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sábado, 12 de janeiro de 2013

REZA DO CAMPONÊS

Oh(!), meu Jesus
Crucificado,
Venho pedir:
Dai-me, Senhor,
O pão, trabalho e algum cantinho pr'eu morar.
Dai-me, Senhor,
Muito sossego,
A terra, a chuva e uma mulher pra muito amar.
Dai-me, Senhor,
Uma varanda
E um bom roçado bem verdinho pr'eu olhar.
Dai-me, Senhor,
Uma família,
Filhos bonitos pr'eu na missa apresentar.
Dai-me, Senhor,
Muita saúde,
Mas, se preciso, um bom doutor pra me curar.
Não me negueis,
Porém, Senhor,
Uma viola e a alegria pr'eu poder cantar.

2013

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

AQUELA MOÇA

O que foi feito daquela morena
Que era bela como um poema,
Que tinha os olhos  negros e  meigos,
Que cantava como uma fada,
Que se dava como uma ninfa,
Que tecia emoções imensas
No meu peito de cantador?

Que foi feito daquela menina
Que me dava momentos belos,
Que sonhava um tempo de encantos,
Que erguia estâncias de sonhos
Que ornava de poesia?
Que amava as matas e ventos
Venerava a Mãe-Natureza?

O que foi feito daquela  moça
Que andava nua nos campos,
Que tinha uma voz de arcanjo,
Que tinha uma pele de índia,
Que tinha avidez no abraço,
Que tinha a aurora no verbo,
Que era um poema de amor?

2011

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

IRMANAÇÃO

Minha harmonia co'a Natureza
É uma irmandade que reconheço
Em face às plantas, em face aos bichos
E cada árvore e cada regato que, cristalino,
Por entre ramos, por entre pedras, vejo fluir.

Olhar embevecido o verde das colinas
E das serras exibindo uma beleza  exuberante.
Notar entristecido os micos e gambás
Buscando o que comer em urbanas regiões.
Urbanizadas matas, invadidas pelas bestas
Humanas asquerosas que as usurpam por ganância.
Ah! Bichinhos despejados de seus lares e de abrigos,
Territórios estuprados por covardes racionais.

Eu me fascino ante as matas e folhagens majestosas
E assim cultuo as águas, cada arbusto e cada pássaro,
Numa emoção tão transcendente e tão singela de menino,
Na consciência plena que dos seres, todos seres sou irmão.


Armas e venenos no encalço de inocentes,
O fogo ao seu redor, lancinantes sofrimentos,
Morte, morte, profusão de mortes dos infernos
E a satânica alegria dos vis negociantes.


Quem disse que o Diabo não existe?
Ele existe em quantidades incontáveis
De malditos que entre feitos demoníacos
Vão matando os animais e agredindo a Natureza.
Como eu gostaria de os poder chamar de homens
Na bendita acepção dos que têm bom coração.

2013

DOS MEUS MORTOS

A ausência dos meus mortos é tão triste, inconsolável.
Falo dos mortos humanos e dos mortos animais,
Falo que não creio em vida que não seja esta da Terra
E por isto minha dor é muito mais profunda.
Meu consolo é que um dia morrerei como eles todos
E, inexistente, nunca mais terei saudades
E esta dor tão torturante que maltrata as  criaturas.

II

Se houvesse outra vida, eu abraçaria e beijaria os meus humanos mortos
E os meus mortos de quatro patas e focinho
E, sem exceção, todo finado animal que eu encontrasse:
E assim formaria com eles, os humanos e os bichinhos,
A família maior  do Universo sem tamanho.

2013