Lamenta, noite, vai, lamenta
Nos acordes de viola que pranteiam,
No voz triste da cantora emocionada
E no pio plangente da ave errante
E noturna.
Lamenta, noite, vai, lamenta intensamente
Como o meu coração, que mais parece
Violino chorando em noite de garoa,
Que dói, quieto, opresso, imóvel, indefeso,
No silêncio, noite, no silêncio mortal das solidões.
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
Pesquisar este blog
sábado, 7 de fevereiro de 2015
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
AMOR, VOLÚPIA
Deixa eu te abraçar avidamente,
Como se fosses
Frágil menina.
Deixa eu te morder os lábios quentes
Num'ânsia quase
De um'agonia.
Deixa-me beijar então teu ventre
Qual venerasse
A pele fina.
Como se fosses
Frágil menina.
Deixa eu te morder os lábios quentes
Num'ânsia quase
De um'agonia.
Deixa-me beijar então teu ventre
Qual venerasse
A pele fina.
Usa-me, que eu quero ser brinquedo
Dos teus regalos
E teus caprichos.
Quero te desfrutar inteiramente,
Qual foras néctar,
Licor ou vinho.
Vou no gozo chegar à Via-Láctea
E te encontrar
N'alguma estrela,
Num asteroide
Ou paraíso.
Dos teus regalos
E teus caprichos.
Quero te desfrutar inteiramente,
Qual foras néctar,
Licor ou vinho.
Vou no gozo chegar à Via-Láctea
E te encontrar
N'alguma estrela,
Num asteroide
Ou paraíso.
domingo, 4 de janeiro de 2015
POEMA BANDIDO III
É o momento de louvar os festejos dissolutos,
os malandros com seus dados viciados,
as mulheres seminuas dos bordéis.
Fazer verso aos bebuns que não têm rumo,
às lascivas dos duzentos namorados
se exibindo e se ofretando nas esquinas.
Fazer canto ao Carnaval e excessos da folia
com as bundas mais diversas e suadas
rebolando, reluzentes, nos salões.
Ode aos peitos, vulvas, coxas, ancas que se mostram,
Num sentir arrebatado, fascinado, enlouquecido,
Entre gestos obscenos, rebolados imorais.
Ah, falar pornografias e mandar o mundo às favas!
Adentrar as cerimônias desvestido de camisa
E cantar bonitos sambas, abafando os oradores.
Mas jamais trajar um terno e se vestir de hipocrisia,
Nunca, Deus(!), deixar valer a hipocrisia!
os malandros com seus dados viciados,
as mulheres seminuas dos bordéis.
Fazer verso aos bebuns que não têm rumo,
às lascivas dos duzentos namorados
se exibindo e se ofretando nas esquinas.
Fazer canto ao Carnaval e excessos da folia
com as bundas mais diversas e suadas
rebolando, reluzentes, nos salões.
Ode aos peitos, vulvas, coxas, ancas que se mostram,
Num sentir arrebatado, fascinado, enlouquecido,
Entre gestos obscenos, rebolados imorais.
Ah, falar pornografias e mandar o mundo às favas!
Adentrar as cerimônias desvestido de camisa
E cantar bonitos sambas, abafando os oradores.
Mas jamais trajar um terno e se vestir de hipocrisia,
Nunca, Deus(!), deixar valer a hipocrisia!
ENTRE A CRUZ E A ESPADA
Se entre a cruz e a espada te ajoelhas,
Reza no fervor de um mártir que agoniza,
Reza como fora Cristo e tenta achar uma esperança.
Pede em tua prece dias bem diversos dos presentes.
Clama pela fuga e pela ausência dos demônios inclementes.
Desfia cem rosários, mil rosários se preciso.
Vai, suplica por um tempo de verdade e de justiça,
De igualdade e de bondade, de harmonia e retidão.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
VERSOS DE ODIENTA MÁGOA
Quando a solidão tocar em tua alma os dedos gélidos,
mas gélidos de arrepiar a carne e provocar gemidos,
encolhe-te apenas e aperta o próprio corpo nos teus braços:
não penses em momento algum chamar por mim.
Quando a solidão apertar tua garganta
com o vigor de assassina impiedosa,
sente apenas o ar faltar e a agonia:
não clames que eu te venha socorrer.
Quando a solidão doer de forma intensa,
mas intensa como a dor mais lancinante
ou de carne perfurada devagar por lança,
vive e sofre infinitamente esse momento:
não contes com que eu surja para ser o teu alívio.
Quando quiseres recostar e recosto não houver,
quando quiseres chorar e um ombro inexistir,
quando quiseres pisar e o chão não encontrares,
deixa vir as lágrimas, abundantes e sem fim,
cai em ti, reflete e reconhece:
tu que para todo o sempre me perdeste.
mas gélidos de arrepiar a carne e provocar gemidos,
encolhe-te apenas e aperta o próprio corpo nos teus braços:
não penses em momento algum chamar por mim.
Quando a solidão apertar tua garganta
com o vigor de assassina impiedosa,
sente apenas o ar faltar e a agonia:
não clames que eu te venha socorrer.
Quando a solidão doer de forma intensa,
mas intensa como a dor mais lancinante
ou de carne perfurada devagar por lança,
vive e sofre infinitamente esse momento:
não contes com que eu surja para ser o teu alívio.
Quando quiseres recostar e recosto não houver,
quando quiseres chorar e um ombro inexistir,
quando quiseres pisar e o chão não encontrares,
deixa vir as lágrimas, abundantes e sem fim,
cai em ti, reflete e reconhece:
tu que para todo o sempre me perdeste.
ALÉM DO FIM DO MUNDO
Um último som se ouviu
no ermo,
um tímido som,
vibração tão breve,
um quase nada...
uma nota
talvez
- quem sabe?
Um som - seria?
Talvez mera impressão,
talvez alucinação,
equívoco,
então nada.
Lugar remoto, cinzento,
sombrio,
sem planta nem flores,
sem rios,
sem sons e sem cores,
sem sol, sem nada.
Uma voz talvez cante.
Mentira!
Não canta.
É tudo
deserto,
é tudo
silêncio
profundo
de tumba...
de tumba.
Apenas o vento brando
levanta
de leve
a terra
cinzenta
do chão
estéril,
no ermo,
no vago,
remoto
lugar
que fica
além
do fim...
do fim
do mundo.
no ermo,
um tímido som,
vibração tão breve,
um quase nada...
uma nota
talvez
- quem sabe?
Um som - seria?
Talvez mera impressão,
talvez alucinação,
equívoco,
então nada.
Lugar remoto, cinzento,
sombrio,
sem planta nem flores,
sem rios,
sem sons e sem cores,
sem sol, sem nada.
Uma voz talvez cante.
Mentira!
Não canta.
É tudo
deserto,
é tudo
silêncio
profundo
de tumba...
de tumba.
Apenas o vento brando
levanta
de leve
a terra
cinzenta
do chão
estéril,
no ermo,
no vago,
remoto
lugar
que fica
além
do fim...
do fim
do mundo.
OS QUERUBINS
O artista canta, o artista toca,
eu apenas ouço
arrebatado, enfeitiçado,
fascinado pelos sons miraculosos.
Quem canta, vive mais perto de Deus,
e eu, mero homenzinho, fecho os olhos,
deixo que invadam meu coração
essas sublimes melodias desses querubins sublimes.
eu apenas ouço
arrebatado, enfeitiçado,
fascinado pelos sons miraculosos.
Quem canta, vive mais perto de Deus,
e eu, mero homenzinho, fecho os olhos,
deixo que invadam meu coração
essas sublimes melodias desses querubins sublimes.
Assinar:
Postagens (Atom)
RECANTO
E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...
-
Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
-
E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...
-
Quero te fazer um poema co’a delicadeza de quem toca harpa, Co’a mansidão de quem dedilha violão. Quero versejar para ti assim como quem t...