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domingo, 30 de setembro de 2007

IMPOSSÍVEL POEMA

Desolada essa paisagem:
é o mangue negro e podre,
os casebres de madeira
com remendos e cupins.


É o choro dos lactentes,
é a fome, o desespero,
é a morte e é a doença,
as vorazes ratazanas.


São os rostos sem esperança,
as crianças que não sonham,
as navalhas dos meninos,
que adolescem odientos,
cujos peitos petrificam.


É essa gente favelada,
tão sozinha, abandonada,
renegada, espezinhada,
ao inferno condenada.


Que poema é então possível
sobre toda essa miséria,
o infortúnio  que consterna,
esse inferno que revolta?

1994