Google+ Followers

sábado, 8 de setembro de 2007

O IMPÉRIO DOS DEMÔNIOS/DESESPERANÇA/FICA COMIGO/TEU NOME/VERSOS DE PURA AGOINIA

Como não alimentar apreensões, desgostos e o medo,
Se eu vejo o fantasma de Hitler pairando sobre a Europa,
Numa gradativa e estarrecedora matrerialização.
Amedrontado, avisto a ku-klux-klan em tantas almas do primeiro mundo
E, desalentado, noto a eterna vocação das nações latino-americanas
Para meras possessões.

Eu vejo o poder econômico formando quadrilhas gigantescas,
Onipresentes, monstruosas, implacáveis, pavorosas,
A massacrar a maioria, para quem a existência
É inglória, é derrota, sacrifício, é martírio, é penúria.

Homens de olhar altivo, de postura mussoliniana,
Condenando multidões ao infortúnio,
Do alto de seus elevados e malditos pedestais.

Gentes arrogantes e soberbas que odeiam, que desprezam outras gentes
Por questões de raça, de origem, de matiz ou descendência.
O menosprezo de opulentos, para quem não são os pobres
Mais que reles peças, animais de produção.

O que será de mim, vocês, de nós, dos meus, dos seus,
Dos nossos descendentes, de minha e nossa gente?
O que será, enfim, de tanta, tanta gente?
Eu me desolo pelo hoje e sinto medo do amanhã.
Por que tanta frieza, crueldade, indiferença?
Por que esse tamanho gosto pelo sangue?
O mundo, nos dias de hoje, como ontem e como sempre,
Vive o infernal  império dos demônios.

1995




DESESPERANÇA

Abaixo todo governante e todo governista!
Viva todo radical opositor!
E que os opositores nunca cheguem ao poder,
Pois o poder existe somente, unicamente
Para servir ao poder.

Não há esperança a nutrir no coração:
O mundo gira em torno dos tubarões capitalistas
E nunca, nunca o povo terá vez.
O povo é nada mais que um simplório gigante,
Incônscio do que poderia se soubesse abrir os olhos.

Não há esperança a nutrir no coração:
Eu quero apenas ser um homem arredio,
Desregrado, libertino, sem rédeas e sem travas
E me regalar da verde paisagem das estradas
Que me levam até as delícias do sul de Minas.

1997



FICA COMIGO

Fica comigo, morena:
Ele tem a voz possante, ornamentada e clara
E o ar imponente dos mais ricos dos senhores,
Mas eu trago um trecho decorado de um poema do Vinícius
Para murmurar docemente ao teu ouvido.

Fica comigo, morena:
Ele tem projetos bem palpáveis, calculados,
Tem ideias cristalinas, visão larga de futuro,
Mas eu nutro umas doideiras encantadas de quimera,
Pra fazer-te sonhadora, uma menina novamente.

Fica comigo, morena:
Ele tem a elegância, mais vitórias que derrotas,
A firmeza leonina e uma fibra quase heróica,
Mas eu tenho os braços quentes de paixão e de afago
E uns poemas pequeninos que escrevi só para ti.

Fica comigo, morena:
Ele tem pra relatar inúmeras vivências,
Com viagens, com sucessos, decisões, experiências,
Mas eu tenho pra contar a grandeza do meu êxtase
Quando o sol doura a mangueira de manhã, em meu quintal.

1997



TEU NOME

Na noite quieta te entreguei
Meu pensamento.
Tua lembrança tocou-me a alma
Como carícia.
Era saudade
Que não doía,
Pois vinha junto com esperança,
Co’a alegria
De estar vivo
Que se acendia
E assumia a supremacia
Do meu espírito.

És como o sol que entra
Pela janela
Nas manhãs frias,
Trazendo vida,
Trazendo luz
E ao peito, música.

Tua imagem na minha mente
Fez trepidar
Meu coração.
Deliciei-me em recordar
Tua figura,
Tuas palavras;
Fechei meus olhos
E murmurei
Então teu nome...
Teu nome... teu nome...

1996





VERSOS DE PURA AGONIA

Tanta morte, tanta doença, tanta tristeza,
Tanta miséria, tanto cinismo, tanta torpeza,
Tanta guerra, e violência, tanta maldade,
Tanto perigo, a injustiça, o revoltante
A cada dia bem mais presente,
Mais revoltante.
Se Deus não existe, ele precisa
Urgentemente
Ser fabricado.

1996

Nenhum comentário: