Peito, cala,
silencia como um morto,
pois senão uma tristeza torturante
te virá cortar tão cruelmente,
te fará uma sangria interminável
de não ficar em ti sinal vital.
Peito, cala,
mas tão completa, tão inteira e totalmente,
que as emoções não percebam que tu existes.
Cala, peito,
mas cala assim profundamente
como as frias madrugadas nos recantos
mais distantes das cidades e das gentes.
Cala, peito,
cala numa quietude de sepulcro,
se não queres sentir a dor mais funda,
se não queres nutrir amor à morte,
se desejas pra ti um lugar na paz.
2013
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU
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quinta-feira, 26 de março de 2020
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