"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU
Pesquisar este blog
domingo, 30 de setembro de 2007
A NAMORADA DO BANDIDO
O meu homem é um cavaleiro andante
Audaz, afoito,
Herói que empunha AR-15
Nas mãos seguras
Que tantas mortes já provocaram.
Não é o chefão aqui do morro,
Mas quase isso,
E, orgulhosa,
Eu desfilo meus ares de primeira-dama
Por estes becos,
Muito embora eu o saiba homem de muitas outras,
Me contentando
Em ser mais uma das suas dezenas
De prediletas.
Promotor de festas, danças, alegrias,
Comendador,
Paladino da luta contra as injustiças,
Meu doce rambo,
Que acolhe, satisfaz e aquieta meus desejos;
Que me sacode nos braços fortes, quando tem raiva
E que me bate;
Mas me comove quando traz presentes caros,
Lindos, mimosos,
Alimentando, superinflando meu narcisismo.
Um dia, eu sei, meu homem tombará desfigurado,
No encerramento
De sua carreira gloriosa e de seus dias
Aqui no mundo.
Aí, eu chorarei como a mais inconsolável das viúvas;
Mas sei que logo
Um outro herói com os mesmos predicados
Me aquecerá
No peito forte
E ganhará meu coração.
1994
É bom deixar bastante claro que “A NAMORADA DO BANDIDO” não pretende de modo algum glorificar a imagem do traficante de drogas ou do membro do crime organizado, mas focalizar a visão que as moças pobres que se envolvem com tais criminosos têm destes, além da sua quase impossibilidade de livrarem-se da condição de mulheres de delinquentes.
1994
A REVOLUÇÃO DOS ARTISTAS
Se não existe em definitivo a justiça dos homens Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar, Pois que venham então de todos os lados Mu...
-
Vem, mulher, pra mim, que eu te faço Uns versos tão mansinhos e cálidos, Que, mais do que musa, Vênus te sentirás. Vem pra mim por inte...
-
E se eu amar essa mulher de olhos tão despidos dos afetos? E se eu amar essa mulher loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas, verifi...
-
Quero te fazer um poema co’a delicadeza de quem toca harpa, Co’a mansidão de quem dedilha violão. Quero versejar para ti assim como quem t...