O que faço agora, o que digo agora,
Já embriagado, bares já fechados,
Se, na noite quieta, só me resta o quarto,
A cabeça zonza, a solidão?
Morte, venha logo,
Mas deixando que antes
Meu temor se vá.
Jamais houve bares, luzes, bebedeiras,
Só noites de inverno
Pelos matagais.
Quero ser guerreiro,
Não um imbatível,
Mas um kamikaze
Pra me arrebentar.
Vejo um cão sem dono
Deitado à sarjeta,
Quando olho no espelho.
Mas certo deleite
Vem tocar minh'alma,
Pois eu gostaria
É de ser um verme.
Morte, venha logo,
Fim das amarguras.
As portas dos bares se fecharam todas,
Vejo as ruas negras, trisrtes e desertas.
De toda a alegria
Só restaram cinzas.
Por falar em cinzas, o que mais eu sou?
2020
(poema escrito em 1982 e revisado, modificado e atualizado)
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC
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terça-feira, 2 de março de 2010
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