O BOB NO COLO
O Bob deita no colo de afeto da tutora
E adormece como bebê nos braços da mãe:
Criança em momento de santa ternura,
Anjo repousando no paraíso,
Na simbiose mais bela de amor.
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
O BOB NO COLO
O Bob deita no colo de afeto da tutora
E adormece como bebê nos braços da mãe:
Criança em momento de santa ternura,
Anjo repousando no paraíso,
Na simbiose mais bela de amor.
"Barão da Mata" não é meu sobrenome. Foi um codinome que criei para assinar meus trabalhos (antes não usava meu nome: Demóstenes), composto pelo nome de um cachorro que muito amei (Barão) e pela alusão às matas (da Mata). Em outras palavras, "Barão da Mata" é uma declaração de amor aos animais e à natureza.
Sou feliz porque a Globo me dá o melhor do Carnaval
E a Sportv, as emoções febris do futebol,
E a mídia defende os ricos como a mãe mais leonina,
Exatamente por sabê-los por Deus abençoados.
Vivo em paz porque oro sempre e vou à igreja,
E garanti pra mim um palacete lá no Céu.
Amo meus filhos, minha esposa e minha amante,
A quem já impus os abortos que sempre condenei,
Pois a família, que é tão sagrada, jamais vou macular.
Vejo o fantasma do Fidel por toda parte
E sonho a volta dos tempos bons da ditadura
E da tortura, que aniquilava os não-cordatos;
Mas sou cristão e adoro a Deus antes de tudo,
Venero a pátria e o meu bizarro capitão.
Ele é bizarro, mas sou seu amigo,
Ele é malvado, mas sou seu amigo,
Ele é covarde, mas sou seu amigo,
É perigoso, mas sou seu amigo,
Ele é tudo aquilo, mas sou seu amigo,
Ele é muito mais, porém sou seu amigo.
Por que bebe Ana Celina,
Solitária em sua sala,
Tão tristonha, na penumbra,
Pranteando ao fim da tarde
Iluminada de verão?
Lembrará momentos plenos
Soterrados no passado,
Numa dor de quase luto,
Corroída de saudades,
Sem podê-los retomar?
Sofrerá por ter perdido
Um amor que nunca esqueça
Ou então porque este mundo
De tão rude, a tenha feito
Se sentir medrosa e só?
Que pretende Ana Celina,
Mergulhada no seu gim,
Num silêncio de deserto,
Num olhar vago e distante
A fitar somente o nada?
O que dói n'Ana Celina
Que se estampa no semblante
Do seu rosto delicado,
Tão suave, apessegado,
Tão bonito de mulher?
O que chora Ana Celina
Na clausura dessa dor
A torná-la débil, tênue,
Indefesa e pequenina,
Porcelana a se quebrar?
Proteger Ana Celina
Eu queria sem demora,
Se seus olhos permitissem,
Suas mãos se me estendessem
No abandono à solidão.
Quero ver Ana Celina
Deslizando pelos dias
Como fosse uma menina
Num sorriso luminoso,
A correr sobre patins.
Que coisa é essa que vibra no meu peito?
Seria um grito, música, agonia;
Seria arroubo, afã, fogo de vida?
O que brinca assim na minha alma
Tão baça, pálida, obscura?
Seria uma cantiga que vencesse o tempo,
O siso, os desencantos e a fadiga,
As agruras, os percalços e as vivências,
E se instalasse em mim qual flor no árido?
O que será que dói, que canta ou que extasia,
Ou que tortura ou desvanece e não decifro?
Mas que onda é essa que vem, rebenta assim de súbito
Na calmaria quase que imóvel deste meu mar
Assim tão quedo, na linha do equador?
Quem não se encanta com sons de uma canção
Nem se rende a um olhar angelical de um animal...
Quem não se enleva em contemplar as verdes matas
Ou ver o mar a tocar o céu bem no horizonte...
Quem não delira nas paixões mais extremosas
Nem ama ser algum neste planeta...
Quem não se deixa bulir por arte alguma
Anda e vegeta, sem viver jamais.
Não mais do que um robô de carne e osso,
Não tem alma nem carrega sentimentos,
É rude e insípido qual pó de asfalto
A voar pelas pistas sem poema e sem canção.
Deixemos de lado toda esperança:
Ainda pensamos como há cem anos,
Ainda amamos os generais e caudilhos
E os influentes senhores feudais.
Esqueçamos os sonhos de dias sublimes
Pejados de paz, felicidade e alegria,
E ergamos nossas taças, brindemos
Ao nada, ao nada, não mais do que ao nada!
Se não existe em definitivo a justiça dos homens Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar, Pois que venham então de todos os lados Mu...