Por que Maria Marta é tão tristonha,
se o sol doura a janela desbotada
onde a moça, tão bonita, se debruça
para olhar os arbustos do jardim?
Por que Maria Marta é tão tristonha,
se, ao despir-se ante o espelho prateado,
faz que surja a figura de uma ninfa,
de Afrodite, de uma fada camponesa?
Por que Maria Marta é tão tristonha,
se, de noite, maravilhas povoam os seus sonhos
de lugares distantes, diferentes,
de cidades agitadas e lotadas?
Por que Maria Marta é tão tristonha,
se em seu canto o tempo passa lentamente,
tão sem pressa, que dá tempo de sonhar,
ver cavalos, potros, éguas a pastar.
Por que Maria Marta é tão tristonha,
se as manhãs são de relvas orvalhadas
e nas tardes chuvas mansas sempre banham
sua pele morena de veludo?
Poderiam os seus sonhos de terras tão longínquas,
por não terem simplesmente acontecido,
a fazerem tão calada e tão soturna,
de tristeza tão profunda e suplicante
que se estampa tão flagrante em seu olhar?
1996
Revisto e modificado em 2012
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU
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