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domingo, 30 de setembro de 2007

AO MEU PEITO

Grita, alma,
canta alguma coisa;
peito, acorda,
nunca mais tu adormeças,
nunca mais tu permaneças
na preguiça do sossego
d’alma quieta e vazia
das pessoas incolores
que transitam pelas ruas,
que vegetam pela vida.


Peito, balança,
trepida, apaixonado,
rebenta, ebulindo,
com paixões da adolescência,
com loucuras e azáfamas,
com entregas quixotescas.


Peito, arde
com o fogo adolescente
da primeira entre as orgias,
da primeira entre as volúpias.


Alma, canta
a mais serena das cantigas,
mais suave dos amores,
os mais brancos dentre os sonhos,
as mais alvas fantasias.


Coração, acorda,
pulsa feito aos vinte anos,
bate no frenético delírio
dos amantes romanescos.


Corpo, luta
pela mais tola das causas,
mais utópico motivo
e o direito de voar.
Corpo, luta,
pra mostrar que em ti há sangue,
pra mostrar que em ti há vísceras,
pra mostrar que em ti há vida.

1989