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sábado, 8 de setembro de 2007

POR QUE MARIA MARTA É TÃO TRISTONHA?

Por que Maria Marta é tão tristonha,
se o sol doura a janela desbotada
onde a moça, tão bonita, se debruça
para olhar  os arbustos do jardim?


Por que Maria Marta é tão tristonha,
se, ao despir-se ante o espelho prateado,
faz que surja a figura de uma ninfa,
de Afrodite, de uma fada camponesa?


Por que Maria Marta é tão tristonha,
se, de noite, maravilhas povoam os seus sonhos
de lugares distantes, diferentes,
de cidades agitadas e lotadas?


Por que Maria Marta é tão tristonha,
se em seu canto o tempo passa lentamente,
tão sem pressa, que dá tempo de sonhar,
ver cavalos, potros, éguas a pastar.



Por que Maria Marta é tão tristonha,
se as manhãs são de relvas orvalhadas
e nas tardes chuvas mansas sempre banham
sua pele morena de veludo?


Poderiam os seus sonhos de terras tão longínquas,    
por não terem simplesmente acontecido,    
a fazerem tão calada e  tão soturna,
de tristeza tão profunda e suplicante
que se estampa tão flagrante  em seu olhar?

1996

Revisto e modificado em 2012

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