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domingo, 23 de maio de 2010

MORENA

Vai, morena,
caminha, morena,
rebola, morena,
a bunda morena
à beira do mar.

Bebe, morena,
te deita, morena,
te doura, morena,
ao sol escaldante,
me deixa te olhar.

Abre, morena,
o sorriso menino,
permite, morena,[
eu ser teu devasso
por hoje somente.

Vamos, morena,
viver neste dia
dourado e de luz
um doce poema
de amor e de ais.

2010

A MULHER

Canto as mulheres como fossem deusas, pelo fascínio que me exercem,
Por ver nelas, em cada uma, um tanto de Vênus,
Um quê de ninfa, um tanto de fada e de heroína dos romances,
Por captar-lhes fundamente o poder magnético e a magia.
Eu canto a mulher existente ou que já tive, rebatizada nos meus versos;
Eu canto a mulher inventada a partir das mulheres vistas nas ruas ,
Da mulher cuja beleza me embevece, à qual dou nome e dou história...
Mas canto a mulher...
Com esmero e com veneração!
Canto a mulher porque é como cantar as paisagens majestosas,
Como cantar os anseios mais ardentes, palpitantes,
Como cantar a cidade mais acolhedora, aconchegante.
Amo a mulher. Amo com o fervor mais exaltado,
O desejo mais vibrante, numa coisa que é qual devoção, um dar-se em prece aos
[ elementos transcendentes,
Como minha alma se elevasse alimentada dos mais altos, milagrosos,
Mais etéreos fluidos do desejo e da paixão.

2010

PARA SER FELIZ

Pra que eu veja brilhar a esperança,
É preciso a tua presença
E os teus braços de afeto pra mim.

Pra que o dia amanheça bonito,
É preciso uma noite cálida
E os teus olhos de mar nos meus.

Pra que o canto não seja inaudito,
É preciso que a mim tu te entregues
Num querer, num afã sem limite.

Pra que a vida pareça folia,
É preciso que um só nós sejamos,
Que vibre em meu peito a alegria do teu.

2010

VIDA OCULTA

Pare, ouça, olhe-se e acredite,
note e se dê conta que não ressecou:
saiba que essa sua aparente morte
não é mais que oculto palpitar de vida,
Eu noto a esperança a lhe brotar nos olhos
e no seu semblante uma avidez oculta,
uma inquietude murmurante e cálida
a passar silente pelos seus sentidos
sem que sua alma dela se aperceba.

2010
Revisto e modificado em 2012

sábado, 22 de maio de 2010

FICA LONGE DO MEU CANTO

Fica longe do meu canto:
ele pode te espetar.
Fica longe do meu canto:
ele pode até morder.

Fica longe do meu canto:
ele pode ser uma carapuça alérgica
com a exata medida da tua cabeça.

Fica longe do meu canto:
ele pode ser um capetinha
que tenha prazer em te irritar.

Fica longe do meu canto:
ele tem o sadismo de um moleque
que, ao passares, põe o pé na tua frente.

Fica longe do meu canto:
ele tem o prazer doentio
de te ver em raiva te morderes.

Fica longe do meu canto,
que ele cospe marimbondos
e quer ver-te apoquentado,
igualmente furibundo.

Fica longe do meu canto,
porque és por demais elementar,
e ele sabe como poucos sabem
as feridas que carregas te dedar.

2010
Revisto e modificado em 2017

SE VOCÊ QUISER (VOZ DO DESENCANTO)

Se você quiser,
tenho um texto cru de descrença e tédio
embebido da monotonia e mesmice dos dias
e das vivências que não dão espaço à ilusão.

Se você quiser,
tenho versos sem lira e sem dança,
mas pejados de enfado e cansaço,
do fastio de andar pelos dias.

Se você quiser,
trago um verbo tão farto de tudo,
da certeza que nada no mundo
possa haver de novo ou diverso.

Se você quiser,
tenho algo que traduz um desejo
de ficar a olhar para o nada
e deixar apenas o tempo passar.

Se então não quiser,
busque um vento de falsa esperança
e embarque na colorida utopia,
ignorando meu discurso cinzento.

2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

UNO COM O COSMO

Quando a noite se aprofunda e os seus sons vêm levemente
como poesias murmuradas à minh'alma asserenada,
eu me sinto tão volátil, tão etéreo, sem pecado,
tão envolto e tão parte de um poema transcendente e tão bonito
que chegasse de lugares tão sublimes de distância imensurável...
Eu me sinto assim qual se um cordão de encanto e sem tamanho
me ligasse aos longes pontos do infinito inexplicável
e, mais que anjo, mais que o favorito entre os serafins,
fosse, sim, parte de um Deus composto inteiro de pureza e de lirismo.
Eu, nesta harmonia, no Nirvana, a colher e destilar as mais tocantes emoções.

2010

Revisto e modificado em 2012
Reintitulado em 2013

domingo, 9 de maio de 2010

MATURIDADE

Já senti o júbilo dos triunfantes, dos sortudos.
Já amei com a intensidade dos sóis de verão.
Já odiei com a força dos ventos mais devastadores.
Já me desolei no desânimo dos exércitos vencidos.

Já morri tantas vezes e já ressuscitei tantas outras,
Algumas como fênix a renascer subitamente das cinzas,
Outras, lentamente como a formação da vida num planeta.

Já vi o fundo da alma humana e tudo o que nela habita.
Já senti o desencanto como punhalada em minha carne,
Mas, hoje, os meus olhos vêem tudo como é.

Não é possível viver sem amar, e amar é risco de dor,
Mas hoje quero a paz das brisas e campos mais serenos,
Só lamber da vida o sumo doce e paladares mais suaves,
Da maturidade fazer dias de sossego, amor e de delícias.

2010

VIDA DE AMANTES

Quero manhãs frescas de sol manso
E o orvalho enfeitando o seu jardim,
Quero na brisa o cheiro das sementes
E dos arbustos que ataviam seu quintal.

Quero uma rua de terra pra pisar
E passarinhos gorjeando em meu caminho,
Um violeiro a tocar n'alguma esquina
Canções bonitas de o meu peito trepidar.

Quero a esperança brotada nos seus olhos,
Contagiando minha alma, meu olhar.
Queira a mim como se eu fosse a poesia
Da lua a adentrar pela janela.

Quero sua pele de seda em minhas noites
E a penumbra a iluminar nosso delírio,
Palavras doces traduzindo os sentimentos
Mais intensos e mais fundos de nós dois.

2010

sábado, 8 de maio de 2010

DESOLAÇÃO DIVINA

E a idolatria dos homens por Alexandre e Napoleão e seus impérios malditos
erguidos sobre chacinas, carnificinas, estupros e iniquidades inimagináveis?
E a idolatria dos humanos pelos poderosos sem sentimentos
e despidos de moral, compaixão e o menor dos princípios de bondade?

E os louvores aos vencedores e aos competentes, sem pensar no infortúnio e dor dos mais fracos?
E o gozo de enfiar um anzol num peixe por mero capricho e vaidade?
E o desrespeito torturante e mortal às outras espécies, numa indiferença perversa,
Numa convicção de ser o planeta um mero usufruto?

E o desrespeito mesmo à integridade moral e física da própria espécie,
com atos de negligência, com atos de crueldade, atos de vandalismo?
Se Deus existe, deve estar desolado, balançando a cabeça
e se perguntando por que ao homem criou.

2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

DANIELLE

Quando a noite silencia e se aquieta
E do fundo da noite a poesia
Vem tocar os sentimentos dos poetas,
Danielle sonha sonhos tão bonitos:
São quimeras de menina enamorada.
Fecha os olhos, tão ardente de desejos,
Fantasias fogueadas de mulher.

Quando sonha amor, entrega, enlevamento,
Esperanças embelezam seu momento,
Orbitando as ilusões dos vinte anos
E os anseios dessa fêmea tão sedenta.

Quando enfim adormece essa menina,
Mais parece o seu quarto um céu pequeno,
Porque a paz, aconchegante, vela o sono
Dessa moça que inda sabe e quer sonhar.

2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ALMA INERTE

A voz que cantava se calou.
A pena que versejava ressecou.
O sol que brilhava se apagou.
Acho que morri mais uma vez,
Ou então minh'alma num coma se afundou.
Minh'alma, que não ri, que não pranteia,
Desacordada, esborrachada no chão duro de granito.
Minh'alma, tão silente, tão exangue e tão inerte...
Acho que minha luz se apagou.
Acho que minha alma se matou.

2010
Revisto e modificado em 2017