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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

NOSTALGIA

Estou perdido num tempo
em que tudo que amei se foi,
em que tudo que havia perdeu-se,
tudo o que havia não há.

Não há mais casas singelas
com casais apaixonados
se beijando nos jardins.

Não há mais olhos brilhantes
de mulher enamorada
sob a lua cor de prata.

Não há mais brisa de outono
nem cantiga matutina
para iluminar as manhãs.

Não há mais praças bonitas
com casais cheios de sonhos
e crianças a brincar.

Não há mais o jasmineiro
sob o qual beijava Helena
entre juras imaturas.

Não há mais o violão
que meu pai tocava à noite,
a me encher de comoção.

Não há mais canção bonita
e olhar cheio de súplica
de menina apaixonada.

Não há mais noites de a alma
libertar-se dos pecados
e entregar-se à poesia.

Não há mais momentos líricos
de querer amar profundo,
de querer viver de amor.

Não há mais nenhuma hora
de dizer versos bonitos
e de ouvir coisas tocantes.

Não há mais canção de roda,
não há mais meus pais, a casa
que abrigou a minha infância.

Não há mais a adolescência,
não há mais a juventude,
não há mais aqueles tempos
tão distantes, que parecem
aos meus olhos tão vividos
mais quimeras que lembranças.

2010

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