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domingo, 13 de novembro de 2011

NO TERREIRO

"Minha santa, traz de volta aquele moço,
Mas traz ele suplicante, tão pedinte,
Tão mendigo, que eu me apraza
Em limpar nele meus pés."

"Meu amigo, dá um jeito no meu chefe,
Faz que ele me olhe e não me veja,
Perca o cargo, o posto, o emprego,
Mas que eu tenha paz de vez por todas."

"Diz, meu santo, que presentes
Você quer pr'eu ter sucesso,
Pra fazer muito dinheiro,
Pra ter pompa e posição."

"Diz, mãezinha, como faço
Pra roubar João de Rita,
Pra que Zé nunca me deixe,
Pra trazer Durval pra mim."

"Diz, meu pai, qual o remédio
Pra que eu tenha uma parceira
Que me ame e aceite chifres,
Que me lave e calce os pés."

"Diz, menino, que mandinga
Pôr no mato pra que todos
Que me vejam me idolatrem
E abram portas para mim."

"O que eu pago pra que Tânia
A mim fique sempre atada
E que o peste do marido
Morra seco ou de acidente?"

"Tira, pai, deste meu corpo
O "trabalho" tão danado
Que pessoa tão malvada
Fez pro fim do meu sossego."

"Não lhe peço, vó, pra ter fortuna,
Quero paz e ter saúde,
Mas não sei que flores, frutas
Eu arrio no jardim."

2011

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