A carreira em minha arte
comecei muito menina.
foi modesto o meu início,
mas vi logo a ascensão.
Toda a arte que eu esbanjo
é uma veia de família:
minha mãe reinou em Ramos,
foi "Rainha do Bambu".
Estreei na Tiradentes,
logo, um justo produtor
desfrutou meus mil talentos,
me levou lá prá Mimosa.
Prossegui, determinada,
pois sabia dos meus dotes;
em dois anos, era a estrela
de uma termas em Campinho.
Mas Campinho era pequeno
pros meus sonhos tão dourados,
não tardei a ser rainha
de uma termas lá de Copa.
Hoje, sou celebridade,
dançarina mais cotada
para os shows de strip-tease,
pelas taras dos turistas.
Sou Maria Dejanira,
mas ganhei um nome artístico,
batizada por um gringo
co'a alcunha Wonderful Bitch.
As mulheres me invejando,
tantos homens me esgotando,
me esfolando, me exigindo
todo tipo de prazer,
sou princesa dos bebuns,
sou a deusa dos tarados,
sou a "star" Wonderful Bitch.
1994
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
Pesquisar este blog
domingo, 30 de setembro de 2007
VOCÊ E A TARDE
É tão bela a tarde,
Alvas são as nuvens.
Seu rosto mimoso
É divina imagem
Que transpõe meus olhos
E me adentra a alma
A fazê-la doce
Qual seus olhos lânguidos.
Também doce a brisa...
Seus cabelos negros,
Longos e de seda
São mansa magia
Me enredando inteiro
Em inquietantes,
Quentes emoções.
Tão azul o céu...
Branco o seu vestido,
Que, dançando ao vento
Sobre essa escultura
Do corpo moreno,
O meu corpo acende.
O seu jeito afável,
Seus lábios carnudos,
Seu batom carmim...
É tão clara a tarde
Com gosto de vida,
Odor de desejo,
Sonhos de pecado,
Cores de paixão
Tão bonita a tarde,
Tão tocante a tarde...
É você a tarde;
Ambas se confundem
E assim bem se fundem
Em uma só lira,
Que é de sol e brisa,
De alegre beleza,
De amor e querer.
1993
Alvas são as nuvens.
Seu rosto mimoso
É divina imagem
Que transpõe meus olhos
E me adentra a alma
A fazê-la doce
Qual seus olhos lânguidos.
Também doce a brisa...
Seus cabelos negros,
Longos e de seda
São mansa magia
Me enredando inteiro
Em inquietantes,
Quentes emoções.
Tão azul o céu...
Branco o seu vestido,
Que, dançando ao vento
Sobre essa escultura
Do corpo moreno,
O meu corpo acende.
O seu jeito afável,
Seus lábios carnudos,
Seu batom carmim...
É tão clara a tarde
Com gosto de vida,
Odor de desejo,
Sonhos de pecado,
Cores de paixão
Tão bonita a tarde,
Tão tocante a tarde...
É você a tarde;
Ambas se confundem
E assim bem se fundem
Em uma só lira,
Que é de sol e brisa,
De alegre beleza,
De amor e querer.
1993
UM SER BANAL
Enquanto eles se ocupam em querer saber o que é Deus
e a sua essência,
eu apenas gostaria de que ele existisse
e fosse assim
tão simples, bondoso
como o pai da gente.
Enquanto eles querem encontrar transcendência em si próprios,
na própria existência,
descobrindo quem somos,
de onde viemos,
pra onde iremos
e a nossa missão,
eu nada mais quero senão tocar a vida
entre as dores
e os prazeres
de quem apenas
nasceu e existe;
ser corriqueiro,
feliz ignaro
como os pardais
banais e libertos
que voam nas ruas.
1994
e a sua essência,
eu apenas gostaria de que ele existisse
e fosse assim
tão simples, bondoso
como o pai da gente.
Enquanto eles querem encontrar transcendência em si próprios,
na própria existência,
descobrindo quem somos,
de onde viemos,
pra onde iremos
e a nossa missão,
eu nada mais quero senão tocar a vida
entre as dores
e os prazeres
de quem apenas
nasceu e existe;
ser corriqueiro,
feliz ignaro
como os pardais
banais e libertos
que voam nas ruas.
1994
TUA IMAGEM
Negra, hoje, a manhã cantou alegre
ao passares por teu negro,
sob o sol, toda formosa,
e, ao passares, tão viçosa
e tão viva, e tão bela,
percebi, eras o sol.
Quando passas, me arrebatas,
porque bebo tua imagem,
tua imagem me extasia,
teu olhar me hipnotiza,
pois teus olhos são os olhos
imantados da serpente.
Tuas formas, que me atiçam
são tal como a primavera
assanhando a própria vida.
Os teus olhos me conduzem
à mais doce das quimeras,
e eu te quero como a planta
quer a água, o ar, o sol.
1990
ao passares por teu negro,
sob o sol, toda formosa,
e, ao passares, tão viçosa
e tão viva, e tão bela,
percebi, eras o sol.
Quando passas, me arrebatas,
porque bebo tua imagem,
tua imagem me extasia,
teu olhar me hipnotiza,
pois teus olhos são os olhos
imantados da serpente.
Tuas formas, que me atiçam
são tal como a primavera
assanhando a própria vida.
Os teus olhos me conduzem
à mais doce das quimeras,
e eu te quero como a planta
quer a água, o ar, o sol.
1990
SUBLIMES ANIMAIS
Ladrem, doces cães vadios,
Chilrem, belos pardais errantes.Animais de todo tipo,
Animais de todo o mundo,
Quão sublimes são vocês!
Com fastio e com escárnio,
Festivais da hipocrisia,
Desfiles de falsidades
Vi, querendo adormecer.
Vi canalhas pelos becos
E também em gabinetes,
E também em todo canto,
E são eles tão inúmeros...
Aquele brilho escarlate
Que traduz pura maldade,
Que traduz sede de sangue,
Vi nos olhos do bandido,
Vi nos olhos do mocinho.
Frigidez, indiferença,
Egoísmo odioso
Há no ar dos poderosos
Ante a fome e a miséria
A matar seres humanos,
A matar tantas crianças,
Vidas breves nos infernos.
Doces cães, belos pardais,
Animais de todo tipo,
Animais de todo o mundo,
Quão sublimes são vocês!
1993
ROSANA
Vem, Rosana, pros meus braços:
Tua presença enche meus dias
De sol, música, alegria,
É a canção da alvorada
No peito do teu cantador.
Vem, Rosana, que em teu riso
Vi meus dias de menino.
Vem, Rosana, o céu dos místicos
Vi na paz desses teus olhos,
Na meigura do teu rosto,
No teu cândido falar.
Vem, Rosana, que meu corpo
É luxúria enlouquecida,
É um braseiro, uma fogueira
A querer te consumir.
Vem, Rosana, de mãos dadas
Passear por estas ruas,
Caminhando sob a lua,
Como dois adolescentes.
Vem, Rosana, que teu beijo
É um passeio entre os astros,
Navegar entre as estrelas,
Voar pela imensidão.
1992
Tua presença enche meus dias
De sol, música, alegria,
É a canção da alvorada
No peito do teu cantador.
Vem, Rosana, que em teu riso
Vi meus dias de menino.
Vem, Rosana, o céu dos místicos
Vi na paz desses teus olhos,
Na meigura do teu rosto,
No teu cândido falar.
Vem, Rosana, que meu corpo
É luxúria enlouquecida,
É um braseiro, uma fogueira
A querer te consumir.
Vem, Rosana, de mãos dadas
Passear por estas ruas,
Caminhando sob a lua,
Como dois adolescentes.
Vem, Rosana, que teu beijo
É um passeio entre os astros,
Navegar entre as estrelas,
Voar pela imensidão.
1992
REALERTA
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que Batman e Robin
não encaram braba
e ganham propina
do vilão Coringa.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que a bela Penélope
saciou os desejos
dos seus pretendentes.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que o corpo da Vênus
não é mais que um monte
de fartas pelancas.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que James Bond
se borra de medo
de seus inimigos.
Eu já lhe falei
e tô repetindo;
ou você aprende,
ou eu não sei, não.
1981
e tô repetindo
que Batman e Robin
não encaram braba
e ganham propina
do vilão Coringa.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que a bela Penélope
saciou os desejos
dos seus pretendentes.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que o corpo da Vênus
não é mais que um monte
de fartas pelancas.
Eu já lhe falei
e tô repetindo
que James Bond
se borra de medo
de seus inimigos.
Eu já lhe falei
e tô repetindo;
ou você aprende,
ou eu não sei, não.
1981
Assinar:
Postagens (Atom)
RECANTO
E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...
-
Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
-
E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...
-
Quero te fazer um poema co’a delicadeza de quem toca harpa, Co’a mansidão de quem dedilha violão. Quero versejar para ti assim como quem t...