Quem senta
Na sala,
Quem ouve
A canção,
Revolve
Lembranças,
É apenas
Meu vulto,
O pouco
De tudo
Que fui.
Quem cala
Na casa,
Quem passa
Por entre
Os umbrais,
É o morto
Sem corpo,
Não mais
Que mero
Resquício,
A leve,
A vaga
Memória
De mim.
Quem deita
Na cama
Querendo
O sono
Perpétuo,
Mais fundo
Dos sonos,
É a sombra,
É o vulto,
É o éter,
Memória,
Resquício,
O nada,
O nada
De mim.
1996
"PÉS NO CHÃO E POESIA" tem esse título porque em primeira análise minha poesia é incrédula, mas reúne poemas que às vezes se antagonizam pelo fato de alguns se pejarem da crueza calcada na realidade dos dias, enquanto outros têm a doçura dos anseios da meninice, além dos que encaram a dureza do cotidiano num protesto contra ela ou mesmo numa linguagem lírica que tenta cobri-la com adorno poético. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU
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sábado, 8 de setembro de 2007
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