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domingo, 7 de março de 2010

MARIANA


Túlio Moura era de rocha,
Um valente tão calado;
Homem longe de gracejos,
Se tivesse uma pendenga,
Resolvia era na faca,
Já deitara mais de cinco.

Mariana era bonita,
E, se Túlio desabava,
Só se dava o acontecido,
Quando a tinha sobre o leito.
Mariana tanto ardia
E se dava de tal modo,
Que ele tinha uma certeza:
Outro homem não queria.

Pedro Souza ria à toa,
Nunca fora violento;
Piadista conhecido,
Se tivesse uma pendenga,
Resolvia era na paz:
Evitara mais de cinco.

Mas um dia Mariana
- ninguém sabe nem explica -
Deparou com Pedro Souza
E por ele se encantou.
Demorou um bom tempinho,
Mas um dia - que remédio? -
Mariana se entregou.

Mariana era bonita,
E, se Pedro não sorria,
Só se dava o acontecido
Quando a tinha sobre o leito.
Mariana tanto ardia
E se dava de tal modo,
Que ele tinha uma certeza:
Outro homem não queria.

Mas num dia de tragédia,
Túlio Moura tudo soube,
Disse ofensa a Pedro Souza,
Tirou faca da cintura,
Mas o Pedro era traíra:
Com um tiro o abateu.

E assim de modo triste
Se selaram os dois destinos:
Túlio Moura no sepulcro,
Pedro Souza na cadeia.

Com bem menos de dois meses,
Um viúvo da cidade
Visitou aquelas bandas,
Tendo visto Mariana,
Logo, logo, endoideceu.

Mariana era bonita;
Se o viúvo não chorava,
O tal fato só se dava,
Quando a tinha sobre o leito.
Mariana ardia tanto
E se dava de tal modo,
Que ele tinha uma certeza:
Outro homem não queria.

2010
Barão da Mata

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