Cada vez em que a encontrei,
nas noitinhas mais bonitas,
não notei que ela cantava,
dentro d'alma, de alegria.
Cada vez em que a apertei
nos meus braços, entre juras,
reparei como se dava,
mas não vi que era tão minha.
Quando quis cair no mundo
e me dei à despedida,
não notei que ela chorava,
não olhei quanto sofria.
Todo o tempo em que eu a tive
ao meu lado, nos meus dias,
eu nem vi que ela me amava,
que era pura poesia.
Quando o mundo me abateu,
e eu busquei o seu abrigo,
percebi que nos seus olhos
já não tinha melodia.
Entendi que o tempo andara,
me dei conta que a perdera,
que não mais eu a teria.
2013
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU
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quinta-feira, 26 de março de 2020
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