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sábado, 11 de fevereiro de 2017

NOSTALGIA III

Tinha Lúcia, que era tão bonita,
e cheirava sempre a sabonete,
e era tão boa de deitar.

Tinha o quintal com três cachorros
e a terra, que cheirava a chuva à tarde,
e os arbustos sob a luz a balançar.

Tinha o futuro, que se vestia de esperança
e parecia tão delícia e tão de festa,
que era capaz de toda agonia afugentar.

Tinha um desejo imenso de cantar
que pulsava toda vez que a semana se acabava
e me fazia feliz por existir tão simplesmente.

Não vou me encher assim não mais de nostalgia,
porque é tal como me apertar de dores pelos cantos,
como morrer, viver a morte todo o dia,  o tempo inteiro.
Não, não vou me encher não mais de nostalgia,
senão tanta saudade vai doer em mim demais.



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