Pesquisar este blog

domingo, 31 de janeiro de 2021

ENTREGA À POESIA

 Ah, me dar à poesia

como quem orasse ao cosmo

num fervor sem ter igual...!

Ah, cantar co'a devoção 

dos amantes à luxúria,

do guerreiro à sua luta...!

Ah, deitar co'a natureza

e deixar que adentre a alma

a cantiga a vir dos céus...!

Ver brotar poema-prece

dos amenos sentimentos,

das candentes emoções...

Confundir co'a lira a reza...

Ah, fundir a lira e a reza,

caminhando nas palavras,

levitando nos meus versos,

num amor de olhar canino,

co'a pureza de animal!

sábado, 9 de janeiro de 2021

AUTOBIOGRAFIA POÉTICA

 Vida, vivi tantos tantos amores

E provei tantas paixões, 

Amargando muitas dores;

Mas em mim há uma certeza:

As paixões têm gosto bom

Como manga e qual morango,

Como pera  e como anis.


Vida, degustei das aventuras.

Mundo, toda esbórnia é um poema,

Tarde clara em brando sol,

Primavera dentro d'alma

A sambar, vibrar em festa.


Ah, sofri tanto de amores!

Fiz sofrer certas mulheres, 

Mas me dei aos sentimentos 

Como um cão cheio de afetos,

Turbilhão sentimental.


Nunca fui religioso,

Não vivi o que é virtude, 

Mas virtude o que é, enfim?


Não juntei nenhum dinheiro,

Não me fiz um venerado

Pelo que é material.


Morte, sei, quando vieres,

Não trarás poema ou música,

Mas só dor e sofrimento;

Entretanto tua antítese

Eu vivi com toda a gana,

Cultivei as emoções 

Com o zelo de quem cuida

De jardins pelos quintais.


terça-feira, 20 de outubro de 2020

MULHER SERENA

 Mulher serena, dá  teu colo de paz pr'eu deitar minha cabeça

E mente que a maldade não impera, não , no mundo.

Vem, me abriga e clareia minha  noite

Das estrelas da tua presença simplesmente.



Vem, me acarinha, leve como brisa matutina,

Traze um tempo feliz pra todo o sempre,

Dá-me a calma sublime do céu que mora em ti.



MOÇA DOS CACHOS DOURADOS

 A moça dos cachos dourados,

Que a brisa acarinha de leve, 

De pé, na beira da praia,

Ouvindo a cantiga do mar,



Tem uma luz no sorriso,

Tem um encanto nos olhos:

Seu rosto bonito é um poema,

Seu corpo me fica a atiçar.



A moça, o morro e as águas,

O fim da tarde serena,

Tudo é uma lira praiana,

Tudo tem gosto de amar.


sábado, 15 de agosto de 2020

ROSANE

Rosane acordava cedinho,

De café, pão, queijo , manteiga

Às vezes se regalava.

Rosane acordava cedinho,

Às vezes não tinha nada.



Rosane, a mãe, duas filhas,

Três anos e cinco de idade,

Viviam numa casa pequena, 

No meio de uma favela.

Agarrava alguns dias as filhas,

Ouvia o estampido dos tiros

Quase a vazar as janelas.



Rosane descia o morro,

Se dava a fazer seus biscates:

Lavava, passava e limpava,

Subia levando sacolas

Com carne, cereais, goiabada.



Finais de semana bebia,

Brincava, sorria e dançava,

Gostava de um homem, se dava.

Quando raiava o dia,

Subia o morro, apressada.



Domingo ela ia à igreja,

Orava ardentemente, cantava,

Nem sabia por que é que orava,

Nem sabia por que cantava.



Rosane brincava na noite,

Nem sabia por que brincava.

Rosane sorria na noite,

Nem sabia por que sorria.

Rosane dançava na noite,

Nem sabia por que dançava.


CLAMORES NA ESCURIDÃO

Dança, tarde,

Como se amanhecera o tempo inteiro.

Canta, aurora,

Através do coral de passarinhos.

Samba, dia,

Como estiveras na quadra sob música,

Como se foras dançarinas de espetáculos.

Doura, sol,

Os chãos, as casas, as praças e os caminhos;

Faze acender o dia novamente,

Traze os gorjeios que eu ouvia antigamente

E que inundava de lindeza a viveza das manhãs.


RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...