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terça-feira, 10 de setembro de 2024

PACTO DE AMANTES(ou POEMA BREGA E LÍRICO)

 Reza por mim todas as noites e manhãs,

Pede a Deus que eu seja teu pra todo o sempre,

Faze uma simpatia que nos una como massa

E ouve as músicas de amor que me tragam à memória,


Eu eu dou o vinho, suco e vela ao preto-velho

E acendo a vela que nos possa amalgamar,

E ainda faço uma promessa a Santo Antônio

De estar na missa aos domingos de manhã.


Não creias nunca se te falarem mal de mim,

E esquecerei que me traíste por um mês.

Não dances, não, no pagode do Zabumba, que eu não gosto,

Eu te prometo jamais voltar ao bordel da Carolina.


Vamos tocar as nossas mãos e assim nos enredar,

E nos olhar de um modo simplesmente divinal.

Vamos voar nos ventos, astros da paixão

E nos nutrir eternamente do delírio deste amor.


O AMAR DEMAIS

 O amor grande demais explode o peito

Ou o faz desabrochar em pétalas profusas

E emanar perfume e acordes pelo ar?


O amor demais faz adoecer

Ou robustece a vida a palpitar

No coração tão prenhe de emoções?


O amor demais traz agonia

Por não haver palavras pra expressar

Ou nos faz tão belos assim como o luar?


O amor demais nos faz chorar

Ou de tanto sentimento embevecer

Como os cães em seu afeto sem igual?


quarta-feira, 28 de agosto de 2024

CLAMOR INÚTIL

Parai, humanos, e vede atentamente

A sede de quem ama e canta, olhos fechados,

E solfeja entre palavras adoçadas de emoções

E se alumbra fundamente ante o amado ser

Ou mesmo à simples vista do rubor de um arrebol.


Parai os fuzis e tanques, granadas, bombardeiros

E fazei dos mísseis nada, nada mais do que sucatas.

Contende essas indústrias emprenhadas de fumaça e morte,

Parai o morticínio dos animais, que tendes como vossos.


Cessai, homens, a guerra, a morte e o que destrói,

E ouvi, imóveis, tudo o que vos canta, toca e diz poema.

Mirai, imundos!, a natureza que estais por dizimar

E a infinda lindeza de uma garça a se aninhar.


Deixai de lado essa ganância horripilante

A parir a guerra, o ódio e a mais vil corrupção.

Quedai-vos ante a bailarina flutuando no teatro

E orai aos anjos do lirismo, embora não creiais.


Tocai na seda das canções, dos violões e das cascatas

E me enganai e me iludi, mas nunca permitais

Meu despertar desta utopia insana e descabida

De que seríeis capazes de ouvir clamores como os meus.


POEMA DA MANHÃ

 Vem, mulher dos olhos mansos,

Acender minha manhã;

Vem, alegra minha casa

E fogueia o corpo meu.


Passarinho matutino, 

Vem pousar nessa varanda,

Salpicar tua alegria,

Vem cantar no peito meu 


Sol ameno, adentra o quarto,

Enche a casa com teus raios;

Vem ornar essas paredes,

Vem mostrar que há vida em mim.

terça-feira, 27 de agosto de 2024

NÁUFRAGO

 Ai, viajante

A percorrer

Caminhos turvos,

Negras ondas,

Bravos mares:

Marinheiro

Dos naufrágios,

Sem resgate,

Terra à vista

Ou uma ilhota.


Ai, o temor,

Temor dos ventos,

Das calmarias,

Do breu da noite,

Do sol brilhante...

Do céu que encosta

Nas águas verdes

Temor profundo

Da morte e vida.


Temer, chorar...

Ai, olhos baços

Que nada avistam,

Que nada esperam

Nem mais se iludem:

Serenos, miram

A triste morte:

Ai, viajante 

A dar-se à morte.




sábado, 24 de agosto de 2024

A SAUDADE

 A saudade dói qual querer voltar

Sem achar jamais o caminho,

Rói como o afã de retorno

À terra que não há mais,

Precisar se aquecer do frio

Ao sol que morreu, se apagou.

Ansiar pela voz sublime

De alguém que já emudeceu.

É assim como sede intensa

De beber na fonte já seca.

A saudade é um séquio de estar

Na mata que agora é cinza

E traz um desejo insano

De prantear sem cessar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

ELA

 Aninhou-se em meu peito como eu fosse abrigo

Dos maremotos e furiosos vendavais;

Como se a protegesse do tempo e da tristeza,

Da infâmia, da morte, da dor e todo mal.


Aconchegada, era como uma menina,

Mas se deu na incandescência de mulher.

Disse coisas de fazer devanear.

Sua voz enchia o ar de poesia.


Ao sair, estava ainda mais bonita,

Um poema ambulante pelas ruas.

Plantou vida, alegria em minha casa,

Do meu peito fez morada da esperança 

RECANTO

  E então, você não canta Nem me chama pra sonhar Debruçado na varanda, Ante a luz do seu luar? E então, não me convida A dançar a dança ard...