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sexta-feira, 9 de abril de 2021

BRANQUINHA


Vem pra mim, Branquinha, que te quero:

Vi um sonho se acendendo nos teus olhos

E me dei, encantado, a te sonhar.



Vem, Branquinha, que inda é tempo de viver,

E a vida cantará de novo em festa,

Em seu samba, sua dança, sóis e cores.



Vem, Branquinha, tornar música os meus dias.

Quero viver de poesia novamente,

Voltar a ouvir cantar os querubins.



POESIA FUNÉREA

 Parti pr'uma cidade mineira bem distante,

Sem deixar olhos marejados de saudade,

Sem poema nem canção de despedida,

Sem dilacerar meu peito na partida.


Olhei para a frente, para a frente tão somente,

Num afã de mergulhar em vida nova,

Mas, além destas paredes, é a morte o que me espreita,

E me contenho, amargando a escuridão do medo,

Alma prostrada, inerte, em lassidão.


O maldito mor e seus malditos companheiros,

Tumores todos purulentos dos infernos,

Fizeram deste sítio um desmedido cemitério,

País funesto, a peste a se espalhar pelas cidades.


É triste por demais esta clausura

Que tolhe o corpo, fere a alma e que nos enche,

Do pavor, da apreensão e da incerteza

De se o amanhã pra nós existirá.


sábado, 20 de março de 2021

O CARIOCA, O MINEIRO (VIAJANTES SE ENCONTRAM)

 CARIOCA: Que conta de bom, meu amigo mineiro?

MINEIRO: Estou namorando uma moça do Rio.

E você, carioca, o que tem a contar?

CARIOCA: Uma bela mineira acende meus dias,

Tem ruivos cabelos, branquinha qual trigo.

MINEIRO: A minha é morena assim como a terra.

CARIOCA: A minha é serena qual córrego fresco.

MINEIRO: A minha é inquieta como os dias mais quentes.

CARIOCA: Se banha de lua nas noites de prata.

MINEIRO: Se doura  na areia do sol do verão.

CARIOCA: Seu gozo é cascata a formar turbilhão.

MINEIRO: O orgasmo são ondas batendo no cais.

CARIOCA: Tem cheiro de frutas, de relva e de campos.

MINEIRO: Odores de flores, de praia e de bar.

CARIOCA: Me enredou como a Iara nas águas dos rios.

MINEIRO: Me enlaçou, Janaína,   nas águas do mar.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

SONHO ABSOLUTO

E se eu sonhasse, mas sonhasse plenamente

Como não houvera no universo nada senão a minha fantasia?

Se eu sonhasse como fora menino novamente

E vivera a primeira de todas as paixões?

E se eu sonhasse, mas sonhasse de maneira assim desmesurada

Qual não existira tempo, luto, dores e mazelas,

Nem o impalatável tédio do cotidiano e dia-a-dia?

Se eu sonhasse o olhar angélico da menina enamorada

Que gravei num passado já distante, nas linhas da minha poesia?

Se eu sonhasse me casar co'a loura sensual e alucinante

Que ostentava as coxas num vestido  provocante?

Se eu sonhasse de um modo tão louco e sem medidas

Que  mais parecesse não ter pés ou corpo ou mãos,

Me fizesse etéreo como espírito ou fantasma, devaneio tão somente?

Se eu sonhasse de uma forma tão poética, elevada 

De tornar o irreal a verdade absoluta?

Se eu sonhasse e desse ao mundo as costas,

E partisse nas asas do meu sonho como viajante aventureiro,

Sem querer jamais, jamais  voltar?


domingo, 31 de janeiro de 2021

ENTREGA À POESIA

 Ah, me dar à poesia

como quem orasse ao cosmo

num fervor sem ter igual...!

Ah, cantar co'a devoção 

dos amantes à luxúria,

do guerreiro à sua luta...!

Ah, deitar co'a natureza

e deixar que adentre a alma

a cantiga a vir dos céus...!

Ver brotar poema-prece

dos amenos sentimentos,

das candentes emoções...

Confundir co'a lira a reza...

Ah, fundir a lira e a reza,

caminhando nas palavras,

levitando nos meus versos,

num amor de olhar canino,

co'a pureza de animal!

sábado, 9 de janeiro de 2021

AUTOBIOGRAFIA POÉTICA

 Vida, vivi tantos tantos amores

E provei tantas paixões, 

Amargando muitas dores;

Mas em mim há uma certeza:

As paixões têm gosto bom

Como manga e qual morango,

Como pera  e como anis.


Vida, degustei das aventuras.

Mundo, toda esbórnia é um poema,

Tarde clara em brando sol,

Primavera dentro d'alma

A sambar, vibrar em festa.


Ah, sofri tanto de amores!

Fiz sofrer certas mulheres, 

Mas me dei aos sentimentos 

Como um cão cheio de afetos,

Turbilhão sentimental.


Nunca fui religioso,

Não vivi o que é virtude, 

Mas virtude o que é, enfim?


Não juntei nenhum dinheiro,

Não me fiz um venerado

Pelo que é material.


Morte, sei, quando vieres,

Não trarás poema ou música,

Mas só dor e sofrimento;

Entretanto tua antítese

Eu vivi com toda a gana,

Cultivei as emoções 

Com o zelo de quem cuida

De jardins pelos quintais.


RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...