Minha agonia é porque meu peito não se cala
E quer-se expandir pela vastidão do espaço sideral,
Mas não acha senão uma vida enfadonha e pequenina,
Mergulhada na esterilidade do dia-a-dia tedioso.
Meu coração é irrequieto como um viajante aventureiro
E se encontra encarcerado na monotonia do cotidiano.
Ah(!), angústia, por que não cortei os próprios pulsos,
Não me atirei da janela, num ato dramático e extremo,
Para aquietar para sempre esta alma sedenta demais?
Mas, Deus, e se houver uma outra vida além desta do corpo
E o espírito provar sofrimentos demasiadamente lancinantes?
Minha agonia é porque minhas emoções são intensas como tufões e temporais,
Porque minha alma arde como o meu corpo, que ama amar.
Minha agonia é porque os meus sentimentos desmedidos não cabem
[ neste mundo tão prático, astuto, sem lira e diverso de mim.
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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quinta-feira, 26 de março de 2020
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