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sábado, 8 de setembro de 2007

LÁ FORA / DESOLAÇÃO

Por que refestelar o corpo numa cama
E ouvir as mais serenas das canções,
Se lá fora a vida é tão acesa,
Tão festiva com seu samba e tamborins?


Por que o quarto com o mofo das tristezas,
Se há nos bares radioso burburinho,
Alegria tão vibrante, radiante,
Que parece que as pessoas vão voar?


Por que então a quietude tão plangente,
Se essa vida lá de fora é tão dançante,
E espontânea como a jovial e linda negra
Que daqui vejo no bar a rebolar?

1997
Revisto e modificado em 2012



DESOLAÇÃO


Eu versejo com a mágoa que corta e perfura devagar a carne já à dor habituada.
Eu canto com o ódio impotente, murmurante e manso dos guerreiros derrotados.
Eu falo com a desolação cansada e a desesperança dos idosos no crepúsculo da vida.
Eu olho com o olhar opaco do mais puro desengano,
Eu vago pelo mundo com a indiferença e alheamento de uma folha seca arrastada pelo
[ vento.
Eu sigo pelos dias sem saber se estou vivo, se estou morto, confundindo vida e morte,
[ tão enorme a semelhança entre ambas em meu ser.


2001
Revisto e modificado em 2012

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