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quinta-feira, 29 de abril de 2010

MUNDO DOS SANTOS

Toda viúva tinha um marido que era o "cão",
que era demais,
que era absurdo,
que já foi tarde.

Todo mundo é de Jesus,
a gente vê
nos adesivos
e nas janelas.

Ninguém age de má-fé,
a gente sabe,
a gente vê,
tá nos discursos.

Não existe gente má,
há pouco céu
pra tanta alma
benevolente.

Todo mundo toda noite ora
pro bom Jesus
e fica então
puririficado.

Todo mundo só bateu por provocado
até as raias
de uma explosão.
Fazer o quê?

Todo mundo tem razão, só tem virtude.
Mundão danado
que só tem santo
com halo e tudo.

Mundão tremendo de anjos bons.
porque então
existem guerras
e molecagens?

Por que então a gente vê
tanta miséria,
tanta injustiça
e covardia?

Conta então por que que há tanto
assassinado,
tanto humilhado,
tanto enganado.

Todo mundo é ser do bem,
ainda bem
pro nosso bem,
meu bem, meu bem.

Vou parar de duvidar
Viva essa gente
que habita a Terra,
que é só bondade!

Meu Deus,meu Deus,
salve essa gente!
Viva essa gente!
Salve esses santos,
meu Deus, meu Deus!

2010

A MINHA BELA

A minha bela não é mais bela
Do que as outras belas do mundo,
Mas, quando sorri, eu percebo:
Nenhum riso tem tanta manhã.

A minha bela tem os olhos
Belos como os das outras belas,
Mas, quando me olha, eu vejo:
Não há olhos tão cheios de céu.

Quando o vento lhe bate no rosto,
Imagino um sem-fim de poemas,
Olho o semblante da bela e penso:
Nenhum rosto faz tanto sonhar.

Se não é mais tudo, a bela
Assim simplemente parece,
Por ser aquela que amo,
Não haver delírio maior do que amar.

2010

domingo, 25 de abril de 2010

POEMA SACRO

A música é a religião dos emotivos,
A brandura é o templo dos românticos,
O alumbramento é a prece dos líricos,
A Natureza é Deus...
É Deus...
Meu Deus(!), é Deus!

1994

PURA BELEZA

Quero fazer versos belos como cânticos sacros,
Quero o olhar cativo da mulher que me enfeitiça,
Uma brisa fresca que me afague a pele, o rosto
E um riacho a riscar a verde relva da cidade.

Quero os seres todos irmanados como desejava
São Francisco em sua bondade absoluta.
Quero orquestras com pianos, violinos, clarinetes
Acordando as luzes e manhãs do meu país.

Quero a noite harmoniosa e prateada
Em cantigas tão bonitas, suaves, comoventes,
Que os olhos dessa gente vertam lágrimas.
Quero a plena volúpia varando as madrugadas
E as manhãs encontrando os poetas aturdidos
Com motivos tão vários para suas poesias,
Com razões tão diversas para seu alumbramento,
Num transe de delírio e de lirismo absoluto.

2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

NOITE SEM FIM

Não quero cultivar esperanças:
Só quero as ruas desertas e me sentar nas calçadas,
E chorar incessantemente durante a noite infinita.

Não choro tua ausência, tua partida:
Foi até tardia a tua ida.
Choro, sim, a ausência de alguém
Exatamente como a mim pareceste.

Segue, não olhes pra trás, não voltes:
Não te choro, mas a mim,
Que sinto a solidão me apertar nos braços gélidos
E no além-horizonte nada diverso vislumbro.

Só vejo a noite e a solidão, insensível, perversa,
Insolente, sem vida, senhora de mim.
Não, não quero novamente a esperança:
Só quero prantear nas calçadas, sozinho,
Nas ruas desertas, no fundo da noite sem fim.

2010

domingo, 18 de abril de 2010

TÔ FORA

Eu tenho andado sem rumo,
Eu tenho andado sem norte:
Eu venho de lá das esquerdas
Mas agora esquerda acabou.

Acho que tudo foi sonho,
Acho que jamais existiu.
Não creio hoje em dia em mais nada.,
Agora não sei pr'onde ir.


Tem gente que fala no centro.
Pra mim, só se for de macumba:
Só há o ser e o não-ser,
Não há o não-ser relativo.

Eu tenho andado sem rumo.
Enquanto não acho o caminho,
Eu vou tomando cerveja,
Eu vou vivendo esta vida.

Enquanto não tenho uma causa,
Procuro por uma morena
Que tenha carinha de anjo,
Mas seja na cama o diabo.

Eu vou seguindo sem rumo,
Em centro jamais eu vou crer,
Acho que vou descansando
Aqui sem muito pensar.

Ah, que preguiça gostosa!
Eu deixo a luta pros jovens,
Quem quiser crer em algo, que creia.
Tô fora de lutas, tô fora!

Só quero esticar minhas pernas,
Só quero beijar a morena,
Só quero ir vivendo esta vida
Na paz de monge budista.

2010

sábado, 17 de abril de 2010

TRAZE PRA MIM

Traze pra mim
O teu verbo mais bonito,
Um olhar apaixonado
E um se dar tão sem tamanho,
Que eu inspire a vida num prazer tão infinito,
Que o mundo à minha volta mais pareça a poesia
A vibrar pelas esquinas, sussurrrar-me lindos versos,
A bailar nas ruas, praças e a brilhar no firmamento.

2010

TEMPESTADES

Não escolhi garoas, mas tormentas,
As devastadoras tempestades.
Não escolhi brisas leves e delicadas,
Mas os mais severos, implacáveis vendavais.
A alma inquieta, sedenta de vida
Percorreu caminhos turbulentos,
Passou por entre rodas de fogo
E os raios fulgurantes dos temporais.
Chamuscou-se quase que inteira,
Espatifou-se nas rochas praianas
E, agora, em frangalhos, só sabe de dor:
Só geme, lamenta, só sabe de dor.

2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

SE O AMOR CHEGASSE

E se o amor chegasse numa melodia
que iluminasse a manhã, plantando vida...?
E se o amor chegasse num coral de passarinhos
e então parisse de repente a primavera...?
Se agigantasse nossas almas pequeninas
E rebrilhasse nos regatos cristalinos...?
Se retumbasse e despontasse em verso e trova,
Em alegria, em delírio, violões e tamborins...?

Se o amor chegasse, me abririas as portas e teu corpo,
E dançaríamos, febris, inebriados,
Milhões de danças em festejo à própria vida.

2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

JANE

Por que desejar
o poder dos czares,
se Jane me come
assim como eu fosse
a pura delícia?
Por que a fortuna
dos grandes banqueiros,
se Jane me bebe
tal como bebesse
o suco da manga?

Por que ter a fama
dos grandes guerreiros,
se Jane me lambe
assim qual quisesse
me gastar por inteiro?

Por que almejar
um trono de rei,
se como a menina
tal como comesse
divino manjar?

Por que invejar
os homens famosos,
se bebo essa musa
bem como bebesse
a própria ambrosia?

Por que ter o nome
nas ruas e praças,
se lambo essa moça
tal como lambesse
o mel entre o dedos?

Que mais quereria,
se todas as noites,
ao fim da jornada
apóio a cabeço
no peito de Jane,
e ela me abraça
assim qual quisesse
me guardar para sempre?

2010

SUAS CANÇÕES

A sua canção doeu fundo no meu peito
porque era de tristeza a sua canção.
A sua canção me fez vibrante de alegria,
porque era de alegria a sua canção.
Sua canção fez-me odiento e revoltado,
porque era de ódio a sua canção.
Sua canção fez-me emanar amor pra todo lado,
porque era de amor sua canção.
Suas canções me contagiam das emoções que lhes dão vida,
pois seu cantar miraculoso me arrebata
e me envolve, aprodundando-se em minha alma suas canções.

2010

VIDA

Vida, eu te quero saborosa e magnética
Qual mulher de vestido levantado.
Eu te quero deleitante como um beijo, qual luxúria.
Eu te quero alegre como tarde ensolarada
Com samba, frevo e fumaça colorida.
Eu, enfim, te quero, vida, intensa e plena,
Não sem graça, insossa, tediosa
Como pregação ou vazio botequim.

2010

UNOS

Chama, clama, suplica por meu corpo,
Incandesce em nosso leito, delira em meu abraço
Febril.
Lança-me um olhar tão terno, que teus olhos mais pareçam
Os das musas romanescas, das amadas de quimeras.

Toma as minhas mãos nas tuas, dize o que ouvir preciso:
Fala a mim que somos unos, um ser leve como a brisa,
Tão aéreo, amante, solto
A voar na ventania,
A pousar na Estrela D"Alva,
E a planar na imensidão.

2010
Revisto e modificado em 2017

A CARNE

A carne arde,
A carne chama,
A carne clama por outra carne.
A carne ama como qualquer poeta,
Do seu modo pleno e carnal.

A carne se comprime noutra carne,
A carne se dá como qualquer apaixonado.
A carne se atrita com outra carne
E o faz com zelo,
E o faz com arte,
Como um pintor criando imagens.

A carne dança a dança do amor
E canta como qualquer cantor,
E baila como toda bailarina,
Mas do seu jeito peculiar.

A carne ama e também se entrega,
A carne enlouquece de tamanho querer,
Como alguém de sentimentos desmedidos ,
Assim como um cavaleiro andante,
Assim como um sequioso trovador.

2010

A POETISA

A poetisa faz poemas com a maestria e zelo
De quem borda o céu com estrelas cintilantes,
Como quem pinta no horizonte o verde mar,
Qual quem desenha gaivotas no painel do ceú azul.

A poeta verseja como quem regesse orquestra de letras,
Como quem branqueia as nuvens a enfeitar o firmamento,
Qual quem floreia os campos vastos, majestosos,
Como quem doura as ruas com a cor do sol.

A poetisa é tão bonita por ser mágica,
Por ser fada, encantada, por ser diva,
Miraculosa
A poetisa
Com a magia
Do seu condão.

2010

terça-feira, 6 de abril de 2010

MEU SANTO ANTÔNIO

Meu Santo Antônio, por favor, me traz Maria
Batendo assim na minha porta como o sol
E acendendo minha casa e minha vida
Como se fosse uma folia a se espalhar.

Me traz Maria em seu vestido de florzinha
Esvoaçante provocando meu olhar.
Me traz Maria e seu arzinho de criança
E seus olhinhos tão pretinhos, tão pedintes.

Me traz Maria de cabelos sobre os ombros
E seu sorriso assim tão branco como as nuvens.
Me traz Maria e sua voz que nem cantiga
A me jurar pra sempre o seu amor.

Me põe Maria num altar ao lado meu
Me prometendo estar comigo até morrer.
Faz desse dia um dia tão divino,
De todo ser pra sempre se lembrar.

Me dá Maria nas manhãs pelos roçados
A cultivar a plantação e o nosso amor.
Me dá Maria nas noitinhas estreladas
Sob os lençóis, enlouquecida a me apertar.

Faz de Maria o paraíso prometido,
O meu presente encaminhado pelos céus.
Faz de Maria mais do que uma dádiva,
Minha fortuna, fonte d'água e de alegria,
Pr'eu me sentir que nem você santificado.

domingo, 4 de abril de 2010

A PASSISTA

Lá vem a passista, dançante, maneira,
Trazendo no rosto a luz de um sorriso.
Rebola a passista em trajes sumários.,
E os homens desejam deitá-la em seus leitos.

Na pista ela samba, ela canta, fulgura,
E os homens, sedentos, sonhando pecados.
Negra, vibrante, lasciva, tão linda!
É dona da quadra, rainha da noite
E pega nas mãos fragmentos de estrelas
E espalha na quadra alegria tão grande,
Que o mundo inteiro parece dançar.

2009

PARAÍSO II

Quando os meus olhos sequiosos se encontram
com os teus olhos serenos de veludo,
eu me vejo desarmado, indefeso, adolescente,
mergulhado em sonhos, devaneios, em quimera.

Vem, mulher, aconchegar-te em meu abraço:
meu sentimento é um turbilhão de ondas havaiano.
O meu amor é como um transe, tão sereno, delicado
e,assim, se expande e se apossa de min'alma atordoada.

Vem: minha força se alimenta do teu beijo,
o meu corpo se alimenta do teu corpo.
O teu rosto é o mais bonito entre os poemas,
tua presença é o mais sonhado, desejado paraíso.

2009

Revisto e modificado em 2012

DOIDEIRAS DE UM NORDESTINO

Mãe, que coisa doida é essa
mais do que doida
nesta cidade?
Que coisa é esta
mais do que doida
dentro do peito?

Mãe, como apavora
vir à janela,
ver os cadáver
pela favela
e imaginar
que qualquer hora
a gente pode
ser mais um deles.

Mãe, como me assusta
ver a miséria
em todo canto
desta cidade,
como na terra
tão nordestina,
cheia de fome,
onde eu nasci.

Mamãe querida,
entende bem,
vivo com medo,
às vezes penso
umas doideiras:
voltar pro norte.

Voltar pro norte?
Mas como o norte?
Perdi o norte,
também o norte,
que, tão mudado,
é como agora
a terra aqui.

2008

NÃO VOLTAR


Trilharei os caminhos mais trevosos,
Roçarei nas pedras cortantes dos estreitos
Minha carne já tão farta destas chagas que me sangram.
Morrerei a cada dia  em que eu pise neste chão,
Na incerteza que amanhã uma luz de plena claridade
Se acenda num momento do caminho e que me salve,
Mas não pedirei na dor mais lancinante que me voltes,
E, se quiseres me voltar, eu te direi: "nunca, jamais!"


2009
Modificado em 2012

TÃO DESERTA...?

Por que é tão deserta
a rua
é tão deserta
a feira
é tão deserta
a loja
é tão deserta
a noite
é tão deserta
a tarde
é tão deserta
a vida
é tão deserta?

2009

A TERRA DE SEU JORGIM

A terra de Seu Jorgeim
tem cascatas e morros e matas
tão bonitas de se admirar...
tem morenas e louras, mulatas
tão boas de um ser desejar.

A terra de seu Jorgim
é de beleza pura e singela
que a gente precisa cantar
e tem também dona Estela,
que faz em suspiros sonhar.

Por falar em sonhos, há tantas igrejas
onde o povo de vida modesta
sonha anjos, céu, paraíso,
confiante que, partindo desta,
só terá razões de sorrisos.

Na terra de Pagodim
não se sonham tão-só sonhos místicos,
eu vejo também também sonho artístico
de quem samba nos botequins.
Lá tem muita moça bonita
com sonhos de Cinderela
e também tem a Rosita,
que não é tão moça, mas também é bonita
e sonha também namorar,
mas o marido - bandido! -
insiste em nunca deixar.

A terra de seu Jorgim
tem time de futebol treinando
e uma meninada sonhando
aplausos, estádios, fortuna.

A terra de seu Jorgim
tem casas e ruas singelas,
tem bares de muita alegria,
lugares de muita poesia,
tem, não nego, suas mazelas,
mas não há como enfim não louvar
a terra de seu Jorgim.

2008
Revisto de modificado em 2017

sexta-feira, 2 de abril de 2010

HOMENAGEM AOS POETAS

Este poemeto é uma singela homenagem
A todos aqueles que fazem mágica com sua pena encantada,
Que fazem poemas de profundeza e de beleza comovente e colossal
E se enchem de orgulho e de vaidade
Como Deus, que fica a olhar fascinado a sublimidade e imensidão da sua obra.

2010

SEM GANÂNCIA

Não me enquadro,
não me integro,
não me entrego,
não aceito,
não me ajusto
(não é justo),
que a cabeça pensa,
se coloca contra.

Não adulo,
não estendo
o tapete
longo, rubro,
só me afasto
do nefasto
jogo sujo,
que a moral condena,
cheia de repulsa.

Sem ganância,
sem a sede
de ter tudo,
de ser dono
do planeta,
só me basta
ter à noite
a morena ardente
sobre a minha cama.

Sem fotuna,
sem prestígio,
comitiva,
estratégia,
puxa-sacos,
diamantes,
é bastante
ter a paz dos dias
na vida modesta.

Sem ferrari,
sem agenda
sem o mundo
entre os braços,
o que quero
é o dia
belo, fresco
e a canção bonita
me afagando a alma,
os amores bem,
que estas coisas simples
são meu paraíso.

2010