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sábado, 8 de setembro de 2007

RECANTO SOMBRIO

Eu bem sei que estou atado ao meu recanto
Tão sombrio, umedecido, tão deserto,
E que Marina não virá me estender a mão de encanto
E de veludo, para conduzir-me ao paraíso
Que o sol acende, que o verde adorna
E que os riachos
Enchem de música.


O meu canto seguirá, teimoso e rouco,
Teimoso e mudo,
Sopro inaudível
Que tão somente
Se perderá
No vago nada.
O meu canto será sempre um sussurro vão
Que se desfaz no ar, sem que ninguém
Sequer um dia
Se aperceba
De que existiu.


O amanhã será exatamente igual ao hoje
E não verei a água converter-se em vinho,
E os meus olhos, cansados, baços,
Não mostrarão nenhuma ânsia;
Só se lerá
Nestes meus olhos
Alguma pressa
De a natureza
Me suprimir.

1997















A FADA ELIS


Elis era uma fada
Cuja voz miraculosa,
Cujo canto encantado
Extasiava as multidões.
Hoje eterna divindade
Em um mundo tão longínquo,
Já cumpriu missão divina
De deixar para este mundo
Sua voz perenizada,
De pra todo, todo o sempre
Inebriar os corações.,

1998































Eu bem sei que as altas castas
nos querem rezando,
nos querem na crença
de que o sofrimento
resignado
nos abre a porta
do Paraíso.


Eu bem sei que eles me querem
em frente à tevê,
engolindo de tudo
que ela me diga,
tal como avestruz
babona de parva.


Há muito percebo:
existe uma escória
que o povo cultua,
que pactua com o Demo
e, na hora da paga,
as almas que entrega
são nossas almas.


Eu bem sei que essa gente
nos quer sempre escravos,
nos quer bem famintos,
sem nada enxergar...


mas a minha voz não ecoa;
minhas mãos são muito frágeis,
minha fala nunca soa:
sou apenas um palhaço obscuro,
despercebido
na multidão.
1997

II

Por falar em Diabo,
fico às vezes pensando
que Deus foi vencido
ou então entregou
nas mãos do capeta
este mundo perverso.

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