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domingo, 16 de setembro de 2012

E AGORA, MEU POEMA?

Após ler comentários negativos ( de uma só pessoa) sobre alguns dos meus poemas, como por exemplo "Noite Deserta" http://baraodamata.blogspot.com.br/2010/03/noite-deserta.html  , que recebeu a observação de que as imagens poéticas com ninfas e Dionísio estariam muito batidas (eu só os coloquei porque realmente quis rebuscar a poesia), "Se a Tristeza Vier"http://baraodamata.blogspot.com.br/search?q=SE+A+TRISTEZA+VIER, que me valeu a crítica de que o  trabalho, por estar no modo imperativo, mais parecia uma pregação, crítica esta ilustrada com a afirmativa de que Boudelaire jamais faria aquilo ou então logicamente não seria Boudelaire, e por último, por criar "Outra Quase Cantiga de Roda"http://baraodamata.blogspot.com.br/search?q=OUTRA+QUASE+CANTIGA+DE+RODA ,  a arrogante espinafrada de  que os meus poemas  mais parecem uma colcha de retalhos, feita com trechos de músicas antigas, sem no entanto ter a poesia das respectivas letras... Depois de ouvir (ler) isto tudo, preciso dar alguma resposta às cacetadas recebidas:


E agora, meu poema, que te faço?
Abandono imagens belas e metáforas?
Só faltou que cruelmente te chamassem
Casa pobre com adornos ordinários.
Que fazer agora, então, meu verso?
Deixo para trás os sóis, luares e as estrelas,
O silêncio tão cantor das madrugadas,
As varandas, as penumbras e os quintais?
Que será, meu canto, dize a mim, dos seresteiros,
Inspirados violeiros das esquinas?
Que será, se até Dioníso, deus  de todas as orgias,
E as ninfas foram expulsas das letras sobre esbórnias?
Ai, meu Deus(!), e agora como vou fazer a poesia
Sem ardores, sem morenas de peitos bem durinhos,
Sem o samba, sem um louco, um desregrado ou vagabundo?
E agora, me falais vós que me ledes, se é belo ou se  não é
Um poema ornamentado de jardins e sóis dourados.
Como doravante vou falar das paixões que me inquietam
Sem o céu cheio de prata e sem a brisa das manhãs?
Não xingueis a mim se porventura parecerem
Os meus versos financeiros, eletrônicos, criminais, policiais.
E agora, meu poema, que te faço, que te faço?
Ah, meu poema(!), insistente e teimoso erro repetido
Ao longo destes  anos e decênios tão compridos,  
Transformado em coisa vil a demandar saco de lixo.

Por que não imitei ou me alinhei a Baudelaire ou Mallarmé?
Por que diabo, meu poema, não fui ser parnasiano?
Ou então por que não fui concretista ou mesmo seiscentista
Ou qualquer coisa diferente do poeta que me fiz?
Meu poema, meu poema(!), dize a mim, enfim, poema,
O que faço, o que faço(!), o que faço ora de ti?

II

Há, poema, quem se queixe mesmo até
Das poéticas licenças de que abuso:
São licenças obtidas na prefeitura literária
(Mas que tirada infame em verso tão sem melodia! Arre!)

2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

MEU PERFIL

Sou  Demóstenes ,nascido no Rio de Janeiro, em 1958. Penso como um anarquista, mas infelizmente reconheço que o anarquismo é uma utopia e consequentemente impraticável - e nem poderia tentar colocar em prática a minha ideologia anárquica, porque preciso do meu emprego e principalmente de comer. Fui também de esquerda, mas hoje não sou mais nada, porque os políticos brasileiros (e também os estrangeiros) bem mostraram, ao longo da história, que o socialismo, embora praticável, não é e nem poderá ser colocado em andamento por conta da ganância desmedida dos poderosos e da torpeza dos políticos, que no máximo vendem uma imagem de esquerdistas, mas, quando se veem investidos de autoridade e elementos para lutar pela implantação de um sistema socialista, preferem seguir a velha cartilha do poder econômico, que é aquele feijãozinho com arroz que garante aquele salariozinho farto e aquele vidão danado de bom, não é? Tolo é quem neles acredita - como eu já fui tolo de acreditar.
Sou um incrédulo inato, até porque é impossível (ou ao menos creio ser impossível) ter a idade que tenho e viver tantas experiências sem perder a credulidade em relação a muitas coisas. Dizem que sou irreverente e admito que sou. Tenho também um senso crítico que chega a ser cruel, mas isto se dá por convivência, já a partir da adolescência, com companhias que também tinham um senso crítico exacerbado, perto das quais sempre me considerei um parvo aceitador de tudo sem questionamento. Ou seja, em outras palavras, sou fichinha perto deles. Se você os conhecesse, ficaria estupefato.
Amo os animais quase como se fossem todos meus filhos, mas isto eu posso dizer que veio com o meu nascimento. Não me lembro de ter tido influência de ninguém neste sentido. E o nome BARÃO de Barão da Mata é uma irreverente homenagem a um cachorro que a minha falecida mãe teve. O DA MATA, por sua vez, é uma manifestação de minha afeição pela natureza.
Não gosto do poder e dos políticos, mas não sou maluco de sair por aí lutando contra eles, porque estamos sob o jugo dos mesmos e é só pensar um pouquinho para perceber que esses caras podem nos esmagar com uma pontinha de dedo. Se você duvida, pesquise sobre o período do regime militar e entenda que, civil ou militar, o poder é algo de altíssima periculosidade. Não creio nessa história de democracia. Imagine se no meio da sociedade houvesse um número de contrários ao sistema considerável a ponto de ameaçá-lo. Aí você veria muita coisa esquisita. Só me politizei ao finalzinho do regime dos generais, mas confesso que não teria coragem de afrontá-lo, porque sempre entendi a importância da minha integridade física e de poder trabalhar e ganhar o meu pão.
Tornei-me (ou sempre fui) avesso a doutrinas porque elas tolhem e demarcam o pensamento. Não creio no ser humano por achar que o conheço o bastante para tanto.
Não há mais muito que ache interessante falar sobre mim. A não ser que escrevo também em dois blogs ( baraodamata.blogspot.com e baraodamataprosa.blogspot.com ), os quais eu gostaria de que você visitasse, sem lhe pedir que faça qualquer comentário - apenas me obsequie indicando-os, como este site, aos seus amigos no caso de achar os meus textos merecedores.
Um abraço com desejos de muitas felicidades a todos vocês.