fantasma,
Me trazendo qualquer culpa torturante,
Me fazendo o derradeiro dentre os homens.
Ou quem sabe apenas dormirei,
Dormirei como criança aconhegada,
Tão produndo como um ser que não tem vida.
Sozinho e quieto com meus pensamentos;
Ficarei aqui com meu silêncio
Ou talvez co'alguma poesia
Que me venha à ideia, insistente,
E me faça poetar qual possuído.
Hoje dormirei só,
Dormirei sozinho co'algum canto
Que me brinque na memória serenada
E me seja o acalanto mais suave,
Ou talvez me venha uma agonia
Que me faça contorcer por noite adentro,
Que me faça doer a imagem dela
Requebrando na memória qual fantasma,
Me trazendo qualquer culpa torturante,
Me fazendo o derradeiro dentre os homens.
Ou quem sabe apenas dormirei,
Dormirei como criança aconhegada,
Tão produndo como um ser que não tem vida.
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